Ideb 2025: avanço no fundamental contrasta com estagnação do ensino médio em Piracicaba

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    Piracicaba (SP) registrou crescimento no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, mas não conseguiu romper a barreira dos 5 pontos no ensino médio. A nota da etapa, 4,8, manteve o município abaixo da meta nacional de 5,2 e evidenciou um desequilíbrio que se repete em boa parte do país: crianças e pré-adolescentes avançam, enquanto os jovens encontram mais obstáculos para aprender e permanecer na escola.

    Nas séries iniciais, a cidade saltou de 6,5 para 7 em dois anos, e nos anos finais o indicador subiu de 5,4 para 5,6. O desempenho foi suficiente para colocar Piracicaba entre os melhores resultados do interior paulista nessa faixa etária. Entretanto, o gargalo do ensino médio volta a aparecer, mesmo depois da divulgação de ações municipais voltadas a reforço pedagógico, leitura e uso de tecnologia.

    Resultados detalhados em Piracicaba

    O Ideb combina as médias do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em língua portuguesa e matemática com as taxas de aprovação. Assim, a nota 4,8 obtida pelos estudantes do 3º ano do ensino médio em 2025 revela duplo problema: rendimento abaixo do desejado nas provas e fluxo escolar comprometido por reprovações ou evasão.

    Nos anos iniciais, o quadro é inverso. A taxa de aprovação elevada, associada a pontuações mais altas no Saeb, garantiu o salto de meio ponto. A trajetória ascendente também aparece nos anos finais, embora em ritmo mais lento. De acordo com a secretária municipal da Educação, Juliana Vicentin, o avanço tem relação direta com “um olhar mais sistemático para a aprendizagem”. Entre as 48 escolas que atendem do 1º ao 5º ano, a pasta implantou simulados periódicos, reuniões de análise de dados e acompanhamento individual dos estudantes considerados em risco de baixo rendimento.

    Leitura e informática como estratégia

    Na prática, algumas unidades reforçaram a rotina de leitura. Todas as turmas frequentam semanalmente a biblioteca, onde o professor auxilia a escolha de títulos adequados à faixa etária. Para a docente Glauciany Bragiato, “o contato constante com livros diversifica o vocabulário, melhora a fluência e torna o aluno mais seguro para se expressar”.

    Outra frente é a sala de informática. Aulas estendidas no período integral destinam tempo exclusivo ao uso de softwares educativos que simulam situações de prova em português e matemática. “O computador vira aliado: o aluno erra, tenta de novo, recebe explicação e ganha autonomia”, explica a rede municipal.

    Por que o ensino médio empaca?

    Quando o estudante chega ao ensino médio, o cenário muda. A doutora em Educação Cristiane Azevedo aponta dois fatores principais: menor acompanhamento individual e conteúdos que o jovem não percebe como significativos. “As turmas ficam maiores, os professores se dividem em várias escolas e o currículo não dialoga com projetos de vida do adolescente. Se a escola não mostra sentido prático para o que ensina, perde o interesse dele”, analisa.

    O reflexo aparece na permanência: índices de evasão aumentam a partir do 1º ano do médio. Boa parte dos que deixam a sala de aula o faz para trabalhar, cuidar da casa ou simplesmente porque não se sente pertencente ao ambiente escolar. Quando permanece, o jovem muitas vezes enfrenta reprovação em matemática, disciplina que concentrou o maior índice de erros na prova do Saeb.

    Planos do município

    Questionada sobre os próximos passos, Juliana Vicentin cita ações focadas na etapa final da educação básica: criação de turmas de reforço no contraturno, parcerias com universidades para formação de professores e ampliação de projetos que integrem tecnologia, cultura e mercado de trabalho. “Precisamos que o aluno veja utilidade no que aprende. Só assim ele fica e aprende mais”, resume.

    Panorama nacional e comparação com Piracicaba

    O quadro de Piracicaba reproduce uma tendência detectada no Ideb 2025 em todo o território brasileiro. A média nacional do ensino médio público avançou de 4,1 para 4,3, a melhor marca desde 2005, porém ainda distante dos 5,2 previstos para 2021 — meta que permanece como referência, pois o Ministério da Educação (MEC) não anunciou novos patamares.

    Na avaliação do ministro Leonardo Barchini, a evolução foi “modesta”. Ele citou a matemática como prioridade imediata, disciplina que mais derrubou notas. Entre os estados, o Paraná liderou o ranking geral, Piauí se destacou em matemática, Goiás apresentou o maior salto na última década e o Espírito Santo mantém crescimento contínuo desde 2019. Por outro lado, redes que flexibilizaram regras de aprovação, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, foram criticadas por elevar o componente “fluxo escolar” do Ideb sem melhoria equivalente no aprendizado.

    Como o Ideb é calculado e seus limites

    Criado em 2005, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica tenta retratar a qualidade do ensino em uma escala de 0 a 10 a partir de dois indicadores:

    • Fluxo escolar: proporção de alunos aprovados, sem reprovação ou abandono.
    • Desempenho no Saeb: notas das provas de língua portuguesa e matemática aplicadas no 2º, 5º e 9º ano do fundamental e no 3º ano do médio.

    Especialistas brasileiros e estrangeiros ressaltam que reprovar indiscriminadamente eleva o risco de evasão. A alternativa é investir em recuperação paralela, para que o estudante avance sem acumular lacunas. “Não basta empurrar o aluno de ano; é preciso garantir que ele aprenda”, resume Azevedo.

    Embora reconhecido como ferramenta de diagnóstico, o Ideb tem limites. A frequência bianual das provas reduz a agilidade na detecção de problemas, e o peso igual para fluxo e desempenho pode mascarar dificuldades quando as redes simplesmente diminuem reprovações. Ainda assim, o índice segue como principal medidor público da qualidade do ensino básico, baseando políticas e investimentos.

    O recado dos números para Piracicaba

    A fotografia de 2025 deixa um recado claro para a cidade: avançar no fundamental é mérito, mas tornar o ensino médio mais atraente, relevante e efetivo virou questão urgente. Sem isso, Piracicaba corre o risco de ver seus bons resultados iniciais se dissiparem antes da conclusão da educação básica. E, como mostram os dados nacionais, o município não está sozinho nesse desafio.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.