Um mês depois de ter sido solto pela Justiça, Josenilson Rodrigues Alves voltou a ser alvo de mandado preventivo e foi capturado às margens da Avenida Gal Costa, em Salvador. Conforme a Polícia Civil, ele incendiou a residência da ex-companheira no dia 15 de agosto e agrediu o pai dela, de 64 anos, que tentou impedir a destruição. O ataque ocorreu apenas 22 dias depois da primeira detenção, em 24 de julho, quando o suspeito já havia ameaçado explodir o mesmo imóvel.
Nesta quarta-feira (19), investigadores da Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter) cercaram o endereço onde Josenilson estava escondido. Ao perceber a aproximação das viaturas, ele correu, mas acabou dominado e levado para a unidade policial, onde o mandado foi cumprido. Agora, permanece custodiado à disposição do Poder Judiciário, que ainda não explicou por que o autorizou a deixar a prisão na primeira ocasião.
Operação policial impede nova fuga
As buscas começaram nas primeiras horas da manhã, quando agentes receberam a informação de que o investigado circulava pela região da Avenida Gal Costa. Segundo a delegada responsável, a equipe montou um cerco discreto para evitar riscos a moradores. Mesmo tentando se misturar entre pedestres e veículos, Josenilson foi identificado graças às imagens repassadas pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), que acompanha o caso desde julho.
Ao ser interceptado, o suspeito não portava armas, mas apresentava escoriações antigas compatíveis com a fuga do incêndio que ele próprio provocou. Após exame de corpo de delito, foi transferido para a carceragem da Polinter. O mandado de prisão preventiva lista quatro crimes: incêndio, lesão corporal, ameaça e descumprimento de medida protetiva de urgência.
Decisão judicial mantém detenção
Com a ordem preventiva em vigor, Josenilson não tem prazo para deixar a prisão. De acordo com a Polícia Civil, o inquérito será concluído nos próximos dias e remetido ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). Até a última atualização, a Promotoria e o Tribunal de Justiça não haviam informado os motivos que levaram à soltura do acusado em 28 de julho, quatro dias após a primeira prisão.
Escalada de violência em menos de 30 dias
A primeira ocorrência registrada contra o suspeito data de 24 de julho. Naquele dia, ele invadiu a casa da ex-companheira, tentou esfaqueá-la e cortou a mangueira do botijão de gás, numa tentativa de provocar explosão. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos que ouviram gritos e sentiram forte cheiro de gás. Preso em flagrante, Josenilson passou por audiência de custódia e, mesmo com as acusações, recebeu liberdade provisória mediante medida protetiva que o impedia de se aproximar da vítima.
A determinação judicial, entretanto, foi violada em 15 de agosto. De acordo com a Deam, o suspeito chegou ao imóvel durante a madrugada, arrombou a porta e espalhou combustível nos cômodos. Ao ver as chamas, o pai da vítima tentou contê-lo e acabou agredido a socos e empurrões. A mulher conseguiu se abrigar na casa de vizinhos enquanto os bombeiros apagavam o fogo. Parte da estrutura cedeu, e móveis ficaram destruídos.
Nova investida termina em incêndio
Relatório pericial aponta que o fogo começou no quarto principal e se espalhou rapidamente por causa do material inflamável usado. Apesar dos danos, ninguém ficou ferido gravemente, mas a ex-companheira relatou crises de pânico e precisou de atendimento médico. O pai dela recebeu pontos no supercílio e foi liberado em seguida.
Autoridades cobram explicações sobre a soltura
O caso reacendeu o debate sobre o rigor da Justiça em situações de violência doméstica. A delegada que conduziu as duas prisões encaminhou ofício ao Ministério Público pedindo esclarecimentos sobre a decisão que permitiu a liberdade do suspeito em julho. O documento questiona se houve falha na comunicação de risco ou insuficiência de provas na audiência de custódia.

Imagem: Internet
Organizações de defesa dos direitos das mulheres também pressionam por respostas. Entidades apontam que, no intervalo entre as duas prisões, a vítima não recebeu escolta permanente nem monitoramento eletrônico do agressor. Para as ONGs, o segundo ataque poderia ter sido evitado caso as medidas cautelares fossem reforçadas.
Rede de apoio continuará acompanhando a vítima
A Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia informou que a vítima permanece acolhida por parentes e recebe acompanhamento psicológico. A pasta reforçou a divulgação da lista de serviços gratuitos para mulheres em situação de risco no estado, que inclui central telefônica, casas de acolhimento e atendimento jurídico.
A Deam orienta que toda violação de medida protetiva seja comunicada imediatamente às autoridades. No caso específico, a polícia destacou que a colaboração de vizinhos, que registraram imagens do incêndio, foi essencial para comprovar o descumprimento e embasar o novo pedido de prisão preventiva.
Próximos passos da investigação
Com o suspeito detido, a Polícia Civil vai concluir o laudo de avaliação de danos no imóvel e ouvir novas testemunhas, entre elas vizinhos que ajudaram a retirar a moradora durante o incêndio. O inquérito deve ser finalizado em até dez dias. Se denunciado e condenado, Josenilson pode responder cumulativamente pelos crimes listados no mandado e por tentativa de homicídio, a depender da avaliação do Ministério Público.
A família da vítima avalia entrar com ação civil para reparação dos prejuízos provocados pelo incêndio. O pai, que ainda se recupera das agressões, declarou à polícia que teme novos ataques caso o acusado volte às ruas. O receio é compartilhado pela filha, que pediu reforço na escolta e estuda mudar de endereço.
Enquanto o processo tramita, a Deam promete intensificar rondas na região e monitorar outros casos de reincidência de violência doméstica. A delegada responsável reforça que o descumprimento de medida protetiva é crime autônomo e deve ser denunciado imediatamente para evitar tragédias.
