Dossiê de Flávio Bolsonaro aos EUA gera rejeição entre eleitores indecisos, indica pesquisa

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    Um dossiê de 86 páginas enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos, no qual ele solicita a suspensão por 180 dias das tarifas sobre produtos brasileiros, provocou reação negativa entre os eleitores considerados “pendulares” — aqueles que alternam voto entre candidatos de esquerda e direita. O resultado aparece na oitava rodada da pesquisa qualitativa do Instituto Democracia em Xeque, divulgada nesta segunda-feira (data conforme publicação original).

    O diretor de Relações Institucionais da entidade, Beto Vasques, afirma que o pré-candidato do PL à Presidência perdeu confiança e “autonomia narrativa” junto a esse segmento decisivo para a eleição de 2026, apontada como novamente polarizada.

    Percepção sobre tarifas e Pix

    Entrevistados disseram ver no documento maior preocupação eleitoral do que defesa dos interesses das empresas brasileiras afetadas pelas taxas. A menção ao Pix — incluída na carta encaminhada ao então presidente Donald Trump — também foi mal recebida. Parte do grupo interpretou a referência como um gesto de apoio a companhias norte-americanas de cartões de crédito, em detrimento de um sistema de pagamentos brasileiro amplamente usado pela população.

    Agenda marcada por polêmicas

    Segundo o levantamento, pelo terceiro período consecutivo a rotina do senador é dominada por controvérsias e explicações consideradas insuficientes, além da percepção de omissão de fatos. Flávio Bolsonaro está inscrito para falar nesta terça-feira (dia informado no texto original) na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC), em Washington.

    Entre os temas que ampliaram o desgaste estão o teor da carta a Trump, desentendimentos com Michelle Bolsonaro, declarações de aliados — como Paulo Figueiredo sobre o voto feminino — e críticas sobre possível subordinação aos interesses norte-americanos.

    Efeito sobre outros pré-candidatos

    No mesmo grupo de eleitores, o presidente Lula (PT) avançou nas últimas semanas. Embora sem entusiasmo declarado, o petista é visto como mais ligado a políticas sociais e à proteção dos interesses do Brasil. Os entrevistados distinguem, contudo, uma boa relação bilateral de uma postura considerada submissa aos EUA.

    O envolvimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), que deixou a liderança do governo no Senado, ainda repercute, mas perdeu força, segundo Vasques. A saída foi bem recebida, porém o apoio público de Lula ao aliado reacendeu suspeitas de proteção partidária.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.