A Polícia Federal (PF) apura se o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), e pessoas próximas teriam construído uma justificativa falsa para explicar a origem de R$ 430 mil em espécie encontrados no ano passado em um imóvel ligado ao parlamentar, durante investigação sobre possível desvio da cota parlamentar.
Na manhã desta terça-feira (1º/7/2026), a PF realizou uma nova fase da operação. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais contra advogados associados ao caso. Sóstenes não foi alvo desta etapa, mas já tivera endereços vasculhados em dezembro passado.
O inquérito investiga suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. Segundo a corporação, há indícios de tentativa de ocultar ou alterar provas.
Dinheiro apreendido em 2025
Em dezembro de 2025, agentes federais localizaram R$ 430 mil em notas acondicionadas dentro de um saco de lixo, guardado no armário de um flat alugado pelo deputado em Brasília. À época, Sóstenes declarou que o montante era proveniente da venda de um imóvel em Ituiutaba (MG) e que ainda não o havia depositado devido à “correria” do trabalho.
O parlamentar afirmou que o valor era “dinheiro lícito”, recebido em espécie e declarado no Imposto de Renda. Questionado sobre detalhes da negociação, limitou-se a dizer que prestaria esclarecimentos à Justiça.
Escritura registrada após a operação
Documentos obtidos posteriormente mostram que a escritura da venda do imóvel só foi registrada em cartório em 30 de dezembro, 11 dias depois da apreensão do dinheiro. O bem havia sido comprado por Sóstenes em fevereiro de 2023 por R$ 310 mil e revendido por R$ 500 mil a um advogado cujo escritório fica a menos de 500 metros do endereço.
No registro, o deputado declarou ter recebido integralmente os R$ 500 mil em espécie em 24 de novembro de 2025, cerca de um mês antes da ação da PF. Tanto ele quanto o comprador relataram ter assinado a escritura pela plataforma “e-notariado”, que dispensa a presença física em cartório.
Imagem: Gabriela Korossy
Defesa do parlamentar
Procurado nesta terça-feira, Sóstenes voltou a negar irregularidades. “Podem fazer operação à vontade; quem não deve, não teme”, disse, acrescentando que nenhum dos alvos é seu advogado. Em declarações anteriores, também rejeitou suspeitas sobre uso da cota parlamentar, alegando que os contratos de locação de veículos em seu gabinete totalizam R$ 4.500 e classificando a investigação como “desvio de foco”.
Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o deputado informou patrimônio de R$ 4.926,76 em 2022, distribuídos em duas contas bancárias.
As investigações continuam sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as diligências desta terça-feira.
Com informações de O Globo
