Dois policiais militares de folga foram presos em flagrante na madrugada de segunda-feira (24) após serem reconhecidos por três jovens como autores de roubo e do estupro de uma adolescente de 17 anos, na região da Avenida Itaquera, Zona Leste da capital paulista. Segundo o depoimento das vítimas, os agentes armados ofereceram carona, anunciaram o assalto durante o trajeto e levaram o grupo para uma área isolada no Parque Jacuí/Pantanal.
Ao chegar ao local ermo, um dos PMs separou a adolescente dos amigos — “eu quero ela”, teria dito —, conduziu a jovem a outro ponto da mata e a violentou sexualmente, enquanto o comparsa mantinha os demais sob ameaça de arma de fogo. Na fuga, a dupla abandonou as vítimas, que conseguiram pedir socorro a uma viatura próxima e relatar toda a sequência de crimes.
Passo a passo do crime
O caso começou em uma adega na Avenida Itaquera, onde os três jovens se divertiam. Por volta da 1h, um Volkswagen Fox cinza ocupado pelos PMs Victor Miguel Sebastião da Silva e Willian Santana Santos — ambos de folga e sem farda — estacionou em frente ao estabelecimento. Eles se identificaram como clientes, puxaram conversa e ofereceram a carona.
Instantes depois de entrarem no veículo, as vítimas perceberam que seriam assaltadas. Os policiais anunciaram o roubo, sacaram as armas e proibiram que qualquer um tentasse escapar. Celulares, carteiras e outros pertences foram recolhidos. Em seguida, o motorista desviou do trajeto principal e entrou por uma estrada de terra que dá acesso ao Parque Jacuí/Pantanal, ponto conhecido pelo baixo fluxo de pessoas durante a madrugada.
Separação e violência
Ao estacionar perto de um lixão, os três jovens foram ordenados a descer. O policial apontado como estuprador olhou para o grupo e escolheu a adolescente: “eu quero ela”, segundo o relato do amigo ouvido no 24º Distrito Policial (Ponte Rasa). A garota foi colocada de volta no carro e levada para um trecho ainda mais afastado, onde ocorreu o abuso.
Enquanto isso, o segundo PM permaneceu com as outras duas vítimas na mata, ameaçando‐as com uma pistola. “Você acha que só o meu parceiro está armado? Eu também estou”, teria dito, reforçando que reagir poderia resultar em morte.
Fuga e pedido de socorro
Depois do estupro, os policiais libertaram a adolescente e abandonaram o trio no meio do matagal. Desorientados, os jovens caminharam até encontrar uma viatura da Polícia Militar em patrulhamento. Abaladas, as vítimas narraram o assalto, a violência sexual e descreveram minuciosamente o veículo dos suspeitos.
As informações foram transmitidas via rádio. Ainda na madrugada, o sistema da corporação identificou que o Fox cinza estava registrado em nome de um soldado que entraria de serviço poucas horas depois. Um tenente localizou os policiais e os conduziu à delegacia, onde ocorreu o flagrante.
Reconhecimento e prisão
No 24º DP, a adolescente e os amigos fizeram reconhecimento pessoal e confirmaram que Victor Miguel Sebastião da Silva participou do roubo e do estupro, enquanto Willian Santana Santos foi apontado como coautor do roubo e responsável por manter as vítimas sob ameaça.

Imagem: roubo e estupro de adolescente SP
Com base nos depoimentos, a autoridade de plantão deu voz de prisão aos dois agentes por roubo qualificado e estupro de vulnerável. Um oficial da Corregedoria acompanhou todos os procedimentos. Os PMs foram levados ao Presídio Militar Romão Gomes, onde permanecem à disposição da Justiça.
Posicionamento da Polícia Militar e da SSP
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a corporação “não tolera desvios de conduta” e agiu com “firmeza” ao apresentar imediatamente os envolvidos à Polícia Civil. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar administrativamente o caso, sem prejuízo da investigação criminal conduzida pelo delegado responsável.
A Corregedoria também apreendeu as armas funcionais dos acusados e determinou a coleta de provas periciais, incluindo exame de DNA e perícia nos celulares recolhidos pelas vítimas.
Defesa dos acusados
A defesa de Willian Santana Santos declarou que “adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para provar a sua inocência” e, por estratégia, não dará detalhes adicionais neste momento. O representante de Victor Miguel Sebastião da Silva não se manifestou até o fechamento desta edição.
Próximos passos na Justiça
O Ministério Público deve analisar o inquérito da Polícia Civil assim que concluído para oferecer denúncia à Vara Criminal de São Paulo. Se condenados, os PMs podem pegar penas que somam mais de 30 anos de reclusão, além de expulsão da corporação em processo administrativo.
Enquanto isso, a adolescente de 17 anos e os amigos recebem acompanhamento psicológico disponibilizado pela Secretaria Municipal da Saúde. A Delegacia de Defesa da Mulher também foi acionada para garantir medidas protetivas, caso sejam necessárias.
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