O Ministério das Relações Exteriores ativou, nesta quarta-feira (26), um esquema especial de atendimento consular para brasileiros que se encontrem no Nepal ou na Região Autônoma do Tibete, na China, depois das enchentes e deslizamentos provocados por um terremoto na véspera. Até o momento, não há registros de cidadãos do Brasil entre as vítimas, mas o Itamaraty afirma acompanhar a situação “com consternação” por meio de suas embaixadas em Katmandu e Pequim.
Além de manifestar pesar pelas mortes e centenas de desaparecidos, o governo brasileiro liberou três números de telefone para suporte 24 horas. A medida busca agilizar eventuais pedidos de socorro, localização de compatriotas e emissão de documentos de viagem, caso deslocamentos de emergência sejam necessários.
Telefones de plantão
Os contatos de emergência podem ser acionados de dentro ou fora dos dois países afetados. O Itamaraty solicita que as ligações sejam objetivas e restritas a situações de risco imediato, para evitar sobrecarga nas linhas.
Nepal
- Plantão da Embaixada do Brasil em Katmandu: +977 98010-32381
Tibete (atendido pela Embaixada em Pequim)
- Plantão da Embaixada do Brasil em Pequim: +86 138 0121-0722
Central consular em Brasília
- Plantão geral do Itamaraty: +55 (61) 9 8260-0610
Segundo o Itamaraty, esses ramais funcionam todos os dias, 24 horas por dia, e podem receber tanto chamadas de voz quanto mensagens por aplicativo. O Ministério lembra que a representação em Katmandu tem jurisdição sobre todo o território nepalês, ao passo que a embaixada em Pequim cobre o Tibete e responde a solicitações advindas de outras províncias chinesas, se necessário.
Tragédia após tremor na fronteira
O desastre teve início na terça-feira (25) quando um terremoto sacudiu a região montanhosa entre o Nepal e a China. A combinação de solo encharcado e estrutura geológica frágil provocou deslizamentos de terra e inundações em vales próximos à fronteira. Imagens de câmeras de segurança mostram moradores correndo enquanto uma avalanche de lama e água avança, arrastando construções inteiras no distrito de Gyirong, já em território tibetano.
Relatos preliminares das autoridades locais apontam para mortes confirmadas e “centenas” de desaparecidos. Equipes de resgate trabalham em condições adversas — estradas bloqueadas, pontes danificadas e comunicação intermitente — o que dificulta o levantamento exato de vítimas. A meteorologia regional mantém previsão de chuva para os próximos dias, aumentando o risco de novos escorregamentos de encostas e enchentes súbitas.
Os governos de Nepal e China mobilizaram militares, bombeiros e voluntários em operações de busca, abrindo abrigos temporários para quem perdeu a casa ou precisa deixar zonas de risco. Helicópteros fazem transporte de suprimentos a vilarejos isolados, enquanto retroescavadeiras tentam liberar os corredores rodoviários que ligam Katmandu à fronteira. O fluxo de turistas rumo ao Himalaia foi interrompido pelas autoridades nepalês, que aconselham visitantes a adiar viagens não essenciais.
Nota de pesar e monitoramento diplomático
Em comunicado oficial, o Itamaraty expressou “profundo pesar e solidariedade às famílias das vítimas, ao povo e aos governos do Nepal e da China”. A pasta reforçou que segue em “contato permanente” com representantes locais para obter informações sobre a tragédia e para garantir auxílio imediato a qualquer brasileiro que se encontre na área atingida.
O Itamaraty explicou que, em ocorrências dessa magnitude, a prioridade é confirmar a segurança de cidadãos registrados na embaixada e responder a consultas de familiares no Brasil. Caso algum brasileiro precise de evacuação, o órgão pode intermediar a emissão de laissez-passer, providenciar transporte até a capital ou articular a inclusão em voos de resgate oferecidos pelas autoridades do país anfitrião — medidas que serão avaliadas conforme a evolução do cenário.

Imagem: Internet
Pronunciamento de Lula
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou as redes sociais para lamentar a tragédia. “Recebi com muita tristeza as notícias sobre as enchentes”, escreveu o mandatário. “As imagens causam espanto e nos comovem a todos. Em nome dos brasileiros, expresso minha solidariedade aos governos dos dois países e a todos os afetados por esse desastre, especialmente às famílias das vítimas.”
O Palácio do Planalto informou que o presidente mantém contato com o Itamaraty para acompanhar os desdobramentos e que o governo brasileiro se coloca à disposição para colaborar com ações humanitárias, se houver pedido oficial das nações atingidas.
Procedimentos para quem precisa de ajuda
Embora não haja brasileiros entre os mortos ou desaparecidos, o Ministério das Relações Exteriores recomenda:
- Comunicar imediatamente o plantão consular respectivo caso se encontre em área afetada ou precise de orientação para deixar a região.
- Manter celular ligado e carregar baterias portáteis, pois a eletricidade oscila em diversos pontos nas montanhas.
- Seguir instruções das autoridades locais, inclusive ordens de evacuação ou restrição de deslocamento.
- Evitar áreas próximas a encostas instáveis ou cursos d’água com risco de transbordamento.
Caso familiares no Brasil não consigam contato direto, a recomendação é buscar o plantão geral em Brasília, fornecendo nome completo, número de passaporte, último paradeiro conhecido e qualquer informação que possa facilitar a localização do viajante. O Itamaraty esclarece que dados recebidos nessas circunstâncias são protegidos por sigilo e usados unicamente para assistência consular.
Solidariedade internacional
Países vizinhos e organizações humanitárias acompanham a escalada dos danos na cordilheira do Himalaia. Agências das Nações Unidas já enviaram equipes de avaliação rápida a ambos os lados da fronteira. Até agora, porém, não foi solicitada ajuda específica ao governo brasileiro além da tradicional oferta diplomática de cooperação em emergências de grande porte.
Enquanto aguardam o balanço definitivo de vítimas, autoridades de Katmandu e Pequim pedem reforço de doações de alimentos não perecíveis, água potável, tendas e cobertores. A imprensa nepalês transmite apelos por máquinas de grande porte para remoção de escombros, item escasso em vilarejos de altitude elevada.
O Itamaraty informou que continuará atualizando suas redes sociais e a página oficial de serviços consulares tão logo haja novos dados sobre a tragédia ou sobre brasileiros possivelmente afetados. Para quem planeja viajar às regiões montanhosas do Nepal ou do Tibete nas próximas semanas, a recomendação é monitorar comunicados oficiais e avaliar o adiamento do itinerário.
{internal_links}
