Crescimento profissional pesa mais que salário: onde os brasileiros de 14 a 24 anos sonham trabalhar

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    O desejo de avançar na carreira é, hoje, a bússola que orienta a procura de emprego dos brasileiros entre 14 e 24 anos. Embora o salário continue relevante, a prioridade dessa geração é trabalhar em companhias que ofereçam planos claros de desenvolvimento. É o que aponta levantamento nacional do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) em parceria com o Instituto Locomotiva, que ouviu 8.881 jovens em todas as regiões do país.

    O estudo também mostra que marcas de grande porte — vistas como sinônimo de estabilidade e possibilidades de aprendizado — dominam o imaginário profissional dessa faixa etária. Google, Banco do Brasil, Itaú e Petrobras aparecem empatados na liderança do ranking batizado de “Meu Match Perfeito”.

    Os dez empregadores dos sonhos

    A lista traz um empate técnico tanto na primeira quanto na segunda posição. Abaixo, os nomes citados com mais frequência pelos entrevistados:

    • 1º lugar: Google, Banco do Brasil, Itaú e Petrobras
    • 2º lugar: Coca-Cola, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Microsoft e Mercado Livre

    A presença maciça de corporações consolidadas reforça a percepção de que tamanho e tradição ainda pesam quando se busca segurança. De acordo com a pesquisa, 90% dos jovens relacionam grandes empresas a maior estabilidade.

    O que motiva a escolha

    Crescimento na frente do contracheque

    Entre oito critérios avaliados, a possibilidade de ascensão apareceu no topo, citada por 54% dos participantes. A remuneração, embora ainda essencial, ficou nove pontos percentuais atrás (43%). Veja a hierarquia completa:

    1. Oportunidade de crescimento profissional – 54%
    2. Boa remuneração e benefícios – 43%
    3. Ambiente de trabalho agradável – 31%
    4. Reputação ou tradição da empresa – 24%
    5. Flexibilidade (modelo híbrido ou remoto) – 20%
    6. Localização próxima de casa – 20%
    7. Estabilidade no emprego – 19%
    8. Valores e cultura alinhados ao do jovem – 18%
    9. Admiração pela marca ou pelos produtos – 18%

    Quase todos os entrevistados (98%) afirmam ser indispensável atuar em empresas que incentivem o desenvolvimento dos funcionários. O mesmo percentual considera crucial que estagiários, aprendizes e recém-formados recebam reconhecimento pelo trabalho entregue.

    Saúde mental e propósito também contam

    Outro dado expressivo: 98% dizem dar peso elevado para a proteção da saúde mental dentro do ambiente corporativo. A recusa a trabalhar em locais que conflitem com princípios pessoais é mencionada por 70% dos jovens, sinalizando que reputação, responsabilidade social e cultura organizacional podem atrair — ou afastar — talentos.

    Quem realmente contratou em 2026

    O levantamento cruzou ainda dados do Ministério do Trabalho e Emprego para descobrir quais companhias mais abriram vagas para o público jovem no primeiro trimestre de 2026. A análise inclui contratações com carteira assinada, programas de aprendizagem e ofertas de estágio.

    Top 10 na contratação via CLT

    1. Mercado Livre
    2. AEC Centro de Contatos
    3. Almaviva
    4. Vulcabras
    5. Atento Brasil
    6. Teleperformance
    7. Concentrix Brasil
    8. Hospital Israelita Albert Einstein
    9. Grendene
    10. Lar Cooperativa Agroindustrial

    Líderes em programas de aprendizagem

    1. Sendas Distribuidora (Assaí Atacadista)
    2. Arcos Dourados (McDonald’s)
    3. AEC Centro de Contatos
    4. Seara Alimentos
    5. MBRF
    6. Supermercados BH
    7. Correios
    8. Raia Drogasil
    9. Vale
    10. SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina)

    Estágios puxados pelo setor público

    1. Tribunal de Justiça de São Paulo
    2. Tribunal de Justiça de Minas Gerais
    3. Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
    4. Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
    5. Itaú Unibanco
    6. Prefeitura do Recife
    7. Tribunal de Justiça do Paraná
    8. Prefeitura de Curitiba
    9. Defensoria Pública de São Paulo
    10. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná

    Por que o contraste entre desejo e realidade

    Para especialistas do CIEE, o descompasso entre o ranking de preferência e o de contratações revela dois movimentos paralelos. As grandes multinacionais e bancos carregam prestígio e prometem carreiras estruturadas, mas oferecem menos vagas de entrada do que setores como varejo, call centers e serviço público. Estes, por sua vez, têm alta demanda de mão de obra júnior e programas regulares de estágio e aprendizagem, garantindo posição de destaque nas estatísticas oficiais.

    “Os jovens associam marcas globais a oportunidades de aprendizado, inglês, networking e, mais tarde, melhores salários”, observa a direção do centro de integração. “Na prática, porém, quem de fato contrata em volume para o primeiro emprego costuma ser o comércio, a indústria de atendimento e o setor público.”

    O que as empresas podem aprender

    A pesquisa aponta caminhos para atrair e reter a nova geração:

    • Trajetória clara: mapear cargos, competências e tempo médio de promoção;
    • Reconhecimento rápido: valorizar resultados de estagiários e trainees publicamente;
    • Suporte à saúde mental: programas de bem-estar e canais de escuta ativa;
    • Flexibilidade: modelos híbridos ou carga horária adaptada a estudos;
    • Propósito tangível: ações sociais e ambientais alinhadas ao discurso oficial.

    Com o mercado de trabalho ainda marcado por alta rotatividade na faixa etária, companhias que combinam esses fatores tendem a conquistar vantagem competitiva na disputa por talentos em início de carreira.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.