Influenciadora fere tio com canivete após acusação de abuso contra a filha em Franca

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    Uma discussão familiar terminou em violência e provocou duas investigações paralelas em Franca (SP). A influenciadora digital Laryssa Campanati Pereira, de 25 anos, golpeou o tio e padrinho de sua filha, Maikel Wilker Martins, 41, com um canivete depois de acusá-lo de ter abusado sexualmente da menina de cinco anos. O homem recebeu atendimento na Santa Casa, foi liberado e, até o momento, ninguém foi preso.

    O episódio, registrado na manhã de segunda-feira (24), ocorreu em frente à loja onde trabalha a tia materna de Laryssa. Além do corte no abdômen do suspeito, a influenciadora saiu do confronto com escoriações nos braços, nas mãos, nas costas e nas pernas e passou por exame de corpo de delito. A Polícia Civil apura a lesão corporal, enquanto a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) conduz inquérito separado sobre o suposto abuso infantil.

    Como a denúncia veio à tona

    Relato da criança e busca por ajuda

    Segundo o boletim de ocorrência, a filha de Laryssa contou no dia 21 de agosto que havia sido tocada pelo padrinho de forma inapropriada. Ao tomar conhecimento do relato, a influenciadora procurou duas unidades do Conselho Tutelar em busca de orientação, mas afirma não ter recebido retorno imediato. O órgão, por sua vez, diz funcionar 24 horas e sustenta que só tomou conhecimento do caso pelas redes sociais no início da tarde do dia 24, mesmo dia da agressão.

    Enquanto aguardava posicionamento das autoridades de proteção à criança, Laryssa decidiu levar a denúncia diretamente à tia, esposa de Maikel. Foi nesse deslocamento que a situação escalou.

    Dinâmica do confronto

    De acordo com o registro policial, a influenciadora chegou à loja da tia para relatar o que havia acontecido. Maikel, que também estava no local, teria se aproximado e perguntado se ela já conhecia os detalhes do suposto abuso. Na sequência, ele foi até o próprio veículo, retornando logo depois. Temendo ser agarrada, Laryssa diz ter sacado um canivete que carregava na bolsa e desferido o primeiro golpe no abdômen do tio. Ela sustenta que agiu em legítima defesa.

    Ferimentos e atendimento médico

    Após ser atingido, Maikel conseguiu conter a sobrinha, pressionando-a contra o encosto de um banco. A jovem afirma que, nesse momento, efetuou novos golpes enquanto gritava por socorro. Testemunhas acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que levou o homem à Santa Casa de Franca; ele foi liberado poucas horas depois. Laryssa, por sua vez, apresentou feridas superficiais e foi encaminhada ao Instituto Médico-Legal.

    Atuação dos órgãos de proteção

    O Conselho Tutelar informou que o boletim de ocorrência registrado na DDM chegou ao setor às 14h24 do dia 24. Desde então, conselheiros mantêm contato com a família para definir medidas de proteção à criança, como possível acompanhamento psicológico e eventual pedido de medida protetiva contra o padrinho. Paralelamente, a menina deve ser submetida a exame de corpo de delito e a entrevistas com peritos especializados em escuta humanizada.

    Posição dos envolvidos

    Fala da influenciadora nas redes sociais

    Em meio à repercussão do caso, o perfil de Laryssa nas redes sociais saltou de 14 mil para cerca de 300 mil seguidores em menos de 48 horas. Em vídeos publicados na terça-feira (25), ela declarou sentir culpa por não ter percebido antes os sinais de abuso e pediu que pais e responsáveis escutem atentamente as crianças. “O único culpado é ele”, afirmou, referindo-se ao tio.

    Defesa do suspeito

    A reportagem tentou contato com representantes de Maikel Wilker Martins, mas não obteve retorno até a última atualização deste texto. O investigado, entretanto, deve ser chamado a depor nos próximos dias, quando poderá apresentar sua versão dos fatos.

    Linhas de investigação

    No inquérito sobre lesão corporal, delegados têm até seis meses para formalizar eventual representação criminal contra Laryssa. A equipe analisa imagens de câmeras próximas à loja, laudos de exame de corpo de delito e depoimentos de testemunhas para concluir se houve legítima defesa.

    Já a apuração do possível estupro de vulnerável segue na Delegacia de Defesa da Mulher. A delegada responsável recolhe provas médicas, psicológicas e testemunhais para verificar a veracidade das alegações. Se comprovado o abuso, o padrinho pode responder criminalmente por crime hediondo, cuja pena varia de oito a 15 anos de reclusão.

    Embora os dois inquéritos tramitem em separado, a conclusão de um poderá influenciar o outro, sobretudo se ficar demonstrado que a agressão decorreu de uma reação imediata à violência sexual sofrida pela criança. Até agora, não há pedidos de prisão preventiva nem para a influenciadora nem para o tio.

    As investigações prosseguem, e a menina permanece sob guarda da mãe. O Ministério Público deverá ser acionado para acompanhar os desdobramentos e propor eventuais medidas judiciais.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.