O desenho minucioso de uma artista de 27 anos virou sensação nas redes sociais depois que ela recobriu a lataria de uma Suzuki GSX-R 750 usando somente canetinhas hidrográficas. Os vídeos do trabalho, feitos no quintal de casa em Pacaembu, ultrapassaram 220 mil visualizações e colocaram o Oeste Paulista no radar da cena de customização artesanal sobre duas rodas.
A ideia partiu da bancária e motociclista Mariana Carvalho, 29, moradora de Junqueirópolis, que queria rodar com uma motocicleta exclusiva. Amigas há uma década, ela convidou a artista visual Laena Passos Martins para assumir o desafio: transformar a carenagem branca da superesportiva em um painel ilustrado, totalmente à mão, sem aerógrafo ou adesivo.
Desenho que ganhou as ruas
Desde que a moto estilizada começou a circular por eventos motociclísticos da região, o veículo atrai olhares curiosos, pedidos de foto e espanto diante da técnica usada. Crianças tentam subir no banco para posar ao lado do desenho, enquanto adultos questionam se se trata de um envelopamento. “Quando conto que é canetinha, muita gente não acredita”, relata Mariana, orgulhosa do resultado.
A repercussão, no entanto, não se limitou ao asfalto. Postagens nas redes sociais mostrando o passo a passo conquistaram milhares de usuários em poucos dias. Os comentários variam de elogios ao traço de Laena a perguntas sobre a resistência da pintura durante chuvas e lavagens.
Das telas para a carenagem
Acostumada a trabalhar com papel e tela, Laena sempre manteve os marcadores como principal ferramenta de criação. “Já tinha experimentado murais e objetos pequenos, mas nunca imaginei desenhar em um veículo”, conta. O convite da amiga funcionou como carta branca para migrar sua arte para uma superfície inédita. “Foi a peça mais inusitada que já pintei”, resume.
A Suzuki GSX-R escolhida por Mariana possui 750 cilindradas e carenagem de plástico rígido, o que exigiu planejamento para evitar borrões. Laena começou testando a aderência da tinta em pequenas áreas internas da peça. Como se tratava de marcador à base de água, qualquer erro poderia ser apagado rapidamente, mas a mesma característica colocava em dúvida a durabilidade do trabalho.
Primeiro lado no improviso
Confiante após os testes, a artista dedicou oito horas ininterruptas ao primeiro lado da carenagem, desenhando direto sobre o plástico sem rascunho prévio. Entre linhas orgânicas, formas geométricas e personagens abstratos, o resultado lembra ilustrações que misturam arte urbana e quadrinhos.
Segundo lado com esboço
No lado oposto, o tempo de execução subiu para dez horas. A decisão de preparar um esboço em papel garantiu simetria visual e permitiu a inserção de elementos que dialogassem com o desenho inicial. Depois de transferir o traço para a carenagem, Laena reforçou contornos e ajustou cores para evitar diferenças de saturação.

Imagem: Internet
O processo criativo
- Ferramentas: marcadores de tinta à base de água em tons vibrantes e caneta permanente para contornos.
- Preparação: limpeza da superfície com desengraxante automotivo antes do início dos desenhos.
- Fixação: após finalizar ambos os lados, a carenagem recebeu verniz automotivo transparente para selar a tinta.
- Duração total: 18 horas de trabalho distribuídas em dois dias.
Segundo Laena, o verniz formou uma película que protege os pigmentos de sol, chuva e lavagens. Apesar disso, ela admite que a resistência real só poderá ser medida com o uso diário da moto: “É um experimento, porque nunca apliquei esse tipo de caneta em automóvel. Se durar, abre caminho para novos projetos”.
Repercussão sobre duas rodas
Em encontros de motociclistas no interior de São Paulo, a GSX-R virou ponto de parada obrigatória. Além dos curiosos, outros proprietários começaram a sondar a possibilidade de personalizar seus veículos com a mesma técnica. Laena já recebeu consultas para pintar capacetes e partes menores de motocicletas, mas prefere avançar com cautela: “Quero testar mais superfícies, entender limites e garantir qualidade antes de aceitar grandes volumes”.
Para Mariana, ver a própria moto como vitrine ambulante da arte da amiga reforça a ideia de exclusividade que buscava. “Hoje tenho um veículo que carrega nossa história e o talento dela, algo que não se encontra à venda em loja nenhuma”, afirma.
Próximos passos da artista
Empolgada com a repercussão, Laena planeja investir em cursos de pintura automotiva e aprimorar a aplicação de vernizes profissionais. A meta é oferecer serviço de customização completa, que vá de scooters a carros antigos, sempre mantendo o traço autoral. “A oportunidade apareceu de forma espontânea, graças à amizade, mas pode se tornar um novo ramo da minha carreira”, projeta.
Enquanto estuda técnicas e materiais, ela segue atendendo encomendas em papel e tela, agora acompanhadas de perguntas frequentes sobre motos. “Percebi que o público do motociclismo valoriza peças únicas. Se eu conseguir aliar segurança e estética, existe um mercado enorme esperando”, conclui.
