Brasília — A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comunicou nesta terça-feira (30) que deixará a presidência do PL Mulher, ala feminina do Partido Liberal. Em nota divulgada depois de reunião com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, Michelle afirmou que a decisão foi motivada pelo desejo de se dedicar “integralmente” ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à filha do casal, Laura.
Justificativa e agradecimentos
No texto, a ex-primeira-dama agradeceu a autonomia recebida de Valdemar e disse acreditar que o movimento feminimo do partido “seguirá crescendo” sob nova coordenação. Ela também apresentou um breve balanço das ações realizadas desde que assumiu o posto, em 2022.
Aliados exaltam “missão familiar”
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), considerada uma das principais parceiras políticas de Michelle, declarou nas redes sociais que a ex-primeira-dama “mudou para sempre a história da participação das mulheres na política” e elogiou a decisão: “Você tem uma causa, e não um projeto de poder”. Segundo Damares, Michelle “plantou a semente” e o grupo dará continuidade ao trabalho.
Na Câmara, o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) subiu à tribuna para manifestar “inteira e irrestrita solidariedade” à ex-primeira-dama e à própria Damares. Ele acusou “amigos de Flávio Bolsonaro” de atacarem as duas publicamente.
Pelo X (antigo Twitter), o deputado Marco Feliciano (PL-SP) também saiu em defesa de Michelle: “Respeitem a esposa do meu amigo Jair Bolsonaro! A crueldade é uma triste manifestação da natureza humana”.
Governo vê “expulsão” e machismo
Integrantes da base governista interpretaram o episódio de forma distinta. O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que Michelle foi “expulsa” do cargo e associou a saída ao que definiu como “cultura machista” do PL: “Um partido com Jair Bolsonaro como líder e Flávio como candidato é machista na raiz e antifeminista”, escreveu.
Imagem: BETO BARATA
Cenário de tensão interna
O anúncio ocorre dias após a maior crise da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Na semana passada, Michelle divulgou um vídeo acusando o enteado de desrespeitá-la e afirmar que irmãos do senador lançaram ataques “coordenados” contra ela nas redes sociais. Valdemar Costa Neto assumiu a mediação do conflito, que culminou na renúncia da ex-primeira-dama ao comando do PL Mulher.
O partido ainda não informou quem assumirá a direção do núcleo feminino.
Com informações de O Globo
