Uma circular assinada por Valdemar da Costa Neto colocou fim, nesta quarta-feira, ao impasse que ameaçava a campanha de Luciano Zucco (PL) ao governo do Rio Grande do Sul. O presidente nacional do Partido Liberal autorizou candidatos a deputado da legenda a realizar campanhas conjuntas — as chamadas “dobradinhas” — com postulantes de siglas que integram a coligação estadual.
A decisão contraria orientação do deputado federal Giovani Cherini, que comanda o PL gaúcho e havia exigido apoio exclusivo a nomes do próprio partido. A intervenção de Valdemar busca preservar a unidade da aliança formada por PP, Novo, Republicanos, Podemos, Democrata e DC em torno de Zucco, além de evitar desgastes entre bases municipais e regionais.
Origem do conflito interno
O atrito veio a público após Cherini divulgar comunicado interno determinando que “todos os filiados, dirigentes partidários, vereadores e vice-prefeitos” empenhassem votos apenas em candidaturas proporcionais do PL. O dirigente lembrava que, desde 2018, não há coligações para cargos legislativos e argumentava que o desempenho da sigla dependia de voto concentrado.
Essa ordem, no entanto, desagradou candidatos que contam com estruturas compartilhadas em municípios menores. Nas chamadas dobradinhas, concorrentes a deputado estadual e federal percorrem as mesmas agendas, dividem material de campanha e pedem votos em conjunto. Com o veto, integrantes dos partidos aliados passaram a pressionar a direção nacional do PL.
Intervenção de Valdemar
Para conter o desgaste, Valdemar enviou nota em papel timbrado do partido liberando expressamente “dobradas proporcionais entre todos os partidos que integram esse mesmo projeto político”. O documento, assinado pelo presidente nacional, afirma que as parcerias “podem e devem” ser estendidas tanto a candidatos à Assembleia Legislativa quanto à Câmara dos Deputados.
Valdemar frisa ainda que a medida vale unicamente para legendas que apoiam Zucco ao Palácio Piratini e os dois postulantes da coligação ao Senado — Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL). Assim, qualquer candidato dessas siglas poderá dividir palanque e material com nomes liberais sem infringir diretrizes partidárias.
Repercussão entre candidatos
- Luciano Zucco comemorou a decisão, avaliando que a flexibilização evita disputas internas e fortalece a chapa majoritária.
- Parlamentares do PP e do Republicanos disseram que a unificação das bases facilita a montagem de agendas no interior do estado.
- Aliados de Cherini defendem que o veto inicial buscava garantir número suficiente de votos para eleger uma bancada expressiva e criticam “interferência externa”.
Contexto eleitoral no Rio Grande do Sul
A coligação liderada por Zucco reúne seis partidos em torno de seu nome. A deputada estadual Silvana Covatti (PP) é candidata a vice-governadora. Na disputa ao Senado, o PL divide palanque entre Sanderson, que tenta a reeleição, e Marcel van Hattem, do Novo. O acordo prevê que cada legenda busque votos para seus proporcionais, mas mantenha coesão na majoritária.

Imagem: Internet
Embora a reforma política de 2017 tenha proibido coligações para deputados, a prática de dobradinhas continua autorizada, já que se trata de estratégia informal de campanha. Na prática, o eleitor recebe panfleto conjunto e indica dois números distintos — um para estadual, outro para federal. A polêmica no PL surgiu exatamente porque, sem coligação proporcional, cada legenda precisa atingir sozinha o quociente eleitoral.
Risco de fragmentação superado
A crise interna no PL gaúcho preocupava prefeitos e vereadores que pretendiam apoiar Zucco, mas estavam alinhados a outros partidos nas disputas por cadeiras no Legislativo. A determinação de Cherini colocaria esses grupos diante de um dilema: abandonar aliados locais ou descumprir ordem partidária. Com a liberação de Valdemar, a coesão da aliança foi mantida e o risco de defecções diminuiu.
Consultores eleitorais ouvidos reservadamente apontam que, sem a intervenção, o PL corria o risco de ver candidatos aliados migrarem para chapas adversárias, favorecendo rivais diretos na corrida ao governo. Ao mesmo tempo, a nota de Valdemar resguarda o discurso de unidade nacional da sigla, que apoia Jair Bolsonaro e busca ampliar presença em estados estratégicos.
Próximos passos
- Os diretórios municipais deverão ajustar materiais de campanha, incluindo nomes e números de candidatos aliados.
- Cherini deve reunir a executiva estadual para alinhar a nova orientação e evitar novos desencontros.
- As equipes de marketing da coligação já trabalham em agendas conjuntas de Zucco com postulantes proporcionais de diferentes partidos.
Mesmo com a questão resolvida, dirigentes regionais admitem que a distribuição de recursos do fundo eleitoral ainda pode causar tensão. Por ora, porém, a sinalização de Valdemar pacificou o ambiente e permitiu que a campanha volte a se concentrar na conquista do eleitorado gaúcho.
