A ex-prefeita de Contagem e pré-candidata do PT ao Senado, Marília Campos, reiterou no domingo (28) à direção nacional do partido que não aceitará concorrer ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Em nota divulgada nesta segunda-feira (29), a campanha da petista classificou a tentativa de lançá-la ao Palácio da Liberdade como “um desastre político”.
O texto, assinado pelo economista José Prata Araújo, coordenador da pré-campanha, afirma que uma chapa encabeçada por Marília “reunificaria a direita mineira” e devolveria a disputa a um cenário de forte polarização. “Nossa experiência no governo de Minas (com Fernando Pimentel, entre 2015 e 2018) não foi bem-sucedida; por isso não devemos ter protagonismo na candidatura a governador. Nosso candidato deve ser de um partido de centro; devemos apostar na constituição de uma frente ampla”, diz o documento.
Segundo a nota, uma candidatura própria forçaria o presidente Lula a afastar-se da campanha em Minas para evitar tensionamentos, “o sonho da direita e da extrema direita mineira”. A estratégia, conclui o texto, seria “no limite, um desastre político”.
Reuniões sem acordo
O posicionamento foi entregue pessoalmente ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, durante reunião no domingo, em Contagem. Participaram ainda a deputada estadual Leninha, que preside o diretório mineiro, e dirigentes da sigla. Sem consenso, Edinho prometeu levar o impasse a Lula em encontro marcado para esta segunda-feira, em Brasília. O diretório estadual informou que novas conversas ocorrerão ao longo da semana.
Defesa de frente ampla
Marília sustenta que o PT deve apoiar um nome de centro. No sábado (27), em compromisso público em Montes Claros, ela esteve ao lado de Gabriel Azevedo (MDB) e Jarbas Soares Jr. (PSB), ambos pré-candidatos ao governo. Em vídeo informal, chamou Azevedo de “governador” e reiterou preferência por sua candidatura. A petista lembra que o partido já havia discutido apoiar o senador Rodrigo Pacheco (PSB), que declinou do projeto, e menciona eventual participação do PDT na aliança.
Bem posicionada em pesquisas internas para o Senado, Marília argumenta que disputar o Executivo estadual significaria reeditar a rejeição ao PT herdada da gestão Pimentel. Ao comentar a decisão do diretório mineiro de ter nome próprio, ela classificou a iniciativa como “equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado”.
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Antes de defender Azevedo, Marília tentou reaproximação com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), apoiado por Lula em 2022. Kalil, porém, sinalizou não querer repetir a parceria.
Enquanto a cúpula petista busca convencê-la, Marília mantém a agenda de campanha ao Senado, reforçando a orientação de que o partido concentre esforços numa coligação que una PT, MDB, PSB e, possivelmente, PDT para enfrentar a disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026.
Com informações de O Globo
