Brasília — A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornou público o desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao divulgar, na quarta-feira, um vídeo de 27 minutos gravado na sala da presidência do PL Mulher, em Brasília. O movimento evidencia a disputa interna por espaço e influência no bolsonarismo e reforça o uso da estrutura partidária feminina para construir uma base eleitoral própria.
Vídeo como vitrine de resultados
Durante a gravação, Michelle ressaltou ter percorrido as 27 unidades da federação, estruturado diretórios estaduais e contribuído para a eleição de 1.005 mulheres nas eleições municipais de 2024 — crescimento de 45,8% em relação ao pleito anterior. Ela mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro 31 vezes, enfatizando que divide com o marido as principais decisões políticas. Segundo interlocutores da ex-primeira-dama, Bolsonaro foi informado previamente sobre o conteúdo do vídeo.
Futuras candidaturas ao Senado
O principal foco de Michelle nas urnas de 2026 são três deputadas federais cotadas para o Senado: Priscila Costa (PL-CE), vice-presidente nacional do PL Mulher; Caroline de Toni (PL-SC); e Bia Kicis (PL-DF). A ex-primeira-dama defende o nome de Priscila Costa no Ceará, mas a direção do PL, sob articulação de Flávio Bolsonaro, discute composição que envolve o deputado estadual Alcides Fernandes e o pré-candidato do PSDB ao governo, Ciro Gomes.
Estrutura e recursos do PL Mulher
O PL Mulher reúne cerca de 5.200 participantes em ações de formação política, distribuição de cartilhas, treinamentos e programas permanentes. Para 2024, o segmento recebeu R$ 16,2 milhões da Executiva nacional — o dobro reservado pelo PT à sua ala feminina no mesmo período. Embora não manuseie diretamente o dinheiro, Michelle define as prioridades de gastos, como cursos, viagens e eventos.
Trajetória e impacto interno
Michelle assumiu a presidência do PL Mulher em 2023, após estreitar a atuação política durante a campanha presidencial de 2022. Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirma que o trabalho é “comprovado pelo número de mulheres eleitas e filiadas”. Aliados avaliam que a ex-primeira-dama criou um novo polo de influência que compete com o núcleo comandado pelos filhos de Jair Bolsonaro dentro do partido.
Imagem: Reprodução
Mesmo reconhecendo a relevância crescente de Michelle, o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, pré-candidato ao Senado pelo PL na Paraíba, pondera que “todas as principais lideranças gravitam em torno de Jair Bolsonaro”.
Com informações de O Globo