Encontro de oito horas entre EUA e China destrava diálogo sobre comércio e inteligência artificial

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    Com duração de cerca de oito horas na sede do JPMorgan Chase, em Nova York, o primeiro encontro de alto nível entre o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, foi saudado por Washington como “muito bem-sucedido”. A maratona de negociações, realizada no domingo (20), concentrou-se em comércio e inteligência artificial (IA) e abriu caminho para entendimentos que deverão ser apresentados na cúpula entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, marcada para quinta-feira em Washington.

    Bessent afirmou que as duas delegações concordaram em criar um mecanismo de notificação para incidentes ligados à segurança envolvendo IA, batizado provisoriamente de “Diálogo EUA-China sobre IA”. Além da nova estrutura, as partes sinalizaram disposição para avançar em temas como prorrogação da trégua tarifária, salvaguardas tecnológicas e garantia de fornecimento de minerais críticos aos fabricantes norte-americanos.

    Primeiro passo para um pacto mais amplo

    Na avaliação do Tesouro dos EUA, a reunião teve papel de “pavimentar a estrada” para compromissos formais que poderão ser anunciados pelos chefes de Estado ainda nesta semana. Participaram também o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o recém-promovido dirigente chinês Li Chenggang, encarregado da área de comércio internacional em Pequim.

    Segundo Bessent, a proposta do mecanismo de notificação pretende lidar rapidamente com ameaças ou falhas envolvendo sistemas de inteligência artificial que possam afetar a segurança de um dos países ou o equilíbrio comercial global. O secretário contou que essa futura instância de diálogo se reunirá novamente, mas não definiu data nem formato.

    Tecnologia no centro das pressões

    A criação de salvaguardas para o desenvolvimento de IA fez parte de uma pauta mais ampla de preocupações estratégicas discutidas em Nova York. De acordo com Greer, “é imperativo que sejamos capazes de trabalhar juntos” diante do ritmo acelerado de inovação tecnológica e da crescente interdependência das cadeias de suprimentos.

    Outro ponto sensível foi a continuidade do fluxo de ímãs de terras raras e outros minerais críticos essenciais para a indústria norte-americana. O tema ganhou destaque porque a China domina a produção e o refinamento desses insumos, considerados fundamentais para setores como eletrônicos, defesa e energia limpa.

    Tensões comerciais e trégua tarifária

    Desde que Washington e Pequim aceitaram uma trégua nas sobretaxas, as duas maiores economias do mundo buscam mecanismos para evitar nova escalada tarifária. A reunião deste domingo voltou a tratar da possível extensão desse armistício e de medidas que garantam previsibilidade às empresas dos dois países.

    Negociações anteriores obrigaram Pequim a ampliar compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos. O cumprimento dessas metas, segundo fontes próximas às conversas, deverá ser reexaminado nos encontros técnicos que podem permanecer em Nova York até segunda-feira.

    Reuniões técnicas mantêm ritmo

    A expectativa é que grupos de trabalho continuem refinando detalhes operacionais dos entendimentos sobre comércio, tecnologia e recursos minerais para que Trump e Xi disponham de um texto avançado antes do encontro presencial. Uma fonte familiarizada com as negociações disse que, se houver convergência, os presidentes poderão divulgar comunicados conjuntos ou até mesmo assinar protocolos de intenção.

    Ainda conforme os negociadores norte-americanos, a maratona de oito horas expôs “diferenças substanciais”, mas também revelou pontos de cooperação que podem servir de ancoragem para acordos de médio prazo. “Concordamos em nos reunir novamente”, resumiu Bessent, sem detalhar agendas.

    Retratos individuais e clima diplomático

    Além das conversas coletivas, Bessent e He Lifeng tiveram um encontro reservado durante a agenda em Manhattan. A aproximação pessoal entre os dois é vista por diplomatas como chave para contornar impasses que costumam emperrar tratativas bilaterais.

    Nos bastidores, a presença de Li Chenggang foi interpretada como sinal de que Pequim pretende reforçar a autoridade da sua equipe comercial. Promovido a um posto sênior às vésperas da viagem, o dirigente participou ativamente das discussões sobre o fluxo de minerais críticos e sobre as cláusulas de compras agrícolas.

    Perspectivas para a semana

    Com a contagem regressiva para o encontro Trump-Xi, analistas do governo norte-americano avaliam que o principal objetivo imediato é evitar surpresas que voltem a sacudir mercados financeiros e cadeias produtivas. O eventual anúncio de um “Diálogo EUA-China sobre IA”, por exemplo, seria apresentado como vitória simbólica de ambos os lados: Pequim demonstraria compromisso com transparência tecnológica, enquanto Washington reforçaria sua narrativa de segurança nacional.

    Até que os presidentes se encontrem, o cronograma prevê ainda ajustes redacionais nas minutas de acordo e a definição de pactos paralelos — como fóruns periódicos sobre regulação de IA e grupos de monitoramento de compromissos agrícolas. Qualquer avanço concreto, porém, dependerá da capacidade das equipes técnicas de traduzir os consensos políticos alcançados neste fim de semana.

    Olhos voltados para Washington

    A reunião desta quinta-feira na capital americana pode se tornar o maior teste para a atual fase de distensão, inaugurada com a trégua tarifária. Caso Trump e Xi proporcionem um anúncio conjunto, observadores esperam reação positiva imediata nos mercados e alívio temporário nas tensões geopolíticas.

    Mesmo considerados os progressos em Nova York, negociadores ressaltam que persistem divergências profundas sobre subsídios, transferência de tecnologia e padrões de cibersegurança. Assim, a continuidade do diálogo, principalmente na esfera da inteligência artificial, será decisiva para calibrar o relacionamento bilateral nos próximos meses.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.