A Polícia Federal declarou em relatório enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, reuniu-se em 1º de fevereiro de 2023 com o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para tratar da escolha do titular do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a PF, o encontro teria sido articulado pelo ex-deputado federal Euclydes Pettersen, apontado como responsável por facilitar o acesso de Lopes a parlamentares com influência sobre indicações para cargos na autarquia. Mensagens captadas pela investigação indicam que, no dia da posse dos congressistas, Carlos Lopes teria informado que “Pacheco foi eleito” e que estava “indo encontrar com eles” para definir o nome do novo presidente do INSS.
Em nota encaminhada por sua assessoria, Rodrigo Pacheco afirmou que não conhece Carlos Lopes e nega ter realizado a reunião. O senador lembrou que, na mesma data, ocorria a eleição da Mesa Diretora do Senado, o que, segundo ele, inviabilizaria qualquer encontro.
Indiciamento e valores desviados
O relatório final da Polícia Federal, protocolado na sexta-feira (12), indiciou 48 pessoas por envolvimento em um esquema de descontos associativos indevidos que teria desviado mais de R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas do INSS. A corporação aponta a existência de uma organização criminosa ligada à Conafer.
Os investigadores sustentam que Carlos Lopes buscava emplacar servidores em cargos estratégicos — como a presidência do INSS, a Diretoria de Benefícios e a Procuradoria-Geral do instituto — para garantir “boa fluidez” do esquema e blindagem contra auditorias.
Imagem: Brenno Carvalho
Manifestação da Conafer
Em comunicado, a Conafer declarou respeitar o trabalho da PF, do Ministério Público e do Judiciário, mas enfatizou que o indiciamento integra a fase investigativa. A entidade informou que examinará o relatório quando tiver acesso integral ao documento e apresentará “manifestações jurídicas, documentais e técnicas necessárias ao esclarecimento dos fatos”. A confederação também criticou “qualquer tentativa de transformar uma etapa investigativa em condenação antecipada”.
Com informações de O Globo
