Dois feminicídios em menos de uma hora chocam a Grande BH

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    Uma sequência de feminicídios com intervalo inferior a 60 minutos deixou a Grande Belo Horizonte em alerta na noite desta segunda-feira (18). Primeiro, a manicure Silvani Paulino de Oliveira Miranda, de 37 anos, foi baleada pelo marido dentro do salão onde trabalhava, diante da filha de 17 anos. Pouco depois, já em outro bairro da mesma cidade, Thaís Gonçalves Pincer, de 26, foi esfaqueada e atropelada pelo ex-namorado assim que desceu de um carro de aplicativo. As duas mortes ocorreram em Contagem e, até o fechamento desta edição, os agressores seguiam foragidos.

    Os crimes abalam novamente uma região marcada por índices elevados de violência contra a mulher. Relatos de testemunhas, registros da Polícia Militar e laudos periciais apontam um padrão comum: relacionamentos encerrados por causa de agressões que evoluíram para perseguição e, por fim, para o assassinato. A cada caso, detalhes reforçam a sensação de brutalidade – tiros nas costas em ambiente de trabalho e golpes de faca seguidos de atropelamento na calçada de casa.

    Ataque em Contagem termina com atropelamento da vítima

    Thaís Gonçalves Pincer voltava do trabalho por volta das 20h30, no bairro Jardim dos Bandeirantes. De acordo com o boletim policial, ela ligou para uma sobrinha avisando que se sentia seguida por Thiago Filgueira Costa, 31, com quem tinha morado e rompido o relacionamento por causa de agressões físicas. O carro de aplicativo que a transportava parou em frente à residência da família, mas o ex-companheiro surgiu logo atrás em uma motocicleta.

    Segundo o motorista, Thiago exibiu uma faca e ordenou que ele fosse embora. Em poucos segundos, Thaís foi derrubada no chão e recebeu vários golpes. Testemunhas descrevem que os gritos cessaram apenas quando a jovem perdeu as forças. Antes de fugir, o agressor passou com a motocicleta sobre o corpo dela. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou o óbito no local e peritos encontraram marcas de pneus próximas ao corpo, sinalizando o atropelamento deliberado.

    Perseguição e ameaças anteriores

    Familiares contaram à polícia que Thaís vinha sofrendo ameaças constantes desde o fim do namoro. Ela já teria buscado abrigo na casa de parentes e evitava circular sozinha. O histórico de violência doméstica, porém, ainda não havia resultado em medida protetiva. Militares fazem buscas por Thiago, que abandonou a motocicleta a poucos quarteirões da cena do crime.

    Tiros nas costas dentro de salão de beleza

    Menos de uma hora antes, às 19h41, a manicure Silvani Paulino trabalhava em um salão do bairro onde morava quando Alisson Miranda Pedrosa, 37, apareceu na porta. Testemunhas relatam que ele desligou a luz do estabelecimento e fez seis disparos nas costas da esposa, que atendia a uma cliente. A filha do casal, sentada próxima à mãe, presenciou toda a ação.

    Após atirar, Alisson escapou em um carro registrado no nome do próprio pai. A cunhada da vítima, que reside no mesmo lote, ouviu os estampidos, correu para o salão e encontrou Silvani caída. O Samu confirmou a morte e o corpo seguiu para o Instituto Médico-Legal (IML). Segundo a jovem de 17 anos, os pais discutiam frequentemente e o pai não aceitava a separação.

    Dinâmica do crime e impactos psicológicos

    Especialistas ouvidos pelas autoridades locais ressaltam que feminicídios cometidos diante de filhos deixam sequelas emocionais profundas. No caso de Silvani, a filha tornou-se a principal testemunha e também vítima indireta. A equipe policial acionou o Conselho Tutelar para acompanhamento psicológico da adolescente, que entrou em estado de choque logo após o crime.

    Fuga e buscas pelos agressores

    Nos dois episódios, os suspeitos abandonaram cenas distintas e permaneciam foragidos até a madrugada. A Polícia Militar montou dois cerco-bloqueios simultâneos, mas sem sucesso. Imagens de câmeras de segurança foram recolhidas nos bairros envolvidos, e a Justiça deve expedir mandados de prisão preventiva. O delegado responsável informou que qualquer informação sobre a dupla pode ser repassada de forma anônima ao Disque-Denúncia 181.

    Procedimentos periciais e laudos

    Os corpos de Thaís e Silvani passaram por necropsia no IML de Belo Horizonte. Laudos preliminares confirmaram múltiplas perfurações por arma branca em Thaís e lesões internas compatíveis com atropelamento. No exame de Silvani, ficaram evidentes seis perfurações por arma de fogo na região dorsal, o que indica que ela não teve chance de defesa.

    Cenário de violência contra a mulher na região

    Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mostram que, somente no primeiro semestre deste ano, a Grande BH registrou aumento de quase 20% nas ocorrências de violência doméstica em comparação com igual período do ano passado. Especialistas apontam que o assassinato de mulheres por parceiros ou ex-companheiros costuma ser o desfecho de ciclos prolongados de agressão física e psicológica.

    Em Contagem, a Prefeitura mantém uma Casa de Referência da Mulher para abrigar vítimas sob risco iminente. A rede de atendimento, porém, esbarra na falta de vagas e na demora para obtenção de medidas protetivas, afirmam organizações que acompanham os casos. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) reforçou plantões nesta semana em razão dos dois crimes.

    Rede de apoio e canais de denúncia

    • Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, 24 horas por dia, ligação gratuita.
    • Disque 190 – Polícia Militar para ocorrências em andamento.
    • Disque 181 – denúncia anônima sobre localização de foragidos.
    • Aplicativo MG Mulher – botão de pânico e orientação jurídica.

    Família, vizinhos e amigos costumam perceber sinais de violência antes do desfecho trágico, lembram especialistas. O Ministério Público reforça que qualquer pessoa pode solicitar medida protetiva em favor da vítima, mesmo sem a presença dela, caso se comprove o risco.

    Próximos passos das investigações

    Os inquéritos correm em paralelo na Delegacia de Homicídios de Contagem. A polícia aguarda o resultado da perícia em vestígios recolhidos — faca utilizada por Thiago, cápsulas deflagradas no salão e a motocicleta abandonada — para fortalecer o pedido de prisão preventiva. Testemunhas foram intimadas a prestar depoimento nesta terça-feira (19).

    Enquanto isso, equipes do 18º Batalhão fazem patrulhamento em áreas onde os dois homens costumavam circular. A expectativa é de que a divulgação de imagens ajude na captura. As famílias das vítimas também avaliam ingressar com ações cíveis por dano moral contra os autores, caso sejam condenados.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.