Operação Jackpot mira lavagem de dinheiro e congela R$ 10 milhões em bens de luxo no interior

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    Uma ofensiva da Polícia Civil de São Paulo paralisou, nesta terça-feira (18), o fluxo financeiro de uma quadrilha suspeita de comandar casas de jogos de azar e lavar grandes somas de dinheiro em duas regiões do país. Batizada de Operação Jackpot, a ação resultou no sequestro de patrimônio estimado em mais de R$ 10 milhões, além da prisão preventiva de dois supostos líderes do esquema.

    Coordenados pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Bauru, 37 mandados de busca e apreensão foram executados simultaneamente em Bauru, Pederneiras e Ribeirão Claro (PR). Equipes do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-4), da Delegacia Seccional de Ourinhos e outras unidades de apoio reforçaram o cerco, que terminou com carros esportivos, imóveis e valores em contas bancárias bloqueados pela Justiça.

    Mandados cumpridos em três cidades

    A Operação Jackpot nasceu de um inquérito aberto há cerca de um ano, depois que investigadores identificaram o aumento repentino de movimentações patrimoniais incompatíveis com a renda declarada de alguns moradores do centro-oeste paulista. De acordo com a Polícia Civil, as diligências revelaram uma cadeia bem estruturada para captar, ocultar e reinvestir lucros obtidos com máquinas caça-níqueis, bancas de jogo do bicho e apostas clandestinas on-line.

    Com indícios robustos de participação de ao menos dois núcleos — um operacional e outro responsável por esquentar o dinheiro —, os delegados solicitaram à Justiça mandados de busca em 37 endereços: residências, escritórios contábeis e pontos comerciais usados como fachada. As ordens judiciais atingiram principalmente Bauru, sede administrativa do grupo, mas também Pederneiras, onde ficariam depósitos e salas de contagem de valores, e Ribeirão Claro, no norte do Paraná, balneário frequentado pelos investigados.

    Prisão dos supostos chefes

    No mesmo despacho, o Poder Judiciário decretou a prisão preventiva de dois homens apontados como cabeças da organização. Segundo os autos, eles coordenariam a instalação dos equipamentos de jogo, ditariam percentuais para operadores locais e controlariam empresas de fachada usadas para a lavagem. Ambos foram localizados em imóveis de alto padrão e não resistiram às prisões.

    Bens de luxo sob sequestro judicial

    O balanço parcial da operação inclui dez imóveis de alto valor, distribuídos entre condomínios fechados e apartamentos na área nobre de Bauru. Também foram apreendidos um Porsche, outros dez veículos de diversas marcas, além de uma lancha e uma moto aquática encontradas em Ribeirão Claro. Todos os itens passaram a constar em autos de sequestro, medida que impede transferência ou venda enquanto durar o processo.

    Peritos criminais realizaram a aferição dos bens ainda durante o cumprimento dos mandados. O levantamento inicial aponta que, somados, carros e embarcações chegam a quase R$ 3 milhões, enquanto a avaliação dos imóveis supera R$ 7 milhões. Contas bancárias associadas aos investigados também foram bloqueadas por ordem judicial, evitando a dissipação de valores que possam servir de ressarcimento futuro ao Estado.

    Lavagem refinada

    Conforme a investigação, parte das propriedades de luxo era registrada em nome de laranjas ou de empresas recém-criadas, tática comum para dificultar rastreamento. Outro método identificado foi a compra de veículos de alto padrão à vista, seguida da revenda rápida com descontos, ampliando a circulação de dinheiro vivo sem levantar suspeitas em instituições financeiras.

    Apurações seguem em sigilo

    Embora o núcleo principal esteja mapeado, a Polícia Civil informou que as apurações continuam sob segredo de Justiça. O objetivo é descobrir ramificações em outras cidades paulistas e no Paraná, além de quantificar a real dimensão da movimentação financeira do grupo. Investigadores não descartam pedidos de novas quebras de sigilo bancário e fiscal.

    O delegado responsável ressaltou que, ao mirar diretamente o patrimônio, a operação busca enfraquecer economicamente a organização. “Quando bloqueamos o dinheiro e os bens, inviabilizamos a recompra de máquinas e a reabertura de pontos de jogo”, explicou. Os dois presos permanecem à disposição da Justiça e podem responder por exploração de jogo de azar, organização criminosa e lavagem de dinheiro, crimes que somados podem ultrapassar 20 anos de reclusão.

    Repercussão regional

    A ofensiva mobilizou cerca de 120 policiais civis e chamou a atenção de moradores pelas viaturas concentradas em bairros residenciais de Bauru e Pederneiras logo nas primeiras horas da manhã. Em Ribeirão Claro, o destaque foi a apreensão da lancha atracada às margens da represa Chavantes. A embarcação, avaliada em cerca de R$ 600 mil, será encaminhada ao pátio da Polícia Judiciária em Marília até decisão definitiva da Justiça.

    O Ministério Público acompanha o caso e deve oferecer denúncia nos próximos dias. Se confirmadas as suspeitas, a quadrilha poderá ter todos os bens declarados perdidos em favor da União. Já o dinheiro bloqueado ficará retido em conta judicial, rendendo até a conclusão do processo.

    Próximos desdobramentos

    Com a quebra do sigilo telemático autorizada, investigadores avaliam mensagens extraídas de celulares e computadores apreendidos para identificar contadores, doleiros e possíveis operadores virtuais. Um dos pontos de interesse é o rastreamento de apostas on-line feitas em servidores fora do país, prática que facilitaria a remessa de recursos ao exterior sem registro na Receita Federal.

    No momento, não há previsão para nova fase da Operação Jackpot, mas a Deic de Bauru admite a possibilidade de pedidos adicionais de prisão caso surjam indícios contra outros integrantes. Enquanto isso, a Justiça avalia se mantém ou amplia o bloqueio de contas bancárias, a depender das movimentações detectadas pela equipe de análise financeira.

    Até o fechamento desta edição, nenhum dos defensores dos investigados havia se manifestado publicamente. A Polícia Civil mantém central de denúncias anônimas aberta para quem tiver informações sobre locais onde a quadrilha mantinha máquinas de apostas ou pontos de jogo clandestino.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.