Jogador desaparecido em Ribeirão: polícia apura se material de abuso infantil em celular motivou sequestro

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    Dois dias antes de ser arrancado de um campo de futebol por homens armados em Ribeirão Preto, o meio-campista amador Guilherme Henrique Borges Paes, 27, teve o celular vasculhado pela namorada. No aparelho, segundo ela relatou à Polícia Civil, havia fotos e vídeos que mostram violência sexual contra crianças. O material foi copiado, salvo na nuvem e já está nas mãos dos investigadores, que agora tentam entender se a existência das imagens tem relação com o sequestro.

    Guilherme sumiu em 19 de julho, durante uma partida na Vila Carvalho, zona norte da cidade. Um inquérito por sequestro e cárcere privado foi instaurado, e a hipótese de um “tribunal do crime” — execução de uma suposta justiça paralela por facções — também é analisada.

    Como o conteúdo foi descoberto

    Conforme depoimento prestado na semana passada, a jovem, que namorava o atleta desde novembro e oficializou a relação dias antes do desaparecimento, desconfiava de traição. Ela aproveitou um momento em que o companheiro tomava banho, digitou a senha que memorizara e acessou a galeria de imagens. Ali encontrou vídeos de pornografia infantil. Chocada, saiu da casa levando o aparelho e R$ 100 guardados na capa.

    Na residência de uma amiga, as duas transferiram todo o acervo para evitar que os arquivos fossem apagados. A advogada Flávia Bento, representante da testemunha, diz que o conteúdo é “horrível e nojento” e que a cliente não possui envolvimento com o sumiço do jogador. “Ela espera que ele seja localizado para responder criminalmente”, afirmou.

    Medo de retaliação

    Ainda segundo a defesa, a jovem deixou a casa em silêncio porque temia a reação de Guilherme caso fosse confrontado. Em mensagens enviadas à amiga, pediu que um carro de aplicativo fosse chamado com urgência. No dia seguinte, procurou a Polícia Civil e entregou todo o material digital.

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    Desaparecimento durante partida de futebol

    No fim da tarde de 19 de julho, Guilherme defendia o Casagrande Futebol Clube, equipe que disputa o Campeonato Amador A2 de Ribeirão Preto. Testemunhas contaram que um carro preto parou ao lado do gramado, e ao menos cinco homens desceram armados. O atleta foi colocado à força no veículo, que saiu em alta velocidade. Desde então, não há notícias sobre seu paradeiro.

    Familiares registraram boletim de ocorrência após receberem uma ligação anônima informando o sequestro. A Delegacia de Investigações Criminais (Deic) apura se a ação estaria ligada a uma “sentença” de criminosos organizada em tribunal clandestino, prática comum em facções para punir quem viola regras internas.

    Ligações tensas no dia anterior

    O boletim também registra um desentendimento entre Guilherme e a namorada em 18 de julho, quando ela foi embora levando o celular. A mãe do jogador afirma ter sido ameaçada de morte pela jovem ao tentar reaver o aparelho. A defesa nega qualquer ameaça: “Ela apenas se recusou a devolver o telefone, pois o material precisava ser entregue às autoridades”, sustenta a advogada.

    O que diz a polícia

    Até a publicação deste texto, a Secretaria da Segurança Pública não detalhou o avanço das buscas nem comentou a ligação entre os vídeos apreendidos e o desaparecimento. A Deic mantém as linhas de investigação abertas: sequestro para cobrança de dívida, retaliação por atos contra crianças e punição de facção são avaliadas.

    Agentes analisam imagens de câmeras instaladas em ruas próximas ao campo e tentam identificar a rota seguida pelo automóvel. O celular, já periciado, passa agora por cruzamento de dados com a nuvem onde estavam salvos os arquivos.

    Defesa de Guilherme não foi encontrada

    Procurados, familiares do atleta preferiram não comentar o conteúdo descoberto. A representação jurídica do jogador também não respondeu aos pedidos de entrevista.

    Quem é Guilherme Henrique Borges Paes

    Nascido em Ribeirão Preto, Guilherme atua como meio-campista em campeonatos regionais e disputava a divisão de acesso da liga amadora local. Amigos o descrevem como “bom de bola” e reservado. Ele morava com a mãe e mantinha o relacionamento recente com a jovem que entregou o celular à polícia.

    O caso mobiliza companheiros de equipe, que utilizam redes sociais para pedir informações. Qualquer pista pode ser encaminhada de forma anônima ao Disque Denúncia 181.

    Próximos passos

    Enquanto prosseguem as buscas pelo jogador, investigadores deverão:

    • Concluir a perícia completa nos arquivos de abuso infantil e rastrear possível origem;
    • Cruzar ligações telefônicas e mensagens trocadas nos dias que antecederam o sequestro;
    • Ouvir novas testemunhas que estavam no campo e vizinhos que possam ter filmado a ação;
    • Analisar se há conexão entre o suposto “tribunal do crime” e o conteúdo encontrado.

    Sem sinal do atleta quase duas semanas após o desaparecimento, a polícia não descarta nenhuma hipótese. A namorada permanece como testemunha, não como investigada, e colabora com o inquérito.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.