A disputa pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou o afastamento de parlamentares do Partido Liberal (PL) em relação a Michelle, que hoje conta com apoio aberto apenas da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Presidente do PL critica publicação de Michelle
Na quinta-feira, 2 de julho, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou que Michelle cometeu um erro ao divulgar, em 29 de junho, um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho. Na gravação, Garotinho relata supostas festas organizadas pelo empresário Daniel Vorcaro, incluindo o episódio conhecido como “noite dos astronautas”. Valdemar ressaltou que o conteúdo não foi verificado e reforçou a crítica à ex-primeira-dama.
Reação no Congresso
Reservadamente, deputados e senadores avaliam que Michelle expôs desnecessariamente a divergência com Flávio, pré-candidato do partido à Presidência da República. Integrantes da bancada afirmam ter relação mais próxima com o senador e, por isso, tendem a apoiá-lo no impasse.
O conflito veio à tona em 24 de junho, quando Michelle publicou vídeos nas redes sociais dizendo ter sido “desrespeitada e maltratada” por Flávio durante conversa telefônica. Horas depois, o senador negou qualquer ofensa, pediu desculpas caso ela se sentisse atingida e afirmou que “jamais” desrespeitaria a esposa do pai.
Cenário político no Ceará é pano de fundo
A discordância central envolve a estratégia do PL no Ceará. Michelle rejeita a aproximação do partido com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo estadual, e defende o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE), ligado ao bolsonarismo. Flávio lidera a articulação favorável a Ciro.
Apoio restrito
Até agora, Damares Alves foi a única a se manifestar publicamente a favor de Michelle, elogiando a ex-primeira-dama nas redes sociais. A senadora também se ausentou de um encontro organizado por Flávio com mulheres conservadoras em Brasília.
Imagem: Internet
Silêncio do ex-presidente
Aliados do PL acreditam que o ex-presidente Jair Bolsonaro não orientou a ação de Michelle. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília desde 27 de março por decisão do ministro Alexandre de Moraes, medida que completou 90 dias em 25 de junho e cuja prorrogação é analisada pelo Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se, em 1º de julho, favorável à manutenção da medida.
Por ora, dirigentes do PL tentam conter o desgaste e desestimulam reações públicas mais duras contra Michelle, na tentativa de evitar que a crise interna ganhe novos capítulos.
Com informações de Metrópoles
