Sob chuva e nostalgia, César Menotti & Fabiano exaltam o sertanejo em Barretos e unem três gerações no palco

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    A chuva insistente que caiu na noite de quarta-feira (26) não impediu que o Estádio de Rodeios de Barretos (SP) ficasse lotado. Sob capas e guarda-chuvas, o público acompanhou o aguardado retorno de César Menotti & Fabiano ao principal palco da Festa do Peão, dando início à segunda semana de programação musical do evento.

    Em pouco mais de duas horas de apresentação, os irmãos transformaram o espetáculo em um tributo à história do sertanejo: mesclaram sucessos próprios, clássicos de ídolos que os inspiraram e abriram espaço para herdeiros de nomes consagrados – tudo costurado por depoimentos emocionados sobre a relação da dupla com Barretos, iniciada há mais de duas décadas.

    O reencontro com o “Barretão”

    A noite começou com “De Barretos a Nashville”, composição que revela o elo entre as raízes caipiras e a moderna indústria country. Logo após o primeiro refrão, César saudou a plateia: “Mudamos o repertório para cantar junto com vocês aquilo que também ouvimos em casa”. A frase resumiu o tom nostálgico do show, que alternou hits como “Não Era Eu”, “Lado Esquerdo” e “Caso Marcado” com releituras de outras duplas que marcaram época.

    Para os artistas, pisar no palco do Barretão continua a carregar significado especial. Embaixadores da festa em 2023 e 2024, eles recordaram o começo de carreira, quando, ainda desconhecidos, circulavam entre barracas tentando cantar alguma moda de viola. “A semente foi plantada ali e brotou aqui”, disse Fabiano, arrancando aplausos das arquibancadas lotadas.

    Homenagem aos pilares do gênero

    Entre uma música autoral e outra, a dupla costurou um passeio cronológico por nomes que construíram a base do sertanejo. O público cantou em coro “Página de Amigos”, lembrando Chitãozinho & Xororó, e se emocionou com “O Grande Amor da Minha Vida”, sucesso de Gian & Giovani. Também houve espaço para Matogrosso & Mathias, Zezé Di Camargo & Luciano, Milionário & José Rico, Trio Parada Dura e Chrystian & Ralf.

    O momento mais intimista ocorreu quando César e Fabiano pediram para que luzes de celulares substituíssem os refletores. Com a arena iluminada por pontos brancos, entoaram à capela “Saudade”, acompanhados por um coro que preenchia arquibancadas, camarotes e área vip. A cena reforçou o caráter coletivo de uma noite dedicada não apenas a recordes de público, mas à memória afetiva de quem cresceu ouvindo modas de viola.

    Vozes que garantem o futuro

    O show ganhou tom familiar quando Júlia, filha de Fabiano, surgiu no palco. Aos 12 anos, a jovem já contabiliza quatro participações na Festa de Barretos. Cantou sozinha “Por Um Minuto”, de Bruno & Marrone, e dividiu os microfones com o pai em “Minha Estrela Perdida” e “Fim da Noite”. O público vibrou ao perceber que a tradição musical dos Menotti ganha nova intérprete.

    Outra presença celebrada foi a de Sami Rico, filho de José Rico. Em sua primeira vez na arena barretense, ele reviveu “A Carta”, eternizada pela dupla Milionário & José Rico. A voz com timbre semelhante ao do pai e a cumplicidade com César Menotti & Fabiano renderam um dos ápices da noite, mostrando a passagem simbólica de bastão entre gerações.

    Música, fé e solidariedade

    Em meio à sequência de clássicos, os irmãos dedicaram “Tá Chorando Por Quê?” ao influenciador e ex-piloto Lito Sousa, diagnosticado com doença rara de rápida evolução. “Que a energia dessa arena se transforme em força para a sua recuperação”, disse César, antes de iniciar a canção. O momento foi marcado por silêncio respeitoso seguido de coro emocionado.

    Além do tributo, a dupla reforçou a importância da diversidade de estilos dentro do próprio sertanejo. Canções românticas, modões de viola e hits mais recentes dividiram espaço, evidenciando como o gênero evoluiu sem perder as raízes.

    Apoteose sertaneja

    Na reta final, não poderiam faltar os dois maiores hinos da carreira dos mineiros. “Leilão” e “Ciumenta” fecharam a apresentação em clima de catarse coletiva, com milhares de vozes se sobrepondo à chuva que ainda caía. Fogos de artifício iluminaram o céu enquanto a dupla se despedia.

    A performance consolidou a condição de César Menotti & Fabiano como embaixadores afetivos da Festa do Peão. Ao unir sucessos próprios, reverenciar ídolos e abrir espaço para novos talentos, eles entregaram um resumo vibrante de mais de 50 anos de música sertaneja – tudo em uma única noite que começou debaixo d’água e terminou em pura celebração.

    Setlist resumido

    • De Barretos a Nashville
    • Nova York (Chrystian & Ralf)
    • Como um Anjo
    • Não Era Eu
    • Página de Amigos (Chitãozinho & Xororó)
    • Entre a Serpente e a Estrela (Zé Ramalho)
    • Saudade (à capela)
    • A Carta – com Sami Rico
    • Por Um Minuto – com Júlia Menotti
    • Tá Chorando Por Quê? – dedicada a Lito Sousa
    • Leilão
    • Ciumenta

    Com esse roteiro, a dupla abriu a segunda semana da 71ª edição da Festa do Peão de Barretos, reforçando a cidade como um dos principais palcos da música sertaneja brasileira e comprovando que, mesmo em noites chuvosas, a conexão entre artista e plateia continua inabalável.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.