O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, representações na Procuradoria-Geral da República (PGR) e no Ministério Público Federal (MPF) contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o próprio partido. A legenda alega que o parlamentar e a sigla favoreceram o governo dos Estados Unidos e feriram a soberania nacional ao trocarem correspondência com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar, a primeira carta foi enviada por Flávio no início de junho. Nela, o senador pediu que Washington não instituísse um novo pacote tarifário (“tarifaço”) contra produtos brasileiros, argumentando que eventuais sanções trariam “sérios danos” à população. No mesmo texto, afirmou estar confiante em vencer as eleições presidenciais de outubro, o que, de acordo com ele, poderia redefinir as relações entre Brasília e a capital norte-americana.
A resposta de Rubio chegou em 23 de junho, reiterando a posição do governo Donald Trump em favor da aplicação das tarifas ao Brasil. Para o PT, o teor das mensagens demonstra uma “tratativa direta” entre um agente público brasileiro e uma potência estrangeira, envolvendo inclusive “informações tratadas como sigilosas pelo Estado brasileiro”.
No pedido de investigação, o partido sustenta que Flávio Bolsonaro teria oferecido a formação de uma “equipe de transição” aos norte-americanos, o que, na visão da sigla, exige apuração imediata por possível violação à soberania e à probidade administrativa. O PT argumenta que o caso não pode ser encarado como simples retórica eleitoral ou diplomacia paralela, uma vez que o senador teria usado sua condição de parlamentar e pré-candidato para negociar diretamente com o governo dos Estados Unidos.
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O partido solicita que a PGR e o MPF verifiquem se houve crime na conduta de Flávio Bolsonaro e do PL, destacando a “gravidade” e a “repercussão” dos fatos narrados.
Com informações de O Globo
