PL divide comando do núcleo feminino entre presidentes estaduais após saída de Michelle Bolsonaro

    0

    A direção nacional do PL decidiu repassar provisoriamente a coordenação do PL Mulher às presidentes estaduais da sigla após o pedido de afastamento de Michelle Bolsonaro, formalizado nesta terça-feira (1º/7). A medida valerá até a conclusão do processo eleitoral de outubro.

    A definição foi tomada poucas horas depois de uma reunião entre Michelle e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Três integrantes da cúpula confirmaram que não haverá indicação imediata de nova presidente nacional para evitar novo foco de disputa interna em meio ao embate entre a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    Objetivo é conter crise e manter estrutura

    Dirigentes avaliaram que uma troca de comando agora poderia prolongar o conflito que já provoca desgaste na pré-campanha presidencial. Também pesou a proximidade da eleição e a dificuldade de reorganizar, em curto prazo, uma estrutura presente em todos os estados.

    Segundo pessoas próximas a Valdemar, Michelle personalizou o PL Mulher nos últimos anos, e nenhum nome teria hoje capital político suficiente para substituí-la.

    Vice não assume

    Aliados de Michelle afirmam que deixar o cargo vago impede que a vice-presidente da ala, vereadora Priscila Costa (PL-CE), assuma automaticamente. Priscila foi o ponto de atrito entre Michelle e Flávio: a ex-primeira-dama defendia sua candidatura ao Senado pelo Ceará, enquanto o senador negociava acordo com o deputado André Fernandes (PL-CE).

    Preocupação eleitoral

    Internamente, dirigentes admitem que a saída de Michelle reduz a capacidade de mobilização do partido entre mulheres e evangélicos, públicos em que ela se tornou principal ativo eleitoral.

    Reunião sem acordo

    Na conversa de terça-feira, Michelle disse a Valdemar estar cansada da política, reclamou de não ser ouvida nas decisões partidárias e cogitou retirar sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Ela também relatou dedicar boa parte do tempo aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

    Valdemar tentou convencê-la a permanecer no cargo, adiar definições sobre a candidatura e participar de encontro organizado por Flávio com lideranças femininas nesta quarta-feira (2/7). Michelle recusou, alegando não ter recebido convite direto do senador, e depois oficializou sua saída em nota, dizendo que se dedicará integralmente à família.

    Sucessão ao Senado no DF

    Nos bastidores, aliados de Flávio já tratam o senador Izalci Lucas (PL-DF) como substituto natural caso Michelle confirme a retirada da disputa. Izalci pretendia concorrer ao governo distrital, mas encontra resistência devido à aliança da legenda com a governadora Celina Leão (PP-DF).

    O PL não informou quando retomará a discussão sobre a presidência nacional do PL Mulher; a nova definição só deverá ocorrer após as eleições municipais.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.