Lula pressiona Senado a votar regras para minerais críticos e alerta sobre avanço estrangeiro

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que empresas estrangeiras estão adquirindo minerais estratégicos brasileiros antes mesmo de o país definir um marco regulatório para o setor. Ao lado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, ele cobrou que o projeto da Política Nacional de Minerais Críticos seja levado a voto na próxima semana.

    Em almoço no Palácio da Alvorada, Lula classificou a riqueza mineral como “sagrada” e disse que cabe ao Estado garantir que a exploração gere valor agregado dentro do Brasil. A proposta já foi aprovada pelos deputados em maio e, se confirmada pelos senadores, criará um fundo de R$ 5 bilhões para estimular investimentos nacionais.

    Pressão do Planalto sobre o Senado

    O chefe do Executivo reforçou que a regulamentação é condição para proteger a soberania sobre reservas de lítio, cobalto, níquel, grafite e outros 17 elementos reunidos no grupo das chamadas terras raras, insumos decisivos para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores. “Não é riqueza minha, nem do Alcolumbre, nem do Hugo Motta. É do povo brasileiro”, declarou.

    Alcolumbre respondeu que levará o texto ao plenário na próxima semana. “Quando falamos de soberania, temos que falar da soberania na sua plenitude”, disse o senador, que reconheceu a necessidade de reagir às tratativas de “outros países vindo ao Brasil comprar as nossas riquezas”.

    R$ 5 bilhões para estruturar a cadeia interna

    O projeto estabelece:

    • Política Nacional de Minerais Críticos, com diretrizes para pesquisa, lavra e industrialização;
    • Fundo de Apoio à Indústria de Minerais Críticos, capitalizado em R$ 5 bilhões;
    • Incentivos para que empresas processem e fabriquem produtos de maior valor no território nacional, evitando a simples exportação de matéria-prima.

    Parlamentares aliados ao governo afirmam que a medida responde à corrida global por elementos indispensáveis à transição energética e à indústria de alta tecnologia, cenário que elevou a pressão diplomática e comercial sobre países detentores de reservas.

    Disputa internacional por terras raras

    O apelo de Lula ganhou peso dias depois de a norte-americana USA Rare Earth anunciar avanço na compra da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil, localizada em Minaçu, norte de Goiás. A companhia informou ter assegurado US$ 1,55 bilhão (cerca de R$ 7,7 bilhões) para viabilizar o negócio.

    Negócio bilionário com apoio do Departamento de Guerra dos EUA

    Do montante anunciado, US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões) virão do Departamento de Guerra dos Estados Unidos. A aquisição ainda depende de aprovação de acionistas em assembleia marcada para esta sexta-feira (28). Caso se confirme, as operações das duas empresas serão combinadas para formar uma cadeia completa de produção de ímãs fora da Ásia, região hoje dominante nesse mercado.

    Integrantes do governo federal manifestaram oposição à transação, pois consideram que a exploração por grupo estrangeiro contraria o objetivo de manter sob controle nacional a pesquisa, o beneficiamento e a industrialização desses elementos.

    Redata volta ao radar dos senadores

    No mesmo pacote de votações, Alcolumbre afirmou que pretende incluir o projeto que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). A proposta oferece incentivos à instalação de centros de processamento de dados no país e havia sido enviada originalmente por medida provisória, que perdeu a validade em fevereiro por falta de deliberação no Senado.

    Soberania digital e interesse privado

    Lula chamou o Redata de tema de “soberania” por enxergar na expansão de datacenters um instrumento para armazenar e processar informações estratégicas dentro do território nacional. Alcolumbre alegou que, na ocasião da MP, não havia Comissão Mista instalada e os senadores se sentiam desconfortáveis em votar. Com o novo texto já aprovado na Câmara, ele pretende concluir a análise “pela importância para os investimentos” no país.

    Calendário apertado e clima de urgência

    Com recesso parlamentar se aproximando, a articulação do Palácio do Planalto busca acelerar a tramitação. Líderes governistas esperam que o projeto dos minerais críticos seja pautado logo após a leitura do relatório. Caso sofra alterações, precisará retornar à Câmara, o que pode empurrar a sanção para o fim do semestre.

    Enquanto isso, interlocutores do Ministério de Minas e Energia destacam que a demora estimula movimentos de capital estrangeiro sobre ativos nacionais. A conclusão da compra da Serra Verde por um grupo dos Estados Unidos, argumentam, reforçaria essa percepção e aumentaria a pressão sobre o Congresso.

    O que está em jogo

    • Reserva estratégica – O Brasil possui jazidas relevantes de minerais críticos, mas carece de capacidade industrial para capturar maior parte do valor agregado.
    • Soberania econômica – Sem regras claras, o governo teme perder controle sobre cadeias produtivas consideradas essenciais.
    • Transição energética – A demanda global por baterias e tecnologia limpa projeta aumento acelerado no consumo de lítio, cobalto e terras raras.
    • Investimento estrangeiro x nacional – O Palácio do Planalto busca atrair capitais privados brasileiros antes que concorrentes internacionais ocupem o espaço.

    Para Lula, a combinação da Política de Minerais Críticos com o Redata representa um passo estratégico: de um lado, fortalece a cadeia mineral; de outro, cria infraestrutura digital necessária para que o país processe dados científicos e industriais ligados a essa atividade. A expectativa do governo é converter ambos os projetos em lei ainda neste primeiro semestre legislativo — e, assim, tentar garantir que a riqueza sob o solo brasileiro impulsione também a indústria sobre ele.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.