Operário morre atingido por retroescavadeira em obra terceirizada da Sabesp na Grande SP

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    Um serviço de manutenção de rede de água terminou em tragédia na manhã deste sábado (29) em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. O encanador Carlos Henrique Rocha de Oliveira, 33 anos, foi prensado pela pá de uma retroescavadeira enquanto trabalhava em uma vala aberta para conter um vazamento. O impacto foi fatal e o óbito foi constatado ainda no canteiro de obras.

    O trabalho era executado por empresas terceirizadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Testemunhas relataram que o operador da máquina continuou manobrando por alguns segundos após ter sido alertado sobre a proximidade de colegas dentro da vala. O caso foi registrado na Polícia Civil como homicídio culposo, sem intenção de matar, e as circunstâncias do acidente estão sob investigação.

    Como o acidente aconteceu

    Segundo o boletim de ocorrência, o grupo iniciou a intervenção por volta das 9h30 na Rua Águas da Prata. Oliveira trabalhava dentro da vala, realizando o escoramento do terreno para interromper um vazamento, quando o operador Amauri Ribeiro de Deus movimentou a retroescavadeira para abrir uma segunda frente de serviço. Nesse instante, a pá atingiu o encanador e o pressionou contra a parede de terra.

    Informações colhidas pela polícia indicam que Oliveira estava em um ponto cego do equipamento. A equipe teria pedido a Amauri que parasse a operação, mas a resposta veio tarde demais. Quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou, a vítima já não apresentava sinais vitais.

    Versão do operador da retroescavadeira

    Em depoimento, Amauri afirmou que cumpre o protocolo de segurança da empresa AMZS, prestadora de serviços para a Enotec, responsável direta pela obra. A norma determina distância mínima de quatro metros entre trabalhadores e máquinas. O operador alega ter aberto uma primeira vala sem incidentes e iniciado a segunda, quando rompeu acidentalmente uma mangueira de água. Para facilitar o reparo, passou a retirar mais terra. Nesse momento, Oliveira teria descido à área de risco antes que o escoramento fosse concluído.

    O operador disse ainda que entrou em choque ao perceber o acidente. Após auxiliar colegas na tentativa de socorro, deixou o canteiro alegando abalo emocional. A polícia investiga por que ele se ausentou antes da chegada dos peritos.

    Trabalhador era amigo da vítima

    Amauri e Oliveira mantinham relação de amizade, segundo depoimentos. Colegas afirmaram que não havia conflitos entre eles. O encarregado-geral da obra, ouvido pelos investigadores, confirmou não existir registro de desentendimentos prévios. A ausência de motivação deliberada é um dos fatores que levou à tipificação inicial como homicídio culposo.

    Falta de escoramento é ponto crítico

    Especialistas consultados pela reportagem destacam que atividades em valas exigem escoramento imediato para evitar desmoronamentos e garantir área livre para circulação. A entrada de pessoal antes da conclusão desse reforço contraria normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho. O inquérito deverá avaliar se houve falha no cronograma de segurança ou descumprimento de procedimentos operacionais.

    Posicionamento das empresas envolvidas

    Em nota, a Sabesp lamentou “profundamente” a morte do funcionário da Enotec e informou prestar apoio à família. A companhia estadual afirmou colaborar com as autoridades na apuração dos fatos. Até o fechamento desta edição, AMZS e Enotec não haviam se manifestado.

    Próximos passos da investigação

    O 1º Distrito Policial de Itaquaquecetuba requisitou perícia técnica no maquinário, análise das normas internas de segurança e depoimentos de todos os trabalhadores presentes. A polícia também vai verificar documentos de treinamento, exames de saúde ocupacional e eventuais registros fotográficos ou de vídeo do canteiro.

    Se confirmado o descumprimento de medidas de proteção, o operador, responsáveis pelo serviço e representantes das empresas podem responder não apenas por homicídio culposo, mas também por infrações trabalhistas. A Sabesp, enquanto contratante, poderá ser incluída na investigação para averiguar fiscalização sobre terceirizadas.

    Operário morre atingido por retroescavadeira em obra terceirizada da Sabesp na Grande SP - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Risco constante em obras de saneamento

    Intervenções em redes subterrâneas figuram entre as atividades de maior grau de periculosidade no setor da construção civil. Movimentação de solo, presença de tubulações pressurizadas e uso de máquinas pesadas ampliam o potencial de acidentes graves. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho indicam que, somente em 2022, mais de 6 mil ocorrências envolvendo escavações foram notificadas no país.

    Entre as principais causas estão falhas no planejamento operacional, comunicação deficiente entre equipes e relaxamento de protocolos quando prazos apertam. O caso de Itaquaquecetuba reacende o debate sobre fiscalização de contratos públicos e condições impostas a trabalhadores terceirizados.

    Impacto social e jurídico

    Familiares de Carlos Henrique Rocha de Oliveira podem ingressar com ação indenizatória por danos morais e materiais. O Ministério Público do Trabalho acompanha ocorrências com morte em canteiros e, habitualmente, propõe termos de ajuste ou processos civis contra as empresas envolvidas quando identifica negligência.

    Entidades sindicais prometem pressionar a Sabesp para reforçar auditorias em obras executadas por parceiros privados. “Não é apenas uma fatalidade; é reflexo de lacunas na gestão de segurança”, avalia um dirigente ouvido sob condição de anonimato.

    Funeral deverá ocorrer neste domingo

    O corpo de Oliveira foi liberado pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Mogi das Cruzes e o velório está marcado para este domingo (30), no cemitério municipal de Itaquaquecetuba. Amigos organizam uma homenagem silenciosa no local da obra, onde cruzes improvisadas já foram fincadas.

    Memória dos colegas

    Conhecido pela dedicação, Carlos Henrique trabalhava no setor de saneamento havia oito anos e sonhava em abrir um pequeno comércio com a esposa. Deixa dois filhos, de 5 e 8 anos. “Era o primeiro a chegar e o último a sair”, recorda um companheiro de equipe.

    Reforço de segurança em pauta

    Após a tragédia, a Sabesp informou que fará reunião emergencial com todas as contratadas para revisar protocolos. A expectativa é que novas diretrizes de distanciamento entre operadores de máquinas e equipes de solo sejam apresentadas ainda nesta semana, além de treinamentos adicionais focados em comunicação visual e sonora nos canteiros.

    Enquanto a investigação avança, o acidente em Itaquaquecetuba expõe a urgência de fortalecer práticas de prevenção para que valas de manutenção não voltem a se tornar armadilhas fatais.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.