Brandão reage a investigação da PF e diz ser alvo de “factoide eleitoral” no Maranhão

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    O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), afirmou neste sábado (15) que não tem “qualquer envolvimento” com a organização criminosa investigada pela Polícia Federal por desvio de recursos públicos, fraudes em contratos, obstrução de Justiça e um homicídio cometido em 2022. Brandão classificou as suspeitas como “factoides de época de eleição” e alegou que sua trajetória no serviço público já foi submetida a todos os órgãos de controle.

    O pronunciamento foi motivado pela divulgação, na véspera, de três decisões do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que tornam públicos trechos da apuração. As decisões mantêm sob análise da Corte fatos que citam o governador, seu sobrinho Daniel Brandão — presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) — e o senador Weverton Rocha (PDT-MA).

    Como o caso chegou ao Supremo

    As investigações começaram no Superior Tribunal de Justiça (STJ) após o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, ocorrido em agosto de 2022 e que ficou conhecido como “caso Tech Office”. O executor, Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior, foi condenado a 13 anos de prisão pela Justiça maranhense, mas a PF suspeita que o crime esteja ligado a um esquema de cobrança de propina em contratos públicos.

    Em novembro de 2025, o inquérito subiu do STJ para o STF quando surgiram indícios de que o senador Weverton Rocha teria tentado interferir nas investigações — o parlamentar tem foro privilegiado na Corte. A perícia em um celular apreendido em outro processo revelou trocas de mensagens e ligações entre Weverton e o então presidente do STJ, ministro Humberto Martins. Para a PF, esses contatos podem ter influenciado uma decisão de 2 de junho de 2025, quando Martins determinou a transferência de Gilbson do Complexo Penitenciário de Pedrinhas (MA) para Brasília. O senador nega qualquer irregularidade.

    Decisões de Flávio Dino

    • Tornou públicos trechos do inquérito que tramitavam sob sigilo.
    • Manteve a investigação no STF por envolver autoridades com prerrogativa de foro, entre elas o senador Weverton Rocha.
    • Autorizou diligências pedidas pela PF, como quebras de sigilo e oitivas de testemunhas.

    A defesa de Brandão contesta a competência do Supremo e sustenta que, por se tratar de governador, o foro adequado seria o STJ. Já a assessoria de Flávio Dino afirma que o ministro não participa de debates políticos desde que assumiu a cadeira no STF, em fevereiro de 2024, e apenas conduz processos que lhe são distribuídos.

    Ponto a ponto das suspeitas

    1. Desvio de recursos públicos: contratos de prestação de serviços a órgãos estaduais estariam superfaturados, segundo a PF.
    2. Irregularidades em licitações: empresas ligadas a aliados políticos teriam acesso privilegiado a editais.
    3. Obstrução de Justiça: autoridades teriam atuado para alterar depoimentos e atrasar perícias.
    4. Homicídio de 2022: morte do empresário João Bosco teria ligação com cobrança de propina.

    Entre os nomes citados está Daniel Brandão, presidente do TCE-MA e sobrinho do governador, apontado pela PF como uma das pontes do suposto esquema dentro do tribunal de contas. Daniel nega as acusações e se colocou “inteiramente à disposição” das autoridades.

    Prisão domiciliar de ex-secretário

    Outra frente da investigação resultou na prisão domiciliar do ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim. A PF sustenta que ele tentou coagir familiares do executor confesso do homicídio a mudarem depoimentos. Cutrim usa tornozeleira eletrônica e, por meio da defesa, afirma não ter tido acesso integral aos autos.

    O que diz o governador

    Na breve entrevista concedida em Imperatriz, Carlos Brandão lembrou ter sido deputado federal, secretário de Estado e vice-governador antes de assumir o Palácio dos Leões. “Minhas contas foram julgadas por todos os órgãos competentes e jamais houve qualquer apontamento de corrupção”, declarou. Ele disse que a ligação de seu sobrenome ao caso, sobretudo às vésperas das eleições municipais, “não tem fundamento jurídico” e serve apenas para atacá-lo politicamente.

    Brandão também considerou “estranho” que, mesmo após a condenação do autor confesso do assassinato, o episódio volte a implicar pessoas de sua família. “Para mim, o caso estava encerrado. O réu confessou, foi julgado e condenado. Não há motivo para envolver minha família outra vez”, concluiu.

    Desdobramentos esperados

    Com a quebra do sigilo sobre parte dos autos, a Polícia Federal poderá avançar em diligências que estavam pendentes, como a análise de fluxos financeiros de empresas que firmaram contratos suspeitos com o governo estadual e a oitiva de servidores que acompanharam esses processos licitatórios. A expectativa é de que novos depoimentos ocorram ainda neste semestre.

    No STF, Flávio Dino deverá decidir se fatos não relacionados a autoridades com foro especial podem ser remetidos à Justiça Federal no Maranhão ou se permanecerão na Corte. A defesa de Brandão pretende insistir no envio integral do inquérito ao STJ, inclusive com pedido de reconsideração ou eventual recurso ao plenário.

    Impacto político

    O episódio atinge o MDB maranhense em pleno calendário eleitoral. Embora Brandão não esteja na disputa municipal, seus aliados concorrem nas principais cidades do estado. A oposição já usa o inquérito em discursos, enquanto o Palácio dos Leões tenta enquadrar o caso como perseguição. As próximas semanas indicarão se a investigação ganhará novos elementos ou se ficará limitada a diligências técnicas da PF.

    Por ora, Brandão reforça a estratégia de atribuir a crise a interesses eleitorais. “Não temo investigação, mas sim falsidades disseminadas para confundir o eleitor”, disse o governador ao encerrar a entrevista, prometendo colaborar “na forma da lei” com qualquer órgão de controle que o convoque.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.