Debate na TV expõe diferenças entre os seis candidatos ao governo de Rondônia em 2026

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    Promessas de novos hospitais, críticas à carga tributária e ataques diretos marcaram o primeiro debate entre os seis candidatos ao governo de Rondônia na eleição de 2026. Realizado na manhã desta terça-feira (18) nos estúdios da Rondovisão TV, afiliada da Band em Porto Velho, o encontro colocou lado a lado Adailton Fúria (PSD), Expedito Netto (PT), Hildon Chaves (União Brasil), Marcos Rogério (PL), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB).

    Ao longo de cinco blocos, o mediador Marcelo Reis conduziu rodadas temáticas, confrontos diretos e perguntas de entidades empresariais. Entre propostas para regularização fundiária, infraestrutura e segurança pública, houve ainda espaço para discussões sobre impasses jurídicos e a situação fiscal do estado, revelando fissuras e alianças em disputa no Palácio Rio Madeira.

    Primeiro bloco: respostas a temas sorteados

    No início do programa, cada candidato respondeu a um tema predeterminado, sorteado ao vivo. Expedito Netto (PT) abriu a rodada abordando regularização fundiária. Prometeu criar um conselho permanente com o governo federal para destravar títulos de terra, “sempre aliado à proteção ambiental”. Em seguida, Samuel Costa (PSB) defendeu bolsas de mestrado e doutorado para professores, além da garantia do piso nacional do magistério, como forma de melhorar a educação.

    Chamado a falar sobre saneamento, o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD) prometeu revisar contratos de privatização da Caerd e afirmou acreditar na capacidade da companhia estadual de água. Para a questão da violência, Pedro Abib (MDB) disse que valorizar o efetivo existente e integrar polícias são prioridades, destacando a necessidade de inteligência para enfrentar facções na fronteira.

    Hildon Chaves (União Brasil) recebeu a pergunta sobre tecnologia nas escolas e destacou que “sem conectividade não há gestão eficiente”. Já Marcos Rogério (PL) defendeu a instalação de um “gabinete de crise” para descentralizar o atendimento de saúde e construir o tão prometido hospital de urgência.

    Segundo bloco: confronto direto e troca de farpas

    No segmento de perguntas livres, cada participante escolheu um adversário para responder. Críticas à privatização da saúde e à falta de concursos surgiram na fala de Expedito Netto (PT), que prometeu descentralizar atendimentos hoje concentrados em Porto Velho. Marcos Rogério (PL) rebateu propondo novas rodovias para reduzir a dependência da BR-364 e impulsionar o agronegócio.

    Samuel Costa (PSB) assumiu o compromisso de criar a Universidade Estadual de Rondônia com cotas para estudantes da rede pública. Pedro Abib (MDB) insistiu na integração das forças de segurança e classificou a fronteira como “porta de entrada” do crime organizado. Hildon Chaves (União) aproveitou para alertar que o estado “está falido”, citando dificuldades fiscais. Adailton Fúria (PSD) defendeu a experiência administrativa como requisito para governar.

    Terceiro bloco: setor produtivo na pauta

    Perguntas encaminhadas por Fecomércio, Aprosoja, CDL, Cremero, Fiero e Sebrae direcionaram o debate à economia. Questionado sobre comércio e turismo, Pedro Abib (MDB) criticou a alta carga tributária e ouviu apoio de Fúria, que lembrou ter mantido o comércio aberto durante a pandemia em Cacoal.

    No tema infraestrutura para o agronegócio, Marcos Rogério (PL) prometeu retomar pavimentações para reduzir custos logísticos; Abib replicou defendendo que a soja seja convertida em proteína dentro do estado. Quando a CDL perguntou sobre condições para expansão das empresas, Samuel Costa (PSB) afirmou que “vai tributar a turma da soja” para criar nova receita, argumento rapidamente contestado por Hildon Chaves, que apontou a cadeia produtiva da oleaginosa como motor da economia.

    Questionado pelo Cremero sobre plano de cargos e terceirização da saúde, Chaves denunciou a “fila da vergonha” de até cinco anos para exames e propôs mais eficiência na aplicação dos bilhões já gastos anualmente. Costa sugeriu parceria com o Instituto Federal para especializar recém-formados em medicina. Na sequência, Fúria prometeu acabar com pedágios estaduais para atrair indústrias, enquanto Marcos Rogério criticou a reforma tributária por, segundo ele, ameaçar empregos.

    Por fim, o Sebrae quis saber como apoiar pequenos empreendedores. Expedito Netto (PT) defendeu assistência a cooperativas e estímulos a indústrias que usem matéria-prima local.

    Quarto bloco: tensão política e impasses partidários

    A rodada seguinte elevou o tom. Samuel Costa (PSB) atacou Expedito Netto (PT) ao mencionar a intervenção nacional que anulou candidaturas do PSB para apoiar o petista. “Estão tentando puxar meu tapete”, disse, garantindo que seguirá na disputa. Netto retrucou que não responde por decisões do PSB e classificou as críticas como pessoais.

    O clima esquentou também entre Costa e Adailton Fúria (PSD). O pessebista quis saber se Fúria representaria continuidade do atual governo de Marcos Rocha; o ex-prefeito negou subordinação, mas reconheceu apoio do governador. Já Fúria e Marcos Rogério (PL) trocaram acusações sobre a não construção de um hospital em Ji-Paraná. O pessedista disse que a promessa é repetida há anos; Rogério alegou ter destinado recursos que a gestão estadual não executou.

    Quinto bloco: mensagens finais aos eleitores

    Nos minutos finais, cada candidato buscou consolidar sua imagem. Samuel Costa (PSB) fez defesa enfática da democracia e lembrou sua origem humilde. Pedro Abib (MDB) criticou “vícios da velha política” e pediu debate sem radicalismos. Adailton Fúria (PSD) exibiu resultados de sua gestão em Cacoal, afirmando ter aliviado a dor dos cidadãos durante a crise sanitária.

    Marcos Rogério (PL) evocou a infância em área rural e disse querer pacificar a política para destravar o desenvolvimento. Expedito Netto (PT) enfatizou a formação política ao lado do pai e disse ter preparo para liderar Rondônia. Por fim, Hildon Chaves (União) recordou sua trajetória de promotor a prefeito de Porto Velho para justificar experiência administrativa.

    Principais propostas colocadas em debate

    Saúde

    • Gabinete de crise e construção de hospital de urgência (Marcos Rogério).
    • Descentralização de atendimentos e concurso público para hospitais (Expedito Netto).
    • Eficiência orçamentária e redução da fila de exames (Hildon Chaves).

    Infraestrutura

    • Revisão de contratos e fortalecimento da Caerd no saneamento (Adailton Fúria).
    • Rodovias alternativas à BR-364 (Marcos Rogério).
    • Pavimentação para escoamento agrícola (Resposta conjunta a Aprosoja).

    Educação

    • Bolsas de pós-graduação e gratificação permanente a professores (Samuel Costa).
    • Criação da Universidade Estadual de Rondônia (Samuel Costa).

    Segurança pública

    • Integração de polícias e atuação de inteligência na fronteira (Pedro Abib).

    Com pouco mais de duas horas de duração, o debate serviu como termômetro inicial da corrida estadual. O próximo encontro televisionado deve ocorrer em setembro, oferecendo nova oportunidade para que eleitores avaliem promessas e confrontem discursos com a realidade de Rondônia.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.