Marceneiro é preso em Itabuna acusado de drogar vítimas e desviar mais de R$ 40 mil

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    Um marceneiro de 23 anos foi preso preventivamente em Itabuna, sul da Bahia, após ser apontado pela Polícia Civil como responsável por dopar ao menos três pessoas e, na sequência, desviar dinheiro das contas delas. Uma das vítimas, internada em estado grave, teve mais de R$ 40 mil movimentados sem autorização enquanto permanecia inconsciente.

    A captura ocorreu na manhã de sábado (15), no bairro Califórnia, durante operação que também cumpriu mandados de busca e apreensão. Com o investigado, os agentes recolheram um carro e dois aparelhos celulares que teriam sido usados para executar as fraudes bancárias.

    Como funcionava o golpe, segundo a investigação

    De acordo com a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) de Itabuna, Carlos Henrique Rosa dos Santos se aproximava das futuras vítimas em contextos sociais banais — como conversas em bares ou em redes de vizinhança — até ganhar a confiança delas. O passo seguinte, segundo o inquérito, era oferecer bebidas, alimentos ou até mesmo medicamentos “inofensivos” que, na prática, continham sedativos ou compostos tóxicos em doses suficientes para provocar desorientação.

    Com a pessoa sob efeito das substâncias, o suspeito teria se apoderado de celulares, cartões e senhas. A partir daí, realizava transferências, pix e saques em caixas eletrônicos. Em um dos casos, houve ao menos quatro tentativas de transação além dos valores efetivamente retirados.

    Último caso levou vítima à UTI

    A ocorrência que desencadeou a prisão preventiva aconteceu na terça-feira (11). Uma mulher, encontrada desacordada em casa por familiares, foi levada às pressas para um hospital da cidade e permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Durante o período em que ela esteve sem condições de responder, foram registrados débitos que somam mais de R$ 40 mil em sua conta corrente.

    Para a polícia, a dinâmica do crime replicou a forma de agir observada em dois episódios anteriores — todos vinculados ao mesmo suspeito. Exames toxicológicos requisitados pelo hospital devem comprovar a substância utilizada, mas investigadores já trabalham com a hipótese de mistura de ansiolíticos de venda controlada e produtos de uso agrícola.

    Rastro de denúncias anteriores

    O histórico de Carlos Henrique inclui, segundo a polícia, uma tentativa de golpe dentro da própria família. Anos atrás, um parente relatou ter passado mal após ingerir bebida oferecida pelo marceneiro. Na ocasião, o cartão bancário do familiar chegou a ser utilizado para compras online, mas a vítima decidiu não representar criminalmente.

    As denúncias mais recentes mudaram o rumo do caso. Familiares da mulher internada apresentaram extratos, recibos de pix e mensagens de celular que, na avaliação dos peritos, vinculam o investigado às operações financeiras. Além disso, imagens de câmeras próximas à residência da vítima mostram o carro apreendido estacionado no local horas antes do desmaio.

    Possíveis novos depoimentos

    Desde a divulgação da prisão, outras pessoas procuraram a delegacia relatando situações semelhantes. A polícia trabalha agora para identificar se havia padrão na escolha das vítimas ou se o acusado agia de forma oportunista. Documentos bancários, prontuários médicos e laudos químicos serão confrontados para robustecer as provas.

    Desdobramentos judiciais

    Depois de prestar depoimento, Carlos Henrique passou por exame de corpo de delito e foi encaminhado ao Conjunto Penal de Itabuna, onde aguarda audiência de custódia. A defesa do jovem ainda não foi localizada pela reportagem, mas terá a oportunidade de se manifestar durante o procedimento judicial.

    Ele pode responder por roubo qualificado, furto mediante fraude e lesão corporal grave, delitos cujas penas somadas podem ultrapassar 15 anos de prisão. Caso seja comprovado o uso de substâncias capazes de causar risco à vida, o enquadramento pode incluir tentativa de homicídio.

    Impacto e alerta à população

    A gravidade do caso mobilizou entidades de segurança pública e de saúde em Itabuna. A Secretaria Municipal de Saúde emitiu nota reforçando a importância de buscar atendimento médico imediato em caso de suspeita de envenenamento ou reação adversa após contato com desconhecidos. Já a Polícia Civil orienta que qualquer movimentação bancária atípica seja comunicada sem demora às instituições financeiras e às autoridades.

    Especialistas também recomendam redobrar cuidados com cartões, senhas e celulares, sobretudo em ambientes onde se consome bebidas alcoólicas ou medicações oferecidas por terceiros. Embora o inquérito gire em torno de um único suspeito, a prática de dopar vítimas para subtrair valores cresce em grandes e médias cidades, exigindo vigilância constante.

    Investigação continua

    Com as provas coletadas no sábado, a DRFR espera concluir a primeira fase das apurações ainda neste mês. Novas perícias em equipamentos eletrônicos deverão revelar a identidade de possíveis cúmplices ou receptadores. Caso outras vítimas sejam confirmadas, a polícia deve solicitar extensão da preventiva ou decretação de nova prisão, a depender da complexidade dos fatos.

    Enquanto isso, a mulher hospitalizada segue sem previsão de alta, e parentes acompanham de perto cada boletim médico. O caso levanta discussão sobre a facilidade de acesso a fármacos controlados e a necessidade de fiscalização mais rigorosa na venda de produtos tóxicos que podem ser usados para fins criminosos.

    No âmbito financeiro, o banco da vítima analisa a possibilidade de ressarcimento parcial dos valores desviados, após cruzamento de logs de acesso e reconhecimento de fraude. A instituição informou colaborar com as investigações e adotar protocolos extras de segurança em contas que apresentem movimentações suspeitas.

    Próximos passos

    O Ministério Público deve receber o inquérito concluído nas próximas semanas e decidirá se oferece denúncia formal. Paralelamente, a defesa do marceneiro pode entrar com pedido de habeas corpus, alegando ausência de flagrante ou contestando a materialidade das provas. A decisão sobre eventual soltura caberá ao Judiciário, que considerará o risco de reiteração criminosa apontado pela polícia.

    Para a delegada responsável, o caso é emblemático por expor a vulnerabilidade de pessoas que, em situações comuns de convivência social, tornam-se alvos de criminosos que apostam na confiança como arma inicial. “Não se trata apenas de golpe financeiro; estamos diante de ações que colocam vidas em perigo”, resumiu em coletiva.

    Quem tiver informações adicionais pode procurar a DRFR de Itabuna ou contatar o Disque-Denúncia 181. O sigilo é garantido por lei.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.