Levantamento Genial/Quaest divulgado em 28 de junho mostra que 27% do eleitorado brasileiro não se declara nem antipetista nem antibolsonarista. Esse segmento, classificado como “não polarizado”, afirma estar disposto a avaliar todas as candidaturas ao Palácio do Planalto e tende a escolher seu voto a partir de resultados práticos, como geração de empregos, redução de impostos e controle do custo de vida.
Perfil do grupo
Segundo o instituto, os não polarizados concentram-se especialmente entre eleitores de renda mais baixa e entre os que se autodefinem ideologicamente independentes, isto é, “nem de direita, nem de esquerda”.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, explica que, por não responderem a apelos ideológicos, esses eleitores reagem principalmente à conjuntura econômica: “É um eleitor que responde a resultado de governo, não a narrativas”, afirma.
Aprovação volátil
No recorte da pesquisa, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é aprovado por 51% e desaprovado por 40% desse grupo. Nunes ressalta, porém, que o apoio é reversível: “Como não é um voto calcificado, pode mudar se a percepção econômica piorar”.
Importância estratégica
Além dos 27% que não rejeitam nem Lula nem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), outros 10% rejeitam simultaneamente os dois polos. Com isso, mais de um terço do eleitorado se mantém potencialmente disputável, tornando-se alvo prioritário das campanhas.
Evolução dos índices de rejeição
A série histórica da Genial/Quaest permanece estável dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em junho, o antipetismo atingiu a mínima de 29%, enquanto o antibolsonarismo ficou em 31%.
Imagem: Reprodução
Há diferenças de gênero: entre mulheres, 35% rejeitam o campo bolsonarista; entre homens, 32% rejeitam o PT. A fatia neutra é semelhante nos dois grupos, 28% para elas e 26% para eles.
Vozes dos eleitores
Exemplos coletados pela reportagem ilustram o comportamento volátil do segmento:
- Lucas Sarmento, 31 anos, analista de departamento pessoal, já votou em Jair Bolsonaro, mas avalia optar por Lula no segundo turno caso nenhuma alternativa “terceira via” se viabilize. A proposta petista de extinguir a escala 6×1 influencia sua decisão.
- Mateus Souza, 29 anos, contador, trocou Bolsonaro por Lula entre 2018 e 2022 e, embora hoje incline-se novamente pelo petista, mantém postura crítica a anúncios como a isenção de IR até R$ 5 mil.
- Fernanda Araújo, 29 anos, educadora social, beneficiada pelo Bolsa Família, prefere aguardar os debates para avaliar programas de segurança e saúde antes de definir voto.
- Vicente Almeida, 33 anos, jornalista, acompanhou conteúdos bolsonaristas no passado, mas hoje observa as propostas de ambos os lados com distanciamento e cobra planos econômicos objetivos.
A pesquisa reforça que, sem rejeições firmes e guiado por pautas concretas, o eleitor não polarizado deve permanecer no centro das estratégias de Lula, Flávio Bolsonaro e demais pré-candidatos nas próximas etapas da corrida presidencial.
Com informações de O Globo
