PF aponta que propina a dirigentes do INSS era registrada como pagamento a “heróis”, “notáveis” e “amigos”

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    A Polícia Federal concluiu que dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e outros agentes públicos recebiam propina disfarçada sob os códigos “heróis”, “notáveis” e “amigos”. As expressões foram encontradas em mensagens extraídas de celulares apreendidos durante a Operação Sem Desconto.

    Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas, entre elas o ex-presidente do INSS Alessandro Antônio Stefanutto; o ex-procurador-geral da autarquia Virgílio Antônio Ribeiro Filho; o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira; o presidente da Conafer Carlos Roberto Ferreira Lopes; e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

    Valores desviados

    Segundo o relatório, o grupo desviou R$ 708 milhões. Desse total, pelo menos R$ 24,6 milhões teriam sido repassados de forma periódica aos servidores de alto escalão para assegurar o funcionamento da fraude que atingiu mais de 600 mil beneficiários e gerou milhares de ações judiciais e administrativas.

    Os investigadores destacam que a “corrupção era o mecanismo de blindagem institucional indispensável” para que o esquema continuasse.

    Pagamentos mensais e empresas de fachada

    Quebras de sigilo bancário e análise de dados de smartphones indicam que os repasses ocorriam quase todos os meses, abastecidos pelos descontos associativos recolhidos de aposentados e pensionistas.

    Nas conversas, Stefanutto aparecia como “italiano”; ele teria recebido cerca de R$ 250 mil mensais, parte transferida por empresas de fachada, incluindo uma pizzaria. O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes era tratado como “senza capelli” (sem cabelo, em italiano). Já o ex-procurador Virgílio Filho era mencionado como “malvado”, enquanto Carlos Roberto Ferreira Lopes, dirigente da Conafer, aparecia como “painho” e “funai”.

    Origem da investigação

    O escândalo veio à tona em dezembro de 2023, após série de reportagens que mostraram o crescimento da arrecadação de entidades que descontavam mensalidades de aposentados, alcançando R$ 2 bilhões em um ano. O material jornalístico motivou a abertura de inquérito pela PF e apoia apurações da Controladoria-Geral da União (CGU).

    Desde então, 38 matérias foram citadas na representação que originou a Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril, resultando nas demissões do então presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

    As investigações continuam para rastrear o destino dos valores desviados e identificar outros envolvidos.

    Com informações de Metrópoles

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.