Foi preciso esperar até os 42 minutos do segundo tempo para o Santos transformar um jogo sem graça em alívio para sua torcida. O gol de Gabigol, de oportunismo após escanteio, selou a vitória por 2 a 1 sobre o Remo neste sábado (19), no Mangueirão, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Antes, Rony havia aberto o placar e Marllon empatara, em lance marcado por falha do goleiro Diógenes.
Com o resultado, o time paulista chegou a 38 pontos, completou seis partidas sem derrota no Nacional e ganhou fôlego após a traumática eliminação nos pênaltis para o Atlético-MG na Copa Sul-Americana. O Remo, vice-lanterna com 23 pontos, permanece em situação crítica e vê a volta à Série B em 2027 se aproximar.
Panorama da tabela e calendário pós-Data Fifa
A pausa para as seleções chega em momento oposto para as duas equipes. O Santos volta a campo apenas em 2 de outubro, quando enfrentará o São Paulo, no Morumbis, em clássico adiado da 21ª rodada. Já o Remo terá mais alguns dias para tentar reorganizar a casa: encara o Grêmio no Mangueirão em 7 de outubro.
Série invicta reduz pressão na Vila
Desde que caiu na Sul-Americana, o elenco santista ouve questionamentos sobre rendimento e ambiente interno. A sequência de quatro vitórias e dois empates no Brasileiro, porém, recoloca o time na briga pela parte de cima da tabela e alivia o técnico Cuca, que voltou a ter seu trabalho discutido após a eliminação continental.
Primeiro tempo: marcação forte, pouca inspiração
O encontro de um Santos remendado por lesões e de um Remo em estreia de técnico –Thiago Carpini assumiu na vaga de Adilson Batista– não resultou em espetáculo. Cuca precisou lançar mão do goleiro Diógenes e do zagueiro Lucas Veríssimo nos lugares dos contundidos Gabriel Brazão e Willian Arão. No meio, Arthur ficou encarregado de conectar defesa e ataque, mas teve participação limitada.
O equilíbrio travado dominou os 45 minutos iniciais. Os goleiros fizeram apenas uma defesa relevante cada um, ambas em chutes de média distância: Vitor Bueno, pelo lado remista, aos 27, e Oliva, para o Santos, aos 34. A produção ofensiva se resumia a bolas paradas ou tentativas de longa distância, e as arquibancadas, cheias, viram mais disputa física que chances claras.
Função tática de Rony e isolamento de Gabigol
Sem que Arthur conseguisse acelerar as transições, Gabigol passou a recuar até a lateral para receber a bola, enquanto Rony descia constantemente para o campo de defesa, ajudando na recomposição. O desenho mostrava um Santos preocupado em não se expor, mas que também carecia de aproximação no terço final.
Segundo tempo: alterações tardias e emoção condensada nos minutos finais
Cuca e Carpini voltaram do intervalo sem mudanças, e o roteiro de escassez ofensiva persistiu. O Santos só mexeu aos 26 minutos, quando Lima substituiu Gustavo Henrique. A troca não mudou de imediato o cenário; a emoção ficaria reservada para o terço derradeiro do confronto.
Rony abre a conta após saída de volante adversário
Carpini tentou ser ousado aos 34 e retirou um dos três volantes do Remo. O vazio deixado no meio-campo foi rapidamente explorado: Rony tabelou com Gabigol, entrou na área e finalizou no canto esquerdo de Marcelo Rangel. Era o 1 a 0 que parecia encaminhar o triunfo santista.

Imagem: Internet
Entrega remista e erro decisivo de Diógenes
O Remo reagiu quatro minutos depois. Diógenes saiu mal em cruzamento e facilitou o cabeceio de Marllon para empatar. O Mangueirão voltou a pulsar, e os paraenses se lançaram em busca da virada que poderia alterar o roteiro dramático na tabela.
Gabigol decide no oportunismo
Quando o jogo caminhava para um empate frustrante, o artilheiro apareceu. Aos 42, escanteio cobrado da direita atravessou a pequena área e encontrou Gabigol na segunda trave. O atacante, livre, empurrou para as redes e correu para os braços da torcida visitante, assegurando os três pontos.
O que a vitória representa para cada lado
- Para o Santos: consolida a reação no Brasileiro, mantém o time em zona de classificação para a Sul-Americana de 2027 e reduz a pressão sobre Cuca após a queda continental.
- Para o Remo: aumenta a sequência negativa, estaciona nos 23 pontos e sustenta o alerta de rebaixamento. A aposta em Thiago Carpini ganha semanas de trabalho, mas a margem de erro diminui.
Retrospecto recente aponta evolução paulista
Desde que acumulou três derrotas seguidas em julho, o Santos reorganizou seu sistema defensivo: são apenas quatro gols sofridos nos últimos seis jogos. O tropeço remista, por outro lado, amplia para cinco partidas a seca de vitórias da equipe de Belém, que não consegue sair do bloco de baixo.
Próximos passos e cenário de cada elenco
Santos mira o clássico
O duelo com o São Paulo, adiado pela 21ª rodada, ganha caráter de teste para o elenco. Cuca espera ter à disposição o goleiro Gabriel Brazão e o zagueiro Willian Arão, ainda em tratamento médico, mas comemora a fase artilheira de Gabigol, que chegou a 12 gols no torneio.
Remo busca reforços internos
Thiago Carpini terá de encontrar soluções dentro do próprio grupo. A diretoria, pressionada, admite dificuldades para contratar. O treinador, conhecido pela organização defensiva, já mostrou no fim do segundo tempo deste sábado que deseja um time mais ousado, embora tenha pagado o preço no contra-ataque de Rony.
Como foi o jogo, minuto a minuto
- 27’ do 1ºT – Vitor Bueno cobra falta, Diógenes espalma.
- 34’ do 1ºT – Oliva arrisca de fora; Marcelo Rangel manda a escanteio.
- 26’ do 2ºT – Cuca tira Gustavo Henrique, põe Lima.
- 34’ do 2ºT – Rony recebe de Gabigol e faz 1 a 0.
- 38’ do 2ºT – Marllon aproveita falha de Diógenes, 1 a 1.
- 42’ do 2ºT – Escanteio, bola sobra para Gabigol: 2 a 1.
- 50’ do 2ºT – Fim de jogo, festa santista no Mangueirão.
Números do confronto
A distribuição estatística reforça a impressão de partida equilibrada: cada equipe finalizou nove vezes, com leve vantagem santista em chutes no alvo (4 a 3). A posse de bola ficou na casa de 52% para o Santos. Foram 24 faltas no total, marca que ilustra o grau de disputa.
Voz das arquibancadas
Se os 28.000 presentes saíram frustrados pelo revés, o apoio ao Remo foi irrepreensível até o apito final. Do lado visitante, cerca de 600 santistas celebraram o gol derradeiro como alento em meio a um momento de desconfiança que parece, ao menos por enquanto, controlado.
