Polícia conclui que empresário morto em barbearia de Ponta Grossa foi confundido com traficante; cinco presos

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    Um erro de identificação transformou uma ida rápida à barbearia em tragédia no bairro Cará-Cará, em Ponta Grossa. Hugo Gabriel Moll, 39 anos, empresário do ramo da construção civil, foi executado na tarde de 19 de junho porque o pistoleiro contratado para matar um traficante acreditou que a vítima ainda estava no local. Imagens obtidas pela Polícia Civil mostram que o verdadeiro alvo saiu da barbearia dez minutos antes, e Hugo entrou na vaga deixada por ele apenas dez segundos depois.

    A confirmação do engano foi divulgada nesta terça-feira (28) pelo delegado Luís Gustavo Timossi, após a prisão temporária de cinco suspeitos de integrar o grupo responsável pelo crime. Além de Hugo, o barbeiro João Victor Pereira foi baleado no tórax – numa tentativa, segundo a investigação, de eliminar testemunhas – passou mais de vinte dias internado e se recupera em casa.

    Como a investigação chegou ao erro de alvo

    Segundo Timossi, o atirador havia recebido, de um comparsa, a informação de que o traficante procurado estava no salão da Avenida Pedro Wosgrau. Desconhecendo pessoalmente o alvo, ele entrou atirando assim que chegou, sem perceber que o homem já tinha ido embora. O cruzamento de dados de telefonia, depoimentos e imagens do sistema viário Muralha Digital permitiu à polícia reconstruir a linha do tempo e concluir que Hugo – que não tinha antecedentes criminais – foi morto por mera coincidência de horário e aparência física semelhante ao criminoso procurado.

    As câmeras de segurança revelam dois momentos-chave: o traficante pagando o corte e deixando o local, e, em seguida, o carro de Hugo estacionando exatamente na mesma vaga. Para os investigadores, essa sobreposição, somada à pressa do executor, selou o desfecho fatal.

    Quem são os presos

    Os cinco homens detidos tiveram prisão temporária decretada por 30 dias:

    • 34 anos – apontado como organizador da ação; responde a processos por tráfico, porte ilegal de arma e lesão corporal;
    • 24 anos – cedeu o esconderijo e a arma usada no homicídio; tem passagens por homicídio, tráfico e receptação;
    • 27 anos – ficou responsável por vigiar o alvo e conduzir o carro de fuga; já foi investigado por tráfico;
    • 25 anos – papel ainda mantido em sigilo pela polícia para não atrapalhar diligências;
    • 19 anos – função também não detalhada por enquanto.

    Armas, celulares e documentos apreendidos nas residências dos suspeitos serão periciados. A Polícia Civil não divulgou a identidade do atirador nem do traficante que encomendou o assassinato.

    Método de trabalho

    Timossi classificou o inquérito como “de extrema complexidade”. Foram analisados vídeos coletados na região, laudos balísticos, rastreamento de veículos e dados de telefonia. O sistema Muralha Digital, que cruza placas de carros em tempo real, ajudou a apontar a rota de fuga do grupo.

    Perfil da vítima

    Hugo Gabriel Moll comandava uma pequena construtora, era casado havia apenas 20 dias, mas vivia com a esposa há quase duas décadas. Deixou um filho de 12 anos e planos de mudar com a família para os Estados Unidos. Na tarde do crime, ele nem era cliente habitual da barbearia; parou por acaso para aparar o cabelo antes de viajar com o garoto.

    Próximos passos do caso

    Com as prisões, a polícia espera esclarecer a participação exata de cada suspeito e confirmar a motivação do mandante ligado ao tráfico de drogas. Novos depoimentos e a perícia nos aparelhos celulares devem indicar onde o plano foi traçado, quantas pessoas colaboraram e o valor pago pela execução.

    O delegado não descarta novos mandados de prisão. Concluído o inquérito, o Ministério Público decidirá pelas denúncias de homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra o barbeiro.

    Repercussão em Ponta Grossa

    A execução por engano provocou comoção na cidade. Amigos e familiares organizaram vigílias e pediram rapidez na investigação. Entidades do setor da construção civil emitiram nota de pesar e cobraram mais segurança. O caso também reacendeu o debate sobre violência ligada ao tráfico nos Campos Gerais.

    Barbeiro segue em recuperação

    Alvejado no tórax, João Victor Pereira sobreviveu após cirurgias e ficou internado por três semanas. A Polícia Civil informou que ele prestou depoimento assim que recebeu alta parcial e se comprometeu a acompanhar as audiências do processo.

    Medidas judiciais

    Os suspeitos foram transferidos para a Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, onde permanecem à disposição da Justiça. A defesa de dois deles já entrou com pedido de revogação da prisão, alegando ausência de provas, mas o Judiciário ainda não analisou.

    Se condenados por homicídio qualificado, os envolvidos podem pegar até 30 anos de prisão. A tentativa de homicídio contra o barbeiro pode acrescentar mais 20 anos, dependendo do grau de participação individual.

    Linha do tempo resumida

    1. 19/06 – Traficante chega à barbearia; atirador recebe ordem para executar; traficante sai após 10 minutos.
    2. 19/06 – Hugo Moll estaciona no mesmo local; atirador entra e dispara; empresário morre no local; barbeiro fica ferido.
    3. 28/06 – Polícia prende cinco suspeitos e coleta materiais para perícia; engano é confirmado publicamente.
    4. Próximas semanas – Análise dos celulares e armas; novas diligências e possíveis denúncias do MP.

    Enquanto aguarda a conclusão do inquérito, a família de Hugo busca amparo psicológico e estuda medidas judiciais contra os responsáveis. O viúvo luto do casal se mistura agora ao clamor por justiça.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.