Sete pesquisas divulgadas entre 16 e 22 de setembro confirmam o cenário de forte polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Palácio do Planalto. Em todos os levantamentos, a diferença entre os dois pré-candidatos ficou dentro da margem de erro, configurando empate técnico e abrindo espaço para variações até o início oficial da campanha em 2026.
A sequência de sondagens também indica dificuldades para que nomes da chamada “terceira via” ultrapassem a barreira de um dígito: Augusto Cury (Avante) continua como o principal nome fora da polarização, mas não passa de 6% em nenhum cenário. Mais atrás, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) lutam para se manter no radar do eleitor.
Como cada instituto enxergou o momento
Quaest: empate em dois pontos, indecisos em alta
Realizada presencialmente entre 17 e 20 de setembro, a sondagem da Quaest ouviu 2.004 brasileiros e registrou Lula com 37% das intenções de voto estimuladas, contra 33% de Flávio Bolsonaro. O levantamento apontou 8% de indecisos e 7% de eleitores propensos a votar em branco ou anular, revelando que cerca de 15% do eleitorado ainda não se decidiu pelo líder da disputa.
BTG/Nexus: vantagem numérica do petista, mas dentro da margem
Entrevistando 2.006 pessoas por telefone entre 18 e 20 de setembro, o BTG/Nexus atribuiu 40% a Lula e 37% a Flávio Bolsonaro. A pequena folga de três pontos também não escapa da margem de erro de dois pontos percentuais. Na sondagem espontânea, em que o entrevistador não apresenta uma lista de nomes, a diferença diminui ainda mais: 40% a 34%.
Palver: liderança momentânea de Flávio Bolsonaro
Entre 15 e 18 de setembro, 5.000 eleitores foram ouvidos on-line pela Palver. Nesse recorte, Flávio Bolsonaro apareceu numericamente à frente, com 42%, contra 41% de Lula. A margem de erro da pesquisa (2,8 pontos) mantém o empate técnico. Renan Santos surpreendeu ao surgir com 11%, desempenho que ainda precisa ser confirmado por outros institutos.
Atlas/Bloomberg: alta para Lula, recorde de pontos para Cury
Na medição divulgada em 17 de setembro, Lula somou 44,1% e Flávio Bolsonaro, 41,7%. O Atlas entrevistou 5.018 eleitores em ambiente digital aleatório, com margem de erro de apenas um ponto percentual, a menor entre os institutos analisados. Augusto Cury obteve o seu melhor resultado até aqui: 3,5%.
Futura/100 % Cidades: empate numérico rigoroso
Ouvidos por telefone entre 11 e 15 de setembro, 2.000 brasileiros atribuíram 38,3% a Lula e 37,7% a Flávio Bolsonaro. Empate perfeito dentro da margem de 2,2 pontos. A pesquisa também testou a memória do eleitor para candidatos barrados: Pablo Marçal (PRTB) chegou a 1,9%, mas o instituto salientou que ele está inelegível.
Datafolha: disputa travada
Referência tradicional nas corridas eleitorais, o Datafolha ouviu 2.002 pessoas presencialmente nos dias 15 e 16 de setembro. Resultado: 39% para Lula, 36% para Flávio Bolsonaro. Cury manteve os 6% observados em outros levantamentos, enquanto Caiado ficou com 4%.
CNT/MDA: maior distância registrada
Na pesquisa com 2.002 entrevistas entre 9 e 13 de setembro, Lula aparece com 40,6% e Flávio Bolsonaro cai a 30,4%, diferença de 10,2 pontos – a maior detectada em setembro. Mesmo assim, o cenário espontâneo mostrou recuo dessa distância: 36,6% para o petista e 26,7% para o senador.
Terceira via tem fôlego limitado até agora
O cardiologista e escritor Augusto Cury, filiado ao Avante, consolidou-se como o principal nome fora do eixo PT-PL. Seu patamar, porém, estaciona entre 3% e 6%, percentual ainda distante para sonhar com o segundo turno. Renan Santos (Missão) apresentou desempenho relevante na Palver (11%), mas não repetiu o feito nos demais institutos, onde oscila entre 2% e 3%.
Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) varia de 1,6% a 5%, a depender da amostra. Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) raramente ultrapassam 2%. Outros pré-candidatos, como Rui Costa Pimenta (PCO) e o inelegível Pablo Marçal, aparecem apenas de forma residual.

Imagem: Internet
Margens de erro reforçam cautela na leitura dos números
A proximidade entre Lula e Flávio Bolsonaro ganha diferentes nuances conforme a metodologia aplicada. Pesquisas presenciais acabam beneficiando candidatos com maior recall nas regiões mais populosas, enquanto levantamentos por telefone ou internet tendem a captar variações mais rápidas, mas esbarram na cobertura de áreas com baixa inclusão digital ou limitada telefonia.
Quando a margem de erro é de dois pontos percentuais, por exemplo, um candidato que marca 40% pode, na prática, ter entre 38% e 42%. Se o rival anota 37%, também dentro de plus-minus de dois pontos, o intervalo real vai de 35% a 39%. Nessa situação, os recortes se sobrepõem e não é estatisticamente possível apontar um líder isolado.
Taxa de indecisos torna cenário ainda volátil
As parcelas de eleitores que preferem anular, votar em branco ou ainda não decidiram chegam a 15% em alguns institutos. Esse contingente pode redefinir toda a dinâmica nos próximos meses, sobretudo se houver fusões de chapas ou a retirada de candidaturas de menor alcance, fenômeno comum a partir do ano eleitoral.
Além dos indecisos, analistas monitoram a taxa de rejeição dos dois principais postulantes. À medida que a campanha aquece, o histórico mostra que a negação pode se sobrepor à preferência positiva, potencializando a busca por alternativas. Por ora, entretanto, a chamada terceira via não capitalizou esse espaço de forma consistente.
Próximos passos até o registro das candidaturas
Os pré-candidatos têm até agosto de 2026 para oficializar suas chapas no Tribunal Superior Eleitoral. Até lá, os números de setembro funcionam como termômetro prévio, mas estão sujeitos a movimentos bruscos motivados por negociações partidárias, conjuntura econômica e fatos inesperados.
Os principais partidos concentram esforços em alianças regionais que maximizem o tempo de TV e o acesso ao fundo eleitoral. É nesse tabuleiro que nomes de menor expressão buscam acomodação: Cury negocia palanque em Estados do Nordeste, Caiado tenta atrair siglas do Centrão, e Renan Santos explora adesão de movimentos evangélicos emergentes.
Metodologia resume abrangência e limitações
Todas as pesquisas citadas foram registradas na Justiça Eleitoral e seguiram percentuais de confiança de 95%. As amostras vão de 2.000 a pouco mais de 5.000 entrevistas, com margens de erro entre um e 2,8 pontos. Ainda que os levantamentos sejam tecnicamente corretos, eles refletem apenas o momento em que foram aplicados, não funcionando como previsão do resultado final.
Com novos levantamentos previstos para outubro, o quadro pode ganhar contornos mais definidos — ou reforçar a tendência de empate. Por enquanto, o recado das urnas virtuais é claro: nenhum dos favoritos pode descuidar dos 15% que ainda não escolheram em quem votar.