De alvo de bullying a voz do agro: Gustavo Tubarão abraça o sotaque e celebra virada cultural inspirada em Ana Castela

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    Gustavo Tubarão chegou a Barretos defendendo justamente aquilo que, por muitos anos, tentou disfarçar: o jeito de falar de quem nasceu em Cana Verde, sul de Minas. Aos 26 anos, o influenciador vê no próprio sucesso – e no da cantora Ana Castela – a prova de que a cultura do interior deixou de ser motivo de piada para virar símbolo pop em todo o país.

    Durante a Festa do Peão de 2026, terceiro ano em que marca presença no evento, ele relatou ter sofrido bullying por causa do sotaque e admitiu que gravava vídeos imitando paulistas ou cariocas. “Quando parei de fingir, tudo fluiu”, contou. Hoje são 14,3 milhões de seguidores acompanhando sua rotina na fazenda, os animais, a família e, claro, o linguajar carregado de erres caipiras.

    Da vergonha à aceitação

    Tubarão se mudou para a capital mineira ainda adolescente. No colégio, ouviu colegas zombarem de expressões como “porca” e “rua”. A pressão para se adequar ao padrão urbano foi tanta que, ao começar a produzir conteúdo na internet, trocou o “uai” pelo “né” e evitou gírias regionais. “Achava que tinha algo errado comigo”, relembrou.

    A virada veio em 2020, quando decidiu gravar um vídeo narrando o trabalho no curral tal qual falava em casa. Em vez de críticas, recebeu uma enxurrada de comentários de gente que se reconhecia naquela fala. Foi ali que percebeu haver um público carente de representatividade. “Quando fui eu de verdade, a audiência apareceu”, resume.

    Bullying que virou combustível

    • Na infância: colegas repetiam suas palavras em tom de deboche.
    • Início na internet: tentativas de mascarar o som aberto de Minas.
    • Momento-chave: primeiro vídeo autêntico alcança milhares de compartilhamentos.

    A força do agro nas redes

    O perfil de Gustavo mistura humor, dicas práticas do campo e pequenas histórias familiares. A simplicidade, explica, é o diferencial: “Mostro meu dia sem filtro. Se a vaca empacou, o seguidor vê. Se tropecei no toco, também”. Essa exposição franca atraiu marcas do setor agropecuário e fez dele um dos maiores divulgadores do estilo de vida rural na web.

    Para o mineiro, o fenômeno não fica restrito ao entretenimento. Ele acredita que o alcance digital ajuda a desmistificar a ideia de que quem vive fora dos grandes centros é ‘bobão’. “Durante muito tempo, chamavam a gente de atrasado só porque conversávamos diferente. Agora, o Brasil inteiro curte o que antes era gozação”, afirma.

    Números que contam a história

    1. 14,3 milhões de seguidores somados em plataformas de vídeo curto e fotos.
    2. Mais de 1 bilhão de visualizações em conteúdos sobre rotina na fazenda.
    3. Três anos consecutivos presente na Festa do Peão, levando patrocinadores ao evento.

    Ana Castela como símbolo da virada

    O mineiro cita repetidamente a cantora sul-mato-grossense como espelho. “Ela mostrou que uma garota do interior pode bater recordes nacionais sem mudar quem é”, elogia. Ana Castela, que foi a embaixadora mais jovem da história de Barretos em 2025 e voltou ao palco principal na sexta-feira (21) desta edição, pavimentou o caminho para que sotaques caipiras soassem nas rádios, avalia Tubarão.

    Para ele, o ‘boom’ da boiadeira coincide com o próprio crescimento nas redes. Ambos surgiram quase ao mesmo tempo e surfaram na mesma onda de valorização do campo. “Se antes vestir bota era brega, agora é tendência”, brinca.

    Paralelos entre dois fenômenos

    • Origem rural e forte identificação com o público jovem.
    • Ascensão nacional em 2024, consolidada em 2025.
    • Uso das redes sociais como principal vitrine.

    Barretos, vitrine consolidada

    A presença contínua de Tubarão em Barretos reforça o evento como plataforma de divulgação da cultura sertaneja 4.0 – aquela que nasce no pasto, mas ganha corpo no feed. Entre estandes de marcas de maquinário agrícola e shows que lotam o estádio, ele circula tirando selfies e gravando stories que alcançam milhões em minutos.

    Organizadores enxergam no influenciador a ponte com um público que talvez nunca tenha pisado em uma arena de rodeio. Já ele vê na festa a oportunidade de provar, ao vivo, que sotaque não mede competência. “Aqui ou na internet, falo do mesmo jeito. E está tudo bem”, resume.

    Três temporadas e contando

    1. 2024: estreia como convidado; grava conteúdos que viralizam.
    2. 2025: retorna patrocinado; participa de painéis sobre comunicação no agro.
    3. 2026: consolida presença; promove encontros com seguidores.

    Sotaque como patrimônio

    Mesmo após conquistar o público urbano, o criador de conteúdo afirma que não pretende neutralizar o modo de falar. Para ele, cada sílaba puxada é memória afetiva e sinal de pertencimento. Na visão do mineiro, a popularização de expressões como “bão demais” ajuda a quebrar estereótipos e amplia o espaço para outras identidades regionais.

    “Quando a gente se cala para parecer certo, todo mundo perde”, diz. Ele crê que a aceitação do sotaque interiorano abre caminho para que nordestinos, nortistas e demais brasileiros falem sem medo. “O Brasil é imenso. Por que todo mundo teria de soar igual?”

    Impacto além da internet

    • Escolas: alunos citam o influenciador nas redações sobre diversidade cultural.
    • Publicidade: marcas buscam sotaques regionais para campanhas nacionais.
    • Música: artistas sertanejos mantêm a pronúncia tradicional nas gravações.

    Perspectivas e responsabilidade

    Com a visibilidade, aumenta também o peso das palavras. Tubarão diz ter consciência de que muitos veem nele um porta-voz do interior. Por isso, procura equilibrar humor e informação sobre o campo, sem estereotipar nem romantizar. “Minha função é mostrar a verdade, seja ela engraçada ou não”, sustenta.

    Ele comenta ainda que, ao inspirar jovens do interior, sente a necessidade de reforçar a importância dos estudos e do respeito às raízes. “Não quero que ninguém abandone a faculdade achando que vai bombar na internet da noite para o dia. Quero que tenham orgulho de onde vieram e façam disso um diferencial”, aconselha.

    O legado que deseja deixar

    1. Normalizar sotaques regionais nos meios de comunicação.
    2. Valorizar o trabalho rural de forma realista.
    3. Mostrar que autenticidade é ativo profissional.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.