A conversa realizada na terça-feira (30) entre Michelle Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, encerrou-se em clima de forte tensão. Segundo duas fontes próximas tanto da ex-primeira-dama quanto do senador Flávio Bolsonaro, o dirigente sugeriu que Michelle assinasse uma carta na qual reconheceria estar “abalada” pela prisão de Jair Bolsonaro, pediria desculpas por um vídeo recente em que criticou o enteado e setores do bolsonarismo e, assim, buscaria pacificar o partido.
A proposta irritou Michelle, que chegou a ameaçar desfiliar-se do PL. Na saída da reunião, ela confirmou apenas a renúncia à presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde março de 2023, quando foi nomeada por Valdemar. No comunicado divulgado nas redes sociais, não citou Flávio nem apresentou retratação; limitou-se a dizer que atravessa “o momento em que estamos vivendo em nossa família” e anunciou que dedicará mais tempo a Jair Bolsonaro e à filha Laura.
Interferência de aliadas
Horas depois, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), convenceram Michelle a permanecer filiada ao partido. Ainda assim, pessoas próximas à ex-primeira-dama afirmam que ela não pretende participar da campanha de Flávio à Presidência da República. Caso dispute a eleição de outubro, Michelle deve integrar a chapa de reeleição de Celina ao governo do DF.
Candidatura ao Senado em xeque
Na mesma conversa, Michelle sinalizou que pode desistir de concorrer ao Senado pelo Distrito Federal, hipótese confirmada por Valdemar em entrevista à Rádio Gaúcha na quinta-feira passada. Integrantes do entorno da ex-primeira-dama, entretanto, consideram que a decisão ainda não está definitiva.
Antecedentes do conflito
O desentendimento explodiu no domingo (27), quando Michelle publicou um vídeo de 27 minutos no Instagram acusando Flávio de “apunhalá-la” e de permitir ataques virtuais contra ela. Naquele momento, Valdemar se encontrava em Miami, onde assistiria à partida Brasil x Escócia pela Copa do Mundo de 2026. O presidente do PL antecipou o retorno ao Brasil, classificou a briga como “muito séria” e reconheceu que a ausência de Michelle poderia comprometer o desempenho eleitoral de Flávio.
Imagem: CRISTIANO MARIZ
Relação abalada
Nos últimos anos, Valdemar e Michelle mantiveram relação pública cordial. O dirigente chegou a defender abertamente uma candidatura presidencial da ex-primeira-dama e assegurou a ela salário mensal de R$ 46 mil na chefia do PL Mulher, valor equivalente ao de Jair Bolsonaro como dirigente partidário. Apesar desse histórico, o pedido para um “mea-culpa” selou o afastamento de Michelle do posto.
Com o impasse sem solução imediata, aliados de ambos os lados avaliam que a disputa interna permanecerá no horizonte do PL nos próximos meses.
Com informações de O Globo
