Ministério Público denuncia quatro suspeitos de monitorar promotor Lincoln Gakiya e coordenador de presídios a mando do PCC

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    O Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra quatro integrantes de um braço operacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) acusado de levantar informações sigilosas sobre o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o coordenador de unidades prisionais Roberto Medina. Segundo os promotores, o material coletado subsidiaria atentados que seriam decididos pela cúpula da facção.

    A acusação, protocolada na segunda-feira (27) na Vara Criminal de Presidente Prudente, atribui aos réus a participação em organização criminosa armada. Eles teriam reunido endereços, rotas, registros fotográficos, vídeos e dados de familiares das vítimas para repassar à chamada “Sintonia Restrita”, núcleo que coordena ações estratégicas do PCC.

    Quem são os denunciados

    • Victor Hugo da Silva, apelidado de “VH” ou “Falcão”, apontado como responsável por vigiar Roberto Medina em Presidente Venceslau.
    • Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o “Corinthinha” ou “Maurício”, já preso por tráfico de drogas; recebia as informações e as enviava à liderança da facção.
    • Sérgio Garcia da Silva, conhecido como “Messi”, incumbido de mapear a rotina de Lincoln Gakiya em Presidente Prudente.
    • Adilson Audinir Oliveira Júnior, o “Ju Machado”, tido como elo de comunicação do grupo e responsável por apagar conversas para dificultar a apuração.

    Como o plano foi descoberto

    A ofensiva do Gaeco e da Polícia Civil, deflagrada em outubro, teve origem na prisão de cinco homens por tráfico de drogas entre julho e setembro de 2025. A análise dos celulares apreendidos mostrou trocas de mensagens, geolocalizações e pesquisas sobre veículos relacionados às possíveis vítimas. A partir desse material, os investigadores reconstruíram um roteiro que incluía:

    1. Aluguel de uma casa de alto padrão a menos de um quilômetro do condomínio onde vive o promotor.
    2. Uso de drones para acompanhar deslocamentos de Gakiya e Medina.
    3. Relatórios sobre horários, pontos vulneráveis de segurança e rotina de familiares.

    As ordens para o monitoramento teriam partido de detentos instalados em presídios federais. O Gaeco afirma que caberia à facção determinar, em momento oportuno, se os dados resultariam em ataques diretos às autoridades.

    Mandados e apreensões

    No dia da operação, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sete municípios do interior paulista. Além de celulares, a polícia recolheu anotações, computadores, cartões-SIM e registros bancários que, segundo o Ministério Público, conectam os denunciados a outros crimes atribuídos ao PCC, como tráfico de armas e roubos.

    Foco em autoridades que combatem a facção

    Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), atua há quase duas décadas em processos contra o PCC e já sobreviveu a tentativas de homicídio. Roberto Medina, por sua vez, chefia a Coordenadoria das Unidades Prisionais da Região Oeste (Croeste) e decide transferências de detentos considerados de alta periculosidade, medida que afeta diretamente a liderança da facção.

    Divisão de tarefas no PCC

    Informações colhidas durante a investigação indicam que a “Sintonia Restrita” centraliza decisões sensíveis, como assassinatos de autoridades. Às células externas, como a agora denunciada, compete colher dados de inteligência. Essa estrutura, segundo o MP, opera no Estado desde, pelo menos, junho de 2025 e mantém hierarquia rígida, comunicação criptografada e especialização de funções.

    Acusação limitada a organização criminosa

    Apesar de mencionar a gravidade do monitoramento, o Ministério Público não incluiu o crime de ameaça na denúncia. A Promotoria avaliou que não houve declarações explícitas ou gestos intimidatórios dirigidos diretamente às vítimas, enquadrando a conduta, por ora, apenas no artigo 2º da Lei 12.850/2013 (integração de organização criminosa armada).

    Possíveis desdobramentos

    Com a peça acusatória aceita, os réus podem responder em liberdade ou permanecer presos preventivamente — dois deles já cumprem pena por tráfico. A investigação principal continua aberta para identificar quem determinou o monitoramento a partir das penitenciárias federais e se outras autoridades estavam na mira.

    Elementos de prova reunidos

    • Mensagens de texto e voz em aplicativos criptografados.
    • Geolocalizações que coincidem com rotas das vítimas.
    • Vídeos gravados com celulares e drones.
    • Pesquisas on-line sobre placas de veículos e endereços.
    • Comprovantes de aluguel e recibos de equipamentos de vigilância.

    Os promotores também destacam indícios do envolvimento do grupo em comércio de drogas e armas, reforçando a tese de que o monitoramento integrava um projeto maior de expansão da facção no interior do Estado.

    Próximos passos judiciais

    O juízo criminal de Presidente Prudente deverá decidir se recebe a denúncia e decreta a prisão preventiva dos acusados que ainda não estão detidos. Caso a ação penal avance, o Ministério Público pretende solicitar a quebra de sigilo de novos dispositivos eletrônicos, depoimentos de servidores penitenciários e perícia nas imagens obtidas pelos investigados.

    Segurança reforçada

    Desde a revelação do plano, Lincoln Gakiya e Roberto Medina contam com escolta reforçada da Polícia Militar. A Secretaria de Administração Penitenciária instalou barreiras adicionais de controle nos presídios de Presidente Venceslau e Presidente Prudente, enquanto a Polícia Federal mantém monitoramento sobre comunicações de membros do PCC encarcerados em unidades federais.

    Procuradas, as defesas de Victor Hugo da Silva, Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, Sérgio Garcia da Silva e Adilson Audinir Oliveira Júnior não haviam se manifestado até a publicação desta matéria.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.