Brasília – Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) na sexta-feira, 26 de junho, concluiu que as capivaras monitoradas no Distrito Federal não carregam a bactéria que provoca a forma grave da febre maculosa brasileira. Nenhuma amostra de sangue coletada nos animais testou positivo para o agente infeccioso.
Monitoramento ampliado
O estudo integra o Projeto de Monitoramento e Manejo de Capivaras e Carrapatos no DF, conduzido em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB), as secretarias distritais de Meio Ambiente e de Saúde e o Ministério Público do DF e Territórios. A atual fase dá continuidade a pesquisas iniciadas em 2022 e expande o rastreamento para novas áreas da capital.
Segundo Rodrigo Santos, gerente de Fauna do Ibram, foram colhidas amostras de capivaras, cães e cavalos para verificar a circulação da bactéria. “Até o momento não há registro da doença em Brasília, mas os cuidados com carrapatos permanecem necessários”, afirmou.
População estável e variações sazonais
Os pesquisadores observaram que o número de capivaras vistas às margens do Lago Paranoá cresce na estação seca e diminui no período chuvoso, fenômeno atribuído à dinâmica social da espécie e não a um aumento real da população. Dados preliminares indicam inclusive redução de avistamentos em 2025 em comparação com 2022.
Santos destacou que os resultados afastam a ideia de remoção dos animais para prevenção da febre maculosa. “As populações parecem estáveis; retirar capivaras poderia abrir espaço para indivíduos de regiões onde a bactéria está presente”, disse.
Pesquisa vai até 2027
A coordenação do trabalho é da bióloga e professora da UCB Morgana Bruno. Três áreas contam com monitoramento contínuo — orla do Lago Paranoá, Parque Ecológico de Águas Claras e Jardim Zoológico de Brasília — e outras dez recebem análises genéticas e sorológicas.
Imagem: Internet
Os estudos, divididos em seis eixos, abrangem saúde pública, educação ambiental e prevenção de acidentes. Informações do Serviço de Limpeza Urbana sobre carcaças recolhidas ajudam a mapear pontos de risco de atropelamento.
O projeto está previsto para seguir até 2027, quando serão apresentados dados consolidados sobre a população de capivaras, circulação de carrapatos e possíveis zoonoses no Distrito Federal.
Com informações de Metrópoles
