Anne Hathaway e Ewan McGregor comentam bastidores de “O Fim da Rua”, aventura sci-fi com dinossauros nos anos 80

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    Uma vizinhança suburbana é arrancada do mapa por um fenômeno cósmico e atirada num território povoado por dinossauros. Essa é a premissa de “O Fim da Rua”, longa que estreia nesta quinta-feira (13) no Brasil e reúne Anne Hathaway e Ewan McGregor sob a direção de David Robert Mitchell. Os dois astros conversaram com a imprensa sobre a mistura improvável de drama familiar, nostalgia oitentista e criaturas pré-históricas – e revelaram que a ideia de correr esse “risco” artístico foi precisamente o que os atraiu para o projeto.

    “É um roteiro ao mesmo tempo engraçado, sombrio e estranho”, resume Hathaway, que vive Denise Platt, a matriarca de uma família forçada a lutar pela sobrevivência nesse novo mundo selvagem. McGregor, intérprete do marido Greg, conta que enxergou no texto “uma família de verdade, cheia de rachaduras”, antes de a trama virar de pernas para o ar com a chegada dos gigantes jurássicos.

    Uma aposta que conquistou Hathaway

    Desde que assistiu a “Corrente do Mal” (2014), Anne Hathaway alimentava o desejo de trabalhar com Mitchell. A atriz procurou o cineasta, manteve contato e aguardou pacientemente até que aparecesse um papel. Quando o roteiro de “O Fim da Rua” chegou, ela aceitou de imediato, mesmo ciente de que mergulharia numa aventura inusitada. “Sabia que podia dar errado, mas é o tipo de perigo que vale a pena correr”, diz.

    No set, a convivência reproduziu a intimidade dos Platt. “Ninguém se escondia no trailer nos intervalos”, recorda-se. “Ficávamos conversando, criando laços. Foi como ser parte da família durante alguns meses.”

    O fascínio de McGregor por uma família imperfeita

    Para Ewan McGregor, o primeiro ato do roteiro remetia aos clássicos de Steven Spielberg sobre subúrbios norte-americanos. Mas logo ele percebeu que a narrativa seguia outro caminho: os Platt discutem, guardam mágoas e tropeçam em segredos. “Não é a típica família de cinema perfeitamente alinhada. Eles se amam, mas também se machucam. Isso torna a história mais humana”, explica.

    Esse realismo emocional ajudou o ator a manter os pés no chão quando a história adota tons épicos. “Você vira a página e, de repente, aparecem dinossauros. Eu pensei: ‘O que está acontecendo?’ e não consegui mais largar.”

    Da calçada ao roteiro: a gênese de David Robert Mitchell

    Mitchell conta que a faísca inicial surgiu durante uma caminhada rotineira: ele imaginou um dinossauro mexendo no lixo da vizinhança. Intrigado pela imagem, correu para casa e começou a transpor a cena para o papel. “Tenho pastas cheias de ideias, mas essa simplesmente se impôs”, relata o diretor, que assina também o roteiro.

    A combinação de aventura, suspense, humor e drama não nasceu por acaso. Mitchell queria que o público experimentasse uma montanha-russa de emoções. O produtor J.J. Abrams, parceiro do projeto, reforça que tais contrastes ganham potência quando compartilhados numa sala escura: “Ouvir a plateia gargalhar e gritar na mesma sessão é o motivo de existir do cinema”.

    Nostalgia oitentista

    Ambientar a trama em 1987 foi outra decisão consciente. Sem celulares nem internet, os personagens ficam ilhados de qualquer ajuda externa e precisam contar apenas com engenho e coragem. A trilha sonora, os figurinos e os cenários reproduzem detalhes da década, reforçando o sabor saudosista que permeia a obra.

    Dinossauros de mentirinha, sustos autênticos

    Se na tela os bichos parecem reais, no set eles eram representados por performers vestindo macacões de captura de movimento, empunhando estruturas que simulavam focinhos e garras. Hathaway lembra que o desafio maior era reagir como se o perigo fosse palpável: “Você grita, seu coração dispara, mas de repente percebe um colega de collant fluorescente segurando a cabeça do monstro”.

    A atriz admite que, em uma tomada, levou um susto legítimo quando a equipe interrompeu a filmagem antes do previsto. McGregor, que estava ao lado, instintivamente ergueu um galho cenográfico para “defendê-la”. “Sempre estarei aqui com meu pedaço de madeira!”, brinca o ator.

    Trabalho físico intenso

    A ação exigiu preparo corporal. Corridas entre árvores, saltos sobre escombros e lutas coreografadas com criaturas invisíveis dominaram o cronograma. Mesmo assim, a dupla garante que a atmosfera permaneceu leve. “Quando a tomada acabava, todos caíam na risada”, conta Hathaway. “Era impossível levar muito a sério alguém fantasiado de ponto de referência para um tiranossauro.”

    Cinema como experiência coletiva

    “O Fim da Rua” nasce em meio à retomada das grandes estreias nas salas brasileiras. Abrams insiste que a produção foi concebida para o telão: “O impacto de um dinossauro saltando da mata, somado à reação coletiva da plateia, não cabe em outra plataforma”.

    Hathaway concorda e acrescenta que a história carrega camadas universais: “No fim das contas, trata de família, de enfrentar o desconhecido juntos. Os dinossauros são só o tempero espetacular”.

    Quem é quem na trama

    • Denise Platt (Anne Hathaway) – Mãe protetora que tenta manter os filhos unidos enquanto lida com ressentimentos antigos.
    • Greg Platt (Ewan McGregor) – Pai que esconde dúvidas sobre o próprio papel na crise e precisa provar seu valor.
    • Filhos adolescentes – Vivem o conflito típico da idade, potencializado pelo novo e hostil ambiente.
    • Dinossauros – Representam tanto a ameaça física quanto a metáfora do imprevisível que irrompe na vida da família.

    Estreia e expectativas

    Com distribuição em todo o país a partir desta quinta (13), “O Fim da Rua” busca dialogar com fãs de ficção científica, de dramas familiares e de aventuras nostálgicas. Para McGregor, a recepção dependerá da entrega emocional do público: “Se eles comprarem a dinâmica dos Platt, vão embarcar no resto”.

    Já Hathaway aposta na curiosidade coletiva pelo inusitado: “Quantas vezes você viu uma história sobre dinossauros ambientada no quintal de casa, em plena década de 80, contada como um drama doméstico? É diferente, é ousado – e isso por si só já vale o ingresso”.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.