Cadela idosa abandonada em calçada de São Vicente luta pela vida após resgate

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    Uma cadela de aproximadamente 13 anos permanece internada em estado crítico depois de ser deixada, durante a noite, em uma calçada do bairro Vila Valença, em São Vicente, litoral de São Paulo. As imagens de uma câmera de monitoramento mostram o instante em que um homem deposita o animal no chão por volta das 21h30 da sexta-feira (21) e, antes de partir, cobre-o apenas com um pedaço de madeira.

    O resgate ocorreu quase 15 horas depois, no fim da manhã de sábado (22), quando um casal que passava pelo local percebeu que a cadela mal se mexia. A mulher, que prefere não se identificar, enrolou o animal em uma toalha e o levou às pressas a uma clínica veterinária. Desde então, uma rede de voluntários tenta estabilizar o quadro, descrito pelos profissionais como “multifatorial e gravíssimo”.

    Flagrante do abandono

    As câmeras instaladas em residências próximas registraram o momento do abandono. Nas imagens, o homem chega a pé, posiciona a cadela junto ao muro de uma casa e coloca sobre ela a tábua que carregava. Em seguida, vai embora sem olhar para trás. O casal responsável pelo socorro voltou ao endereço para coletar o vídeo e, com a gravação em mãos, pretende acionar as autoridades.

    Segundo vizinhos, ninguém no quarteirão reconheceu o suspeito, o que indica que ele pode ter vindo de outro bairro ou até mesmo de uma cidade vizinha. Até a tarde desta segunda-feira (24), porém, não havia boletim de ocorrência registrado. A prioridade, explicam os tutores temporários, foi garantir o atendimento veterinário imediato.

    Primeiros socorros e agravamento do quadro

    No consultório, a cadela chegou praticamente sem reagir. “Ela estava quase sem respirar, precisou de oxigênio, soro e medicamentos na veia logo na triagem”, relata a mulher que a resgatou. Horas depois de ser liberada para observação domiciliar, o animal começou a convulsionar e voltou a ser internado, desta vez na Casa dos Animais, também em São Vicente.

    O endocrinologista veterinário Heitor Felippelli, que soube do caso pelas redes sociais, passou a acompanhar o tratamento. Ele explica que os exames acusaram glicemia superior a 560 mg/dL — nível tão alto que o aparelho nem conseguiu marcar o valor exato —, configurando um quadro de cetoacidose diabética. A cadela ainda apresenta tumor mamário avançado e suspeita de piometra, infecção uterina que coloca a vida em risco.

    Entenda a cetoacidose diabética

    • É uma complicação grave do diabetes que surge quando o organismo, sem insulina suficiente, passa a quebrar gordura para obter energia.
    • Como subproduto, libera cetonas em excesso, acidificando o sangue.
    • Entre os sinais clínicos estão náusea, perda de apetite, fraqueza extrema e desidratação severa.

    Felippelli alerta que o conjunto de doenças indica abandono prolongado. “Essa cadela não ficou doente da noite para o dia; ela vinha sendo negligenciada havia tempo. O abandono na rua foi apenas o capítulo final”, observa.

    Desdobramentos legais ainda pendentes

    Apesar da comoção nas redes sociais, a formalização do caso na Polícia Civil não ocorreu até o momento. O médico-veterinário argumenta que toda a energia da equipe está voltada à estabilização do animal, mas reconhece a importância da denúncia para que o responsável seja identificado e responda por maus-tratos, crime previsto em lei.

    Organizações de proteção animal de São Vicente se prontificaram a acompanhar o processo quando o boletim de ocorrência for registrado. Enquanto isso, voluntários arrecadam doações para custear a internação e os medicamentos, cujo valor já ultrapassa a capacidade financeira do casal que acolheu a cadela temporariamente.

    Mobilização nas redes e expectativa de recuperação

    Imagens e laudos médicos publicados em perfis de ONGs locais ganharam alcance estadual no fim de semana. Diversos usuários ofereceram apoio financeiro e até mesmo lar definitivo, caso a cadela sobreviva às próximas 48 horas, consideradas as mais críticas pelos veterinários.

    O protocolo terapêutico atual inclui fluidoterapia intensiva, insulina de ação rápida, antibióticos de amplo espectro e monitoramento cardíaco contínuo. A suspeita de piometra será confirmada ou descartada após estabilização metabólica, quando o animal puder ser sedado para exames de imagem mais precisos.

    Convulsões controladas

    Desde a reinternação, não foram observadas novas crises convulsivas. No entanto, a cadela permanece fraca, alimentando-se apenas por meio de seringa e ainda incapaz de ficar em pé. “Estamos lutando contra o tempo e contra uma somatória de problemas que poderiam ter sido evitados com cuidados básicos”, resume Felippelli.

    Orientações sobre maus-tratos

    O caso reacendeu o debate sobre a responsabilidade de denunciar agressões ou negligência contra animais. De acordo com a legislação brasileira, qualquer cidadão que testemunhe maus-tratos pode registrar ocorrência em delegacias comuns ou especializadas e apresentar provas como fotos, vídeos ou laudos veterinários. Para emergências, órgãos municipais de vigilância sanitária ou guardas civis metropolitanas costumam manter canais de atendimento 24 horas.

    Em São Vicente, a Secretaria de Bem-Estar Animal orienta que denúncias façam referência ao endereço exato, data, hora e, sempre que possível, incluam material que identifique o suspeito. O silêncio, lembram os protetores, permite que situações como a da cadela idosa se repitam.

    Próximos passos

    A equipe veterinária fará reavaliações clínicas a cada seis horas. Caso a glicemia baixe e os parâmetros vitais se estabilizem, existe a possibilidade de cirurgia para remoção do tumor mamário e esterilização, medida que também trataria a piometra, se confirmada. O procedimento, porém, só será cogitado quando os riscos anestésicos diminuírem.

    Enquanto isso, a cadela recebe visitas diárias da mulher que a encontrou, agora madrinha oficial do tratamento. Ela conta que a cadela responde a carinhos balançando o rabo, sinal discreto, porém suficiente para renovar a esperança de todos os envolvidos.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.