Minas Gerais soma 912 vítimas de latrocínio em dez anos; crimes caem quase 60%

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    Belo Horizonte — Entre 2015 e 2024, 912 pessoas foram mortas em roubos seguidos de morte em Minas Gerais, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento aponta média anual de aproximadamente 80 vítimas.

    Perfil das vítimas

    Dos registros mineiros, 782 vítimas eram homens, 129 mulheres e uma não teve o sexo informado. Especialistas atribuem a predominância masculina à maior exposição dos homens em espaços públicos e a confrontos que tendem a ser mais violentos.

    Posição no cenário nacional

    O estado aparece em sétimo lugar no país em número absoluto de vítimas, atrás de São Paulo (2.566), Pará (1.503), Rio de Janeiro (1.440), Bahia (1.426), Pernambuco (1.403) e Maranhão (932).

    Evolução recente

    Em 2025, Minas Gerais registrou 44 mortes por latrocínio, cinco delas em Belo Horizonte. Entre janeiro e maio de 2026, foram 11 ocorrências em todo o estado e nenhuma na capital. Frente a 2015, a redução chega a 59,26%.

    Possíveis motivos da queda

    Para o advogado criminalista Paulo Crosara, a retração acompanha tendência nacional de diminuição dos crimes violentos. Ele cita hipóteses como efeitos de longo prazo do Estatuto do Desarmamento, diminuição do número de jovens — parcela que mais pratica delitos violentos — e reforço do policiamento. O especialista ressalta, porém, que não há consenso sobre a causa principal.

    Subnotificação em debate

    Crosara também questiona a forma como alguns registros são feitos pelas polícias. Segundo ele, há casos em que o boletim de ocorrência é classificado apenas como roubo, sem mencionar o parágrafo do Código Penal que caracteriza o latrocínio, o que poderia mascarar os números. As forças de segurança negam a prática.

    Lesão corporal seguida de morte

    No mesmo período, o estado contabilizou 455 vítimas de lesão corporal seguida de morte, 44 delas em Belo Horizonte. A diferença, explica o advogado, está na intenção do autor: no latrocínio, o objetivo é obter vantagem patrimonial; na lesão corporal, a intenção inicial é agredir, e a morte ocorre em consequência dessa agressão.

    Penas previstas

    O latrocínio está descrito no artigo 157 do Código Penal. A pena varia de 24 a 30 anos de prisão, podendo superar o mínimo conforme circunstâncias como grau de violência, planejamento e agravantes previstos em lei, incluindo idade das vítimas.

    Crime em destaque na capital

    O debate sobre latrocínios voltou à tona após a morte do advogado Cláudio Atala Inácio, 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76, dentro do apartamento do casal no bairro São Pedro, em Belo Horizonte. Caixas com objetos supostamente roubados foram encontradas durante a investigação. Imagens de câmeras internas mostram uma mulher entrando no prédio em 29 de junho e saindo cerca de oito horas depois com sacolas e uma bolsa reconhecida pela família. Ela ainda não foi localizada, e a Polícia Civil mantém outras linhas de apuração além do latrocínio.

    Com informações de Metrópoles

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.