Brasília — A Polícia Federal investiga a participação da Epitome S.A., consultoria de gestão empresarial dirigida pelo ex-metalúrgico Luiz Antônio Lombardi, na negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador que, segundo os investigadores, teria sido destinado como vantagem indevida ao senador Jaques Wagner (PT-BA).
O imóvel, de 245,3 m², quatro suítes e localizado em condomínio de alto padrão, foi pedido pelo parlamentar ao banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, conforme mensagem interceptada pela PF: “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”. A transação, contudo, não chegou a ser concluída.
Empresa de prateleira turbinada
Inicialmente criada como empresa de prateleira, a Epitome teve o capital social elevado de R$ 100 para R$ 2 milhões em 2024, ano em que Lombardi assumiu a direção. Ele deixou de administrar oficinas mecânicas na zona norte de São Paulo para, em cinco anos, ocupar cargos executivos em companhias cujo capital social somado chega a R$ 56 milhões.
Investigadores apontam Lombardi como “pessoa interposta”, usada para ocultar o real controlador da empresa. O ex-metalúrgico é amigo de infância do advogado Daniel Monteiro, apontado pela PF como operador responsável pela estruturação de negócios ligados ao Master e controlador de um fundo acionista da Epitome.
Fluxo de recursos
Antes de entrar na negociação do apartamento, a Epitome recebeu R$ 2,5 milhões do fundo Hockenheim, cujo cotista é o fundo Le Mans, também administrado por Monteiro. A defesa do advogado afirma que Lombardi foi nomeado por ser “amigo de longa data e de irrestrita confiança”.
Outras ligações empresariais
Lombardi aparece ainda como administrador da Rubicão S.A., com capital de R$ 19,5 milhões e que adquiriu 60 % de um campo de petróleo em Itaparica (BA) em 2025, e da Pegasus, intermediadora de negócios com capital de R$ 15 milhões. Ambos os empreendimentos têm fundos vinculados à gestora Reag, colocada em liquidação extrajudicial pelo Banco Central; a empresa não comentou.
Imagem: Cristiano Mariz
Defesas
Em entrevistas anteriores, Jaques Wagner admitiu ter pedido a Lima a aquisição do apartamento para presentear a filha, negando qualquer contrapartida política. A defesa do senador informou que não haverá novas manifestações.
Os advogados de Augusto Lima sustentam que ele nunca comprou o imóvel nem detém participação nas empresas envolvidas. Já a defesa de Monteiro afirma que todas as companhias sob sua supervisão estão devidamente declaradas à Receita Federal e à CVM, e que o escritório do advogado prestou consultoria legítima ao Banco Master.
Com informações de O Globo
