Doze pessoas, entre elas um cidadão indiano, perderam a vida nesta terça-feira (1º) quando mísseis e drones lançados pela Rússia atingiram Kiev e cidades vizinhas. O bombardeio, descrito pelo governo ucraniano como um dos maiores das últimas semanas, deixou ainda dezenas de feridos e interrompeu a rotina de volta às aulas, prevista para começar nesta semana no país.
O presidente Volodimir Zelensky voltou a cobrar dos aliados ocidentais o envio urgente de sistemas antimísseis, alegando que o estoque de interceptadores — sobretudo os norte-americanos Patriot — está no limite após o redirecionamento de parte desses recursos para o conflito no Oriente Médio.
Ataque em larga escala antes do retorno às aulas
As sirenes soaram na capital ucraniana logo no início da manhã, obrigando milhares de famílias a buscarem abrigo em estações de metrô, porões e abrigos antiaéreos. A ofensiva coincidiu com o último dia de férias de verão do calendário escolar no hemisfério norte, aumentando a sensação de vulnerabilidade entre pais e estudantes.
De acordo com o comando da Força Aérea da Ucrânia, a Rússia disparou uma combinação de mísseis balísticos, de cruzeiro e drones de reconhecimento ou ataque. O órgão afirma ter abatido cinco mísseis balísticos, cinco de cruzeiro e dois artefatos híbridos do tipo Banderol. Já o número de drones lançados seria de 218, dos quais 187 teriam sido neutralizados.
Alvos ferroviários e residenciais
Dentro da cidade de Kiev, sete das oito vítimas fatais estavam em um depósito ferroviário e em estruturas industriais vizinhas, conforme detalhou Oleksandr Pertsovskii, diretor do sistema ferroviário ucraniano. Os danos atingiram oficinas de manutenção, vagões estacionados e redes de abastecimento de combustível, provocando incêndios que só foram contidos no meio da tarde.
Fora da capital, quatro pessoas morreram na cidade de Borispil, a cerca de 30 km, quando um míssil perfurou um edifício residencial de cinco andares. Treze moradores ficaram feridos, alguns deles encaminhados a hospitais de Kiev em estado grave.
Resposta de Kiev e falta de interceptadores
Em pronunciamento em vídeo, Zelensky lamentou o “terror diário” imposto pela Rússia e insistiu que o fornecimento de baterias antiaéreas modernas é a única forma de salvar vidas civis. “Cada adiantamento no envio de defesa aérea significa mais mortes”, frisou o presidente.
Autoridades militares admitem reservadamente que o arsenal de mísseis Patriot, Iris-T e NASAMS foi severamente reduzido desde o fim de 2023, quando Washington e aliados começaram a dividir esses sistemas com Israel. A escassez faz a Ucrânia priorizar apenas alvos considerados mais letais, deixando drones de menor capacidade passarem com mais frequência.

Imagem: Internet
Moscou descreve ofensiva como “cirúrgica”
O Ministério da Defesa russo divulgou nota classificando a operação como um “ataque em larga escala com armas de alta precisão de longo alcance”. Segundo o comunicado, os alvos escolhidos incluíam “empresas do complexo militar-industrial e infraestrutura energética responsável pelo fornecimento de combustível às Forças Armadas da Ucrânia”.
A pasta também listou bombardeios contra instalações na região de Odessa e nos portos de Odessa e Chornomorsk, pontos estratégicos para a exportação de grãos e recepção de ajuda militar. Ainda de acordo com Moscou, as ações seriam parte de uma campanha para “reduzir a capacidade logística” das tropas ucranianas ao longo da linha de frente.
Porto estratégico russo em chamas
Enquanto Kiev lidava com o estrago em seu território, a Rússia confirmava um incêndio no porto de Ust-Luga, no Golfo da Finlândia, após o que qualificou como “ataque massivo de drones ucranianos”. O governador da região de Leningrado, Alexander Drozdenko, relatou a derrubada de 52 drones e assegurou que não houve vítimas.
Ust-Luga é peça central da cadeia de exportação russa de fertilizantes, petróleo e carvão. Nos últimos meses, o terminal se tornou alvo frequente de incursões aéreas que, mesmo sem provocar grandes estragos estruturais, geram atrasos no embarque de cargas e aumentam custos logísticos.
Escalada de drones transfronteiriços
O intercâmbio de ataques não tripulados entre Rússia e Ucrânia intensificou-se desde o fim do ano passado. Kiev considera essas ações uma forma de levar a guerra até regiões antes poupadas, tentando desorganizar a retaguarda industrial russa. Moscou, por sua vez, utiliza drones de fabricação iraniana e mísseis de longo alcance para manter pressão constante sobre centros urbanos ucranianos, impondo elevados gastos em defesa antiaérea.
{internal_links}