A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) participou, no fim de semana, de um culto promovido pelo grupo evangélico brasileiro “Patriotas em Roma”, na capital italiana. Durante a celebração, a bolsonarista fez orações pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Em discurso no púlpito, Zambelli declarou não guardar “raiva no coração” e pediu que “Deus tenha misericórdia” dos que, segundo ela, promovem injustiças com prisões e perseguições. A ex-parlamentar também rogou por “milagres” na vida dos detidos e de Bolsonaro.
Ao longo da cerimônia, classificada pela mãe da ex-deputada, Rita Zambelli, como “Culto em Ação de Graça” pela liberdade da filha, Carla agradeceu o apoio de senadores que a visitaram enquanto esteve presa na Itália. Foram citados Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF), que, segundo ela, “cruzaram o Oceano Atlântico” para prestarem solidariedade.
Flávio Bolsonaro recebeu menção especial. Para Zambelli, o filho do ex-presidente “não se envergonhou nenhuma vez” de defender a liberdade dela. “Ele me fez perceber que eu não estava sozinha”, afirmou, reconhecendo que o senador enfrenta “um lugar espinhoso”, mas ressaltando que “o Brasil depende desse caminho”.
Situação judicial
Zambelli deixou o Brasil em maio do ano passado, passou pelos Estados Unidos e fixou residência na Itália, onde foi detida dois meses depois. Em maio deste ano, a Corte de Cassação – instância máxima da Justiça italiana – anulou a autorização de extradição e concedeu liberdade à ex-deputada. A decisão ocorreu na mesma semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo brasileiro adotasse medidas para trazê-la de volta.
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A defensora da ex-parlamentar afirma que o entendimento da Corte abrange dois processos: a condenação a dez anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a sentença por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Enquanto o trâmite de extradição seguia na Itália, a Justiça local manteve Zambelli na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por considerar risco de fuga.
Em dezembro, a Câmara dos Deputados rejeitou cassar o mandato de Zambelli, mas a decisão foi anulada pelo STF, que declarou a perda do mandato com base na condenação criminal. Caso seja extraditada, ela deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Com informações de O Globo
