Determinada a fincar de vez as garras no trono de Batanga, Binta transforma o erro da enteada num golpe de mestre. Depois de a princesa Kênia ser capturada ao tentar escapar do palácio, a nova rainha convence Jendal a impor um castigo capaz de calar qualquer rebeldia: forçar a jovem a se casar com o guarda Pascoal, militar que a prendeu e fiel aliado do tirano.
A proposta visa não só domesticar a herdeira, mas também recompensar o oficial que arriscou a vida para impedir a fuga. Desconcertado pela traição da filha, Jendal cede à tentação de um gesto exemplar e passa a considerar a união como estratégia para conter a resistência que cresce às escondidas no reino.
Fuga frustrada reacende a ira real
O plano de Kênia começou com a venda silenciosa de joias, escondidas em doações de roupas que saíam do castelo. Com o dinheiro, ela pretendia manter Dumi, integrante da insurgência, a salvo fora dos muros de Batanga. Pascoal, no entanto, notou o peso incomum dos tecidos e decidiu seguir a princesa durante o baile de casamento que animava o palácio.
O oficial flagrou o encontro de Kênia com o aliado rebelde e impediu a saída dos dois. De volta aos corredores, a jovem foi trancafiada no antigo quarto de visitas, longe de qualquer servidão que pudesse ajudá-la. A ira de Jendal foi instantânea: ordenou jejum forçado e isolou a filha até decidir a punição adequada.
Binta enxerga oportunidade de ouro
Enquanto Chinua, conselheiro de longa data da coroa, implorava permissão para alimentar a princesa, Binta se empenhava em inflamar a indignação do rei. Na presença de Pascoal, ela destacou a lealdade e a coragem do guarda, sublinhando que nenhum outro soldado teria se arriscado tanto por Batanga.
Proposta cruel
Sozinhos, Binta foi direto ao ponto: conventos já não contêm princesas dispostas a tudo por liberdade. Um marido implacável, capaz de vigiá-la dia e noite, seria solução definitiva. E quem melhor do que o homem que a capturou? Numa fala milimetricamente calculada, a rainha emendou que Pascoal “já provou conseguir dominar Kênia”.
Jendal, afundado na frustração, sentiu ecoar a lembrança do atentado contra seu antigo amor — episódio pelo qual Pascoal também fora carrasco. A repetição simbólica do controle sobre o destino de Kênia, portanto, teria gosto agridoce de vingança e obediência.
Clima de tensão no palácio
A proposta circulou em sussurros pelos corredores e elevou a tensão interna. Servas temem que a menina, conhecida pela compaixão com o povo, perca voz de vez. Parte da guarda, contrária ao casamento sem consentimento, receia que a manobra alimente a chama da rebelião; afinal, a imagem de uma princesa obrigada a subir ao altar com o próprio carcereiro pode incendiar o imaginário popular.
Chinua, ciente do abismo que se abre entre pai e filha, pressiona Jendal a rever a decisão. Argumenta que união forçada transformará a princesa em mártir, tornando impossível qualquer reconciliação. O rei, porém, balança entre o afeto paternal, ferido pela fuga, e o instinto de governante assolado por conspiradores.

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Pascoal ganha poder e inimigos
Elevado à condição de possível príncipe-consorte, Pascoal passa a circular com arrogância pelos salões. Sua popularidade cresce entre militares alinhados a Jendal, mas desperta inveja em quem ambicionava ascender na hierarquia. Além disso, parte do exército enxerga a promoção como “prêmio à brutalidade”.
Consciente de que o prestígio recém-conquistado depende do casamento, ele intensifica a vigilância sobre a cela improvisada de Kênia. Não permite visitas sem autorização e veta qualquer entrega de alimento que não tenha passado por suas mãos. O objetivo é claro: quebrar o espírito da princesa para que aceite a união.
Kênia, símbolo de resistência
Mesmo enfraquecida pelo confinamento, a jovem mantém acesa a chama de rebeldia. Fontes do palácio contam que ela prometeu, aos murmúrios, jamais legitimar o regime do pai no altar. Para aliados da resistência, a situação cria uma janela de oportunidade: um resgate espetacular poderia abalar os pilares de Batanga e desmoralizar Jendal.
Entre o povo, histórias da fuga fracassada correm de boca em boca nas feiras e tavernas. Muitos enxergam em Kênia a esperança de um futuro sem tirania, e o possível casamento forçado só reforça a percepção de que a monarquia perdeu qualquer senso de justiça.
Impasse real e próximos passos
Enquanto Binta aproveita as noites para esculpir alianças políticas, Jendal convoca conselheiros em reuniões clandestinas. O rei teme que o anúncio oficial do enlace dispare protestos. Mesmo assim, Binta insiste que recuar demonstraria fraqueza — e fraqueza, em Batanga, é convite para golpe.
O destino da princesa, portanto, está suspenso entre dois extremos: dobrar-se à vontade paterna ou escalar ainda mais a luta contra a própria família. Pascoal, já moldado pela ambição, aguarda ansioso a assinatura do decreto nupcial. E as muralhas do palácio, agora palco de olhares desconfiados, parecem incapazes de conter a tempestade que se forma do lado de fora.
Se o casamento for confirmando, Binta consolida poder absoluto ao neutralizar a herdeira e atar o principal braço armado do reino à sua lealdade. Caso Jendal hesite, arrisca perder o controle da narrativa — e, possivelmente, da coroa. Nas ruas de Batanga, populações sussurram que o amor da princesa pode ser nobre, mas a sede de poder mostra-se ainda mais feroz.
