Três perfis de baixa visibilidade no Instagram e no Facebook destinaram R$ 487 mil, entre abril e junho, para impulsionar publicações críticas ao governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), que pretende disputar a reeleição em 2026.
Quem são as páginas
Os perfis Pátria Catarinense, SC Digital e Bolsonaristas SC tinham menos de 200 seguidores cada, mas movimentaram valores expressivos em curto espaço de tempo. O formato repete a estratégia já usada por sete páginas que, anteriormente, promoveram ataques pagos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Gastos e alcance
• Pátria Catarinense começou a veicular anúncios em 14 de abril e já desembolsou R$ 108 mil para ampliar o alcance de 55 publicações.
• SC Digital investiu R$ 208 mil a partir de 13 de maio; um dos anúncios superou 1 milhão de impressões direcionadas a catarinenses.
• Bolsonaristas SC aplicou R$ 181 mil desde abril em propagandas, muitas delas usando a imagem de Mello ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff.
Temas dos ataques
As postagens questionam a posição ideológica do governador, lembram sua participação em evento de campanha de Dilma em 2009 e criticam medidas recentes do governo estadual. Entre os alvos estão:
- Lei estadual que permitia a pais e responsáveis vetar “atividades pedagógicas de gênero” nas escolas. A norma, aprovada em abril e de autoria da deputada Ana Campagnolo (PL), foi considerada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina em junho.
- Programas estaduais como Estrada Boa e Universidade Gratuita, este último bancando mensalidades de estudantes do ensino superior. Anúncios acusam o governo de conceder “bolsa para centenas de milionários”.
- O caso do cão Orelha, que ganhou repercussão após ser encontrado ferido. Vídeos chamam o uso do episódio por Mello de “oportunismo político”.
Estratégia de disfarce
Os perfis utilizavam legendas genéricas, como “Esse tema continua rendendo comentários” ou “Novos detalhes voltaram aos debates públicos”, para dificultar a identificação do conteúdo como político. Todos enviaram à Meta dados de registro semelhantes: números de telefone com DDDs 41 e 44, do Paraná, e domínios criados na plataforma Hostinger poucas horas antes de entrarem no ar. As três páginas já estão fora do ar.
Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Posição da Meta
Procurada, a proprietária do Facebook e do Instagram informou, por meio de links públicos, que sua atuação para as eleições municipais de 2026 segue políticas de transparência em propaganda política, em conformidade com resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e que mantém cooperação com autoridades brasileiras para garantir a integridade do processo eleitoral.
O caso reforça o uso de perfis com baixa audiência e alto investimento publicitário para influenciar o debate político regional, prática que já havia sido detectada em campanhas negativas contra outras lideranças da direita nacional.
Com informações de O Globo
