O deputado federal Ricardo Salles (Novo) intensificou a pré-campanha ao Senado por São Paulo mesmo sem integrar a aliança do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Bem colocado em pesquisas, o ex-ministro do Meio Ambiente concentra agendas no interior e faz críticas diretas a André do Prado (PL), nome escolhido por Tarcísio para a disputa.
Pesquisas mostram disputa acirrada
Levantamento Datafolha divulgado na semana passada aponta Salles com 13% das intenções de voto, atrás de Marina Silva (Rede), que tem 18%, e de Simone Tebet (PSB), com 16%. Entre os candidatos apoiados pelo governo estadual, André do Prado aparece com 11% e Guilherme Derrite (PP) registra 10%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Investida no interior
Salles organizou encontros com representantes do agronegócio em Ribeirão Preto (SP) entre segunda-feira (13) e quarta-feira (15). Na sexta-feira (17), retorna à cidade para um jantar com o governador mineiro e presidenciável Romeu Zema (Novo). “Tenho grande apoio do interior, especialmente do setor agropecuário, da soja, da cana-de-açúcar e do segmento sucroenergético”, afirmou o deputado, eleito em 2022 com 640 mil votos.
Ataques a André do Prado
O pré-candidato acusa o presidente da Assembleia Legislativa paulista de representar o “centrão”. Segundo Salles, Prado “nunca foi de direita” e se aproximou do PT para chegar ao comando da Casa. A estratégia inclui usar seus 1,1 milhão de seguidores no Instagram para colar no adversário a pecha de aliado do centrão.
Em nota, André do Prado reagiu: “Salles dedica mais tempo a me atacar do que a apresentar propostas para São Paulo. A chapa apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro é formada por André do Prado e Guilherme Derrite”. O parlamentar ainda lembrou que Salles foi eleito com apoio da família Bolsonaro.
Postura do governador
No entorno de Tarcísio, a orientação é não responder publicamente a Salles. Segundo aliados, o governador concentrará esforços na campanha de André do Prado, sem descartar eventuais defesas indiretas por meio de terceiros.
Imagem: Pablo Jacob
Críticas a Marina e Tebet
Salles também mira as candidatas Marina Silva e Simone Tebet, classificando-as como “forasteiras” por não terem base política em São Paulo. O deputado questiona se elas defenderiam o estado em disputas federativas, citando a “guerra fiscal” entre Mato Grosso do Sul e São Paulo como exemplo que envolveria Tebet.
Rejeição a novo mandato na Câmara
Parte da base governista avalia que a entrada de Salles dificulta os planos de Tarcísio para o Senado e sugerem que o ex-ministro dispute outro cargo. Ele descarta: “Detestei ser deputado federal. Você não tem relevância. Senador, pelo menos, tem”.
Para Salles, a força de Tarcísio nas pesquisas não garante vitória automática de seus aliados. “A máquina não elege. Se fosse assim, Rodrigo Garcia teria vencido”, disse, referindo-se à disputa estadual de 2022.
Com informações de O Globo
