PF desmonta rede que invadiu bancos no ES e BA e desviou R$ 227 milhões

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    A Polícia Federal (PF) cumpriu na terça-feira (18) mandados que desarticularam uma quadrilha especializada em fraudes bancárias nos estados do Espírito Santo e da Bahia. Segundo a corporação, o grupo invadiu sistemas de instituições financeiras, realizou milhares de transações irregulares e provocou um prejuízo estimado em R$ 227 milhões.

    A investida, batizada de Operação Pane Seca, resultou em quatro prisões preventivas e sete buscas em Vila Velha e Cariacica (ES) e em Vitória da Conquista (BA). Durante as diligências foram recolhidos celulares, equipamentos eletrônicos, joias e cerca de R$ 40 mil em espécie. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 226,2 milhões.

    Como o esquema funcionava

    As investigações apontam que os criminosos acessavam de forma ilícita os sistemas de vários bancos e executavam transferências eletrônicas ou pagamentos de boletos em série. Os recursos eram enviados primeiro a pessoas físicas e jurídicas recrutadas como “laranjas”. Em seguida, parte do dinheiro migrava para outras contas de difícil rastreamento ou era convertido em criptoativos, estratégia que dificultava o rastreio tradicional.

    Fluxo em múltiplas camadas

    • Invasão de sistemas: hackers comprometeram plataformas internas de bancos e obtiveram credenciais privilegiadas.
    • Transações em massa: milhares de TEDs e pagamentos de boletos distribuíam as quantias em pequenas parcelas para não despertar suspeitas imediatas.
    • Contas de passagem: intermediários sacavam ou redirecionavam os valores para novas contas.
    • Criptoativos: parte do montante era enviada a corretoras de moedas digitais, embaralhando a trilha financeira.

    De acordo com a PF, a soma desviada chegou a R$ 227 milhões, valor calculado a partir dos relatórios de perdas apresentados pelas instituições lesadas. Os investigadores ainda contabilizam o montante efetivamente localizado em contas bancárias e plataformas de criptomoedas.

    Ação coordenada entre PF e setor financeiro

    O caso começou a ser rastreado graças ao Projeto Tentáculos, acordo de cooperação técnica que integra a PF, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e outras entidades do setor financeiro. A iniciativa permite o compartilhamento ágil de dados sobre fraudes, resultando em cruzamento de informações operacionais e diminuição do tempo de resposta.

    Quebras de sigilo e análise telemática

    Para chegar aos mandantes e operadores do golpe, a Polícia Federal obteve autorização judicial para:

    1. Quebrar o sigilo bancário de suspeitos e das contas de laranjas utilizados no esquema;
    2. Acessar dados telemáticos que revelaram comunicações internas da quadrilha;
    3. Monitorar em tempo real a movimentação dos valores desviados.

    Com essas informações, os agentes mapearam a cadeia de transferências e identificaram a participação de intermediários espalhados pelos dois estados. Embora o núcleo principal operasse no Espírito Santo, a etapa de lavagem de dinheiro utilizava contas da Bahia e de outros entes federativos.

    Mandados, apreensões e impacto financeiro

    A operação envolveu cerca de 40 policiais federais. As prisões preventivas visam impedir que o grupo continue a movimentar recursos ou destrua provas. Entre os materiais recolhidos estão notebooks com programas de invasão, hardwares de armazenamento contendo carteiras de criptomoedas e comprovantes de compra de bens de luxo, como automóveis de alto valor.

    Bloqueio recorde de R$ 226,2 milhões

    A decisão judicial que embasou a operação prevê o congelamento de ativos financeiros equivalentes ao montante estimado desviado. Instituições bancárias, corretoras de valores e exchanges de criptoativos foram notificadas a reter saldos, impedindo saques ou transferências pelos investigados. O bloqueio é um dos maiores autorizados em ação de crime cibernético no Espírito Santo.

    Apesar do volume elevado, a PF esclarece que ainda será necessário um balanço final dos bens efetivamente rastreados. Parte do dinheiro pode ter sido convertido em patrimônio físico ou remetido ao exterior, o que exigirá cooperação internacional.

    Próximos passos da investigação

    Os presos responderão, em princípio, por organização criminosa, furto mediante fraude, lavagem de dinheiro e crimes previstos no Marco Civil da Internet. Caso sejam condenados, as penas somadas podem ultrapassar 30 anos de reclusão. A Polícia Federal não divulgou os nomes dos detidos para preservar o andamento das diligências.

    Com a análise forense do material apreendido, os investigadores pretendem determinar se há ramificações do esquema em outros estados ou articulação com grupos estrangeiros. Também será verificado se funcionários de instituições financeiras facilitaram as invasões, hipótese que, até o momento, não foi confirmada.

    Repercussão e alerta ao sistema financeiro

    Representantes do setor bancário reforçaram, em nota, que investimentos em segurança digital foram ampliados justamente após sucessivas tentativas de fraudes similares. A Febraban calcula que, em 2023, as instituições associadas aplicaram mais de R$ 30 bilhões em tecnologia e prevenção a ataques cibernéticos.

    Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que o principal vetor de vulnerabilidade continua sendo o roubo de credenciais internas, muitas vezes obtidas por engenharia social. Eles recomendam a adoção de autenticação multifatorial, revisão periódica de permissões de acesso e auditorias independentes para reduzir brechas exploradas por quadrilhas.

    Até o momento, não há relatos de impacto direto nas contas de clientes finais, já que a fraude mirou inicialmente as reservas das próprias instituições. Mesmo assim, caso operações duvidosas apareçam em extratos, consumidores devem comunicar imediatamente o banco e registrar boletim de ocorrência.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.