Alexandre Pires encerra 4º dia da Festa de Barretos com pagonejo e participação de Marrone

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    O palco principal do parque do Peão se transformou em pista de dança na madrugada de domingo, quando Alexandre Pires assumiu as rédeas da arena e, ao som do projeto “Pagonejo Bão”, colocou milhares de fãs para cantar e sambar. Última atração do quarto dia da 71ª edição da Festa do Peão de Barretos, o mineiro fez da mistura entre pagode e sucessos sertanejos o combustível de um espetáculo que prendeu o público até o amanhecer.

    Do primeiro ao último acorde, a apresentação foi marcada por coreografias espontâneas na plateia, coro afinado nas arquibancadas e a química evidente entre o artista, sua banda e os backing vocals que o acompanharam. Entre passinhos de samba no pé e o balanço característico que o consagrou desde os tempos de Só Pra Contrariar, Pires reafirmou a capacidade de transitar por diferentes vertentes da música popular sem perder a identidade.

    Show encerra o quarto dia da maratona sertaneja

    Barretos atravessava a metade de sua programação quando Alexandre Pires pisou no palco como atração derradeira da quarta noite. Ao vivo, a passagem dos artistas anteriores ficou para trás; o cronograma ainda incluía montarias e provas cronometradas, mas o cantor tinha a missão de fechar a agenda com fôlego de festival. Iluminado pelos refletores que varriam a arena, ele surgiu pontualmente acompanhado por um grupo de músicos que, logo nos primeiros acordes, anunciou o tom festivo do repertório.

    Ao passo que os versos ecoavam pelas estruturas metálicas e arquibancadas lotadas, ficava claro que o espetáculo foi pensado para manter o público de pé. A alternância entre faixas de pagode e releituras sertanejas criava picos de empolgação, evitando pausas longas ou discursos extensos. Com isso, a arena permaneceu tomada até depois das três da manhã, cenário que consolidou o evento como um dos mais aguardados desta edição.

    Pagonejo Bão: quando o pagode abraça o sertanejo

    Nascido da vontade de aproximar dois dos ritmos mais populares do país, o “Pagonejo Bão” reuniu canções consagradas da música sertaneja repaginadas em levadas de pagode. Na prática, grandes clássicos ganharam novas harmonias de cavaquinho, surdo e repiques de tamborim, criando versões que mantêm a essência romântica do sertanejo enquanto convidam o público a sambar.

    Esse trânsito sem fronteiras de gêneros foi, aliás, o fio condutor da noite. Ao longo do set, Alexandre Pires alternou sucessos próprios com hits sertanejos que atravessam gerações. Cada introdução trazia coro imediato da plateia, comprovando familiaridade tanto com o repertório pagodeiro quanto com as modas de viola revisitadas. A receita, experimentada em outros palcos pelo país, encontrou em Barretos o espaço ideal para ganhar proporções de arena, dadas a tradição sertaneja do festival e a abertura do público a novas combinações sonoras.

    Backings e banda reforçam o clima de roda de samba

    No centro da produção, Pires contou com vocais de apoio que, além de dar peso às harmonias, reforçaram o espetáculo coreográfico. Em diversos momentos, o trio de backing vocals se posicionou à frente, dividiu microfones e executou passos sincronizados, transformando o show em uma espécie de roda de samba ampliada. A presença deles também permitiu arranjos vocais mais ricos, nos quais contracantos e segundas vozes ressaltaram refrões conhecidos.

    Marrone sobe ao palco e faz dueto surpresa

    O ponto alto veio quando Marrone, da dupla Bruno & Marrone, foi anunciado e atravessou a passarela em direção ao centro do palco. A surpresa desencadeou gritos vindos das arquibancadas laterais e do “gramado”, onde o público se amontoava junto às grade de proteção. Ao microfone, Marrone uniu seu timbre grave às batidas do pagode, criando um encontro incomum entre voz tradicionalmente sertaneja e base percussiva típica das rodas de samba.

    A presença do convidado selou o conceito de fusão de estilos que sustentou todo o roteiro da noite. O dueto, breve mas simbólico, costurou versos em que a sanfona imaginária cedeu espaço a tantãs e pandeiros sem prejuízo da carga emotiva original. Nas primeiras fileiras, fãs gravavam o momento em celulares erguidos, enquanto casais se abraçavam ao som de refrões que falam de encontros e despedidas.

    Público dança, canta e transforma a arena em salão aberto

    Se fotografar emoções é um desafio, as lentes que flagraram o show de Alexandre Pires comprovaram a adesão maciça do público. Os registros mostram sorrisos abertos, mãos erguidas e passos que variavam entre o tradicional “dois pra lá, dois pra cá” do pagode e giros típicos de bailão sertanejo. Em uma das fotos, um grupo de amigos aparece abraçado, cantando em uníssono, enquanto luzes coloridas se projetam atrás do palco – reflexo direto da explosão rítmica que dominou a madrugada.

    Fãs mais jovens dividiram espaço com espectadores que acompanham o cantor desde a década de 1990, período em que o Só Pra Contrariar despontou nacionalmente. A diversidade etária reforçou a tese de que a fórmula pagonejo não conhece fronteiras geracionais. Cada refrão gerava resposta imediata, e, ao término das músicas, o eco das palmas competia com o toque seco dos surdos que anunciavam o próximo número do setlist.

    Samba no pé e molejo contagiam do palco às arquibancadas

    Os passos de Alexandre Pires serviram de guia para coreografias improvisadas. Do alto do palco, ele girava o corpo, sinalizava as “colheres” com as mãos e, em seguida, convidava o público a repetir o movimento. O reflexo vinha em ondas: primeiro na pista premium, depois nas filas mais distantes, até que a arquibancada completa balançasse em sincronia. As câmeras de transmissão interna alternavam closes no artista e planos gerais da arena, evidenciando a animação coletiva.

    Repertório marcado por sucessos e clima de celebração

    Embora o show tenha privilegiado a mistura de estilos, havia espaço para canções próprias eternizadas na voz do artista. Entre uma releitura sertaneja e outra, os versos de antigos hits confirmaram o carisma do cantor perante o público. Cada introdução era suficiente para que o coro se formasse espontaneamente, reforçando a atmosfera nostálgica de quem acompanha a carreira do intérprete há décadas.

    O fio condutor, entretanto, permaneceu a celebração do encontro. A proposta de aproximar dois universos sonoros refletiu-se não apenas nos arranjos, mas também no comportamento dos espectadores: sertanejos ensaiando gingado de pagode, pagodeiros soltando a voz em modas de viola. No fim, o resultado foi um mosaico musical que reforçou o poder agregador dos grandes festivais populares.

    Alexandre Pires agradece e projeta novas paradas da turnê

    Antes de deixar o palco, o cantor agradeceu a recepção calorosa e acenou para todos os setores da arena. “Barretos, vocês são demais”, disse, levantando aplausos que ecoaram por longos segundos. A banda permaneceu em rubato, segurando a harmonia enquanto ele se despedia. Mesmo sem revelar detalhes sobre as próximas datas, Pires indicou que o “Pagonejo Bão” seguirá na estrada, promessa que arrancou novo coro de aprovação.

    Enquanto as luzes se apagavam e a locução oficial anunciava o fim das atrações da madrugada, o público começou a deixar o recinto entoando, em coro, trechos de músicas cantadas minutos antes. Foi a confirmação de que, em Barretos, o casamento entre pagode e sertanejo encontrou terreno fértil – e que a madrugada de 27 de agosto de 2026 ficará gravada como a noite em que Alexandre Pires selou essa união diante de uma arena lotada.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.