Integrantes da equipe que prepara a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informaram que o material de campanha previsto para o período eleitoral terá utilização limitada de inteligência artificial (IA). O objetivo, explicam, é contrastar a estratégia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista, que recorre com frequência a recursos desse tipo.
Foco em peças com o presidente
A orientação interna é evitar montagens digitais nos vídeos e nas imagens em que Lula apareça. Auxiliares argumentam que a presença “em carne e osso” reforça a autenticidade do candidato, enquanto o rival tem divulgado conteúdos em que surge, por exemplo, pilotando aviões com estética militar produzida por IA.
Posicionamento público de Lula
Em maio, durante evento na Bahia, Lula declarou que o eleitor precisa “olhar nos olhos” de quem pede voto e criticou a possibilidade de discursos virtuais que não correspondam à presença física do candidato. Segundo ele, recorrer a um avatar digital para fazer campanha seria enganoso.
Uso controlado da tecnologia
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, ressalta que a IA não é proibida, mas deve servir apenas como ferramenta técnica, por exemplo, para ajustes de edição. Ele afirma que a legenda levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alertas sobre deepfakes, montagens ofensivas e desinformação que, na avaliação do partido, têm sido praticadas por setores da direita.
Vídeos já divulgados pelo PT
Apesar da cautela anunciada para a campanha, grupos ligados ao partido divulgaram, desde 2023, materiais produzidos com IA que criticam o Congresso e associam opositores ao escândalo do Banco Master. Um desses vídeos foi exibido em um congresso petista neste ano.
Estratégia digital unificada
No início de junho, o PT lançou a plataforma “Porta-Vozes do Lula” para coordenar a militância nas redes sociais. A iniciativa reúne grupos em aplicativos de mensagens que recebem conteúdos prontos para divulgação e missões específicas. O deputado André Janones (Rede-MG), convidado para o evento de lançamento, orientou os apoiadores a não responder diretamente a fake news adversárias, mas a divulgar “outra versão dos fatos”, postura que já provocou críticas, inclusive dentro da própria base governista.
Imagem: Cristiano Mariz
Representação contra Flávio Bolsonaro
A campanha de Flávio continua a adotar peças criadas com IA. Em um dos vídeos, o senador aparece atacando embarcações supostamente ligadas ao PCC, ao Comando Vermelho e ao PT. O material motivou representação do Partido dos Trabalhadores no TSE por propaganda antecipada e uso irregular de inteligência artificial.
A discussão sobre os limites da tecnologia nas eleições ocorre em meio à preocupação de aliados de Lula com a influência das grandes plataformas digitais, percebida por eles como mais alinhada à direita.
Com informações de O Globo
