O que parecia o fim de um ciclo profissional virou o início de um negócio que já formou centenas de alunos. Demitida do último emprego formal, Agnes Martins investiu R$ 600 na compra de uma máquina de costura, planejou vender algumas ecobags para garantir renda extra e descobriu seu verdadeiro ofício. Hoje, ela dirige o Ateliê AgnesRasta, na zona sul de São Paulo, ministra cursos presenciais e on-line e mantém parcerias com empresas do setor.
Com pouco mais de 20 mil seguidores nas redes sociais, a empreendedora afirma que praticamente todo o faturamento chega pela internet. Aos 33 anos, Agnes se tornou referência em costura criativa, inspirando mulheres de várias idades — inclusive do exterior — a encontrarem na máquina de costura um caminho de autonomia financeira e apoio mútuo.
Demissão vira ponto de virada
Antes de abrir o próprio ateliê, Agnes passou por áreas tão distintas quanto telemarketing e contabilidade. A estabilidade, porém, nunca veio, e a demissão, em vez de derrota, abriu espaço para a mudança. A influência para empreender já rondava a casa desde a infância: a mãe, que complementava o orçamento familiar com peças de crochê, foi a principal inspiração. “Ela nunca ficou parada. Muito desse meu jeito de me virar vem dela”, relembra.
Sem experiência com costura, a então recém-desempregada decidiu arriscar. Comprou a primeira máquina e anunciou para si mesma: se nada desse certo, produziria sacolas reutilizáveis para vender. O que surgiu como plano B se transformou em paixão instantânea. A primeira cliente foi uma tia, que comprou as peças ainda imperfeitas e serviu de incentivo inicial.
Do primeiro ponto ao quadro de professora
Na busca por aperfeiçoar a técnica, Agnes se inscreveu em cursos de costura e percebeu que, além de confeccionar, tinha talento para ensinar. A descoberta ocorreu quando uma professora a convidou a substituir um colega e conduzir uma turma. “Fui com medo mesmo”, recorda, “mas, naquela sala, percebi que era isso que eu queria”.
Hoje, o ateliê oferece pacotes de quatro aulas por R$ 377 e atende alunos de 9 a 90 anos. Enquanto ensina pontos básicos a iniciantes, também orienta empreendedores que desejam transformar a costura em fonte de renda. “É comum ver alunas chegarem tímidas e saírem com a primeira peça vendida”, conta.
Sala de aula como rede de apoio
Mais que curso técnico, o espaço virou ponto de encontro. Entre linhas e bobinas, há café passado na hora, desabafos e troca de experiências. Para Agnes, essa atmosfera de acolhimento é decisiva para o desempenho das alunas. “Aqui a gente aprende costura e, de quebra, constrói uma rede de apoio”, afirma.
Superação de barreiras e crescimento do negócio
O caminho, no entanto, não foi linear. Em um dos cursos que frequentou no início da carreira, uma professora disse que Agnes jamais teria condições de comprar uma máquina profissional. A frase, em vez de desanimá-la, virou combustível. Hoje, o ateliê reúne vários modelos industriais, fruto de parcerias negociadas pessoalmente. “Aprendi que não preciso provar nada para ninguém, só para mim mesma”, enfatiza.
Esse posicionamento proativo também aparece na prospecção de oportunidades: quando quer lançar uma nova oficina ou fechar parceria, a empreendedora não espera convites. “Às vezes a oportunidade não chega, você precisa buscá-la”, resume.

Imagem: Internet
Força das redes sociais
Desde a abertura do ateliê, a principal vitrine de Agnes é o ambiente digital. Com tutoriais, bastidores de produção e depoimentos de alunas, ela construiu uma comunidade fiel que ultrapassa as fronteiras do Brasil. “Hoje tenho alunas de outros países. Se a pessoa entra no perfil e não entende o que você faz, ela não vira cliente”, explica.
A frequência nas postagens segue método próprio: agenda semanal de conteúdos, lives mensais e lançamentos de desafios criativos. O resultado aparece em turmas lotadas e no aumento da venda de kits de costura, tecidos e aviamentos oferecidos no espaço físico e na loja virtual.
Relatos que se transformam em resultado
Um exemplo do alcance dessa estratégia é o de uma aluna que procurou o ateliê para aperfeiçoar pontos decorativos e acabou assumindo a identidade visual da marca. Inspirada pela trajetória de Agnes, a ex-aluna criou a própria linha de acessórios e passou a vender on-line. “Ver a evolução de quem chega e decide empreender depois do curso é o melhor indicador de que estamos no caminho certo”, diz a professora.
Planos para o futuro
Apesar de satisfeita com a estrutura atual, Agnes projeta expansão. Entre as metas estão a oferta de cursos em outras cidades, a criação de uma plataforma de aulas gravadas e a consolidação de um programa social para capacitar mulheres de baixa renda. “Quero que mais mulheres tenham acesso ao meu trabalho, possam costurar, empreender, ser felizes e leves. Esse é o meu futuro”, resume.
Para financiar esses passos, a empreendedora pretende ampliar parcerias com fornecedores de máquinas, tecidos e linhas, modelo que já rendeu equipamento novo e bolsas de estudo para alunos.
R$ 600 que mudaram uma vida
Ao olhar para trás, a costureira vê no investimento inicial de R$ 600 muito mais que a compra de uma máquina. O valor marcou o ponto em que a incerteza deu lugar à construção de um negócio de impacto. Hoje, graças à decisão tomada em meio ao desemprego, o Ateliê AgnesRasta se firmou como espaço de aprendizado e empoderamento feminino.
“Foi a escolha mais arriscada e, ao mesmo tempo, mais certeira da minha vida”, conclui Agnes. A história ajuda a mostrar que, com planejamento, rede de apoio e disposição para aprender, o fio que separa crise e oportunidade pode ser costurado de forma criativa.
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