O presidenciável Augusto Cury (Avante) afirmou, em entrevista ao Portal Metrópoles, que o Brasil “já vive um parlamentarismo de fato” e que o país precisa formalizar o modelo indicando um primeiro-ministro com o “nível de gestão” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para o escritor e psiquiatra, a concentração de atribuições no Palácio do Planalto impede eficiência administrativa e fragiliza a tomada de decisões estratégicas.
Ao justificar a proposta, Cury lembrou que o Congresso controla parcela significativa do orçamento por meio das emendas parlamentares e, portanto, deveria assumir também a responsabilidade de chancelar o chefe de governo. “Se o Parlamento já detém tanto poder, nada mais justo que indique e derrube um primeiro-ministro quando necessário, sem traumas de impeachment”, resumiu.
Entrevista focou em governabilidade
A defesa do parlamentarismo surgiu quando o entrevistador perguntou como o candidato pretende aprovar suas pautas tendo apenas cinco deputados federais e um senador filiados ao Avante. Cury respondeu que a “baixa representatividade” atual do partido seria compensada por um pacto suprapartidário, mas insistiu que a real solução passa pela reforma de sistema.
Menos superpresidência, mais gestão técnica
Segundo o presidenciável, o formato presidencialista “sobrecarrega” o ocupante do Planalto com demandas que vão da política externa à microgestão de programas sociais. “Nenhum líder consegue comandar economia, relações internacionais e, ao mesmo tempo, resolver milhares de problemas cotidianos”, argumentou. Para ele, a fórmula bem-sucedida dos países mais desenvolvidos foi a adoção de regimes semipresidenciais ou parlamentaristas.
Tarcísio como referência de perfil
Cury evitou citar nomes fora do espectro administrativo para o eventual cargo, mas fez questão de elogiar Tarcísio de Freitas, a quem classificou como gestor “com maestria, eficiência e coração social”. O republicanista tem despontado nas pesquisas de popularidade em São Paulo e, para o candidato do Avante, representa o tipo de liderança capaz de conduzir a máquina pública sem romper pontes políticas.
Experiência executiva pesa na escolha
Na visão de Cury, um primeiro-ministro precisa aliar conhecimento técnico e habilidade de composição. Ele pontuou que Tarcísio, ex-ministro da Infraestrutura, conhece a estrutura federal e já administra o estado economicamente mais relevante do país. “Alguém nesse patamar facilitaria a interlocução entre Executivo e Legislativo”, avaliou.
Parlamento ganharia também cobrança de resultados
O candidato sustentou que transferir oficialmente o comando do dia a dia do governo ao Congresso geraria responsabilização direta dos parlamentares sobre indicadores de desempenho. “Hoje eles destinam recursos sem prestar contas do impacto. Com um primeiro-ministro sabatinado e sujeito a voto de desconfiança, o Legislativo dividiria os ônus e bônus da gestão”, declarou.
Impeachment versus voto de confiança
Cury contrastou o processo de impeachment, que classificou como “traumático”, com a destituição parlamentar mais ágil prevista em regimes parlamentaristas. Para ele, trocar um chefe de governo impopular ou ineficiente sem paralisar o país traz ganhos de estabilidade e atratividade econômica.
Convite a adversários para pacto nacional
Apesar de enfatizar a reforma de sistema, Augusto Cury disse que, se eleito, pretende convocar governadores e líderes de diferentes legendas para elaborar “um grande pacto” em torno de metas de longo prazo. Citou explicitamente os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) como vozes que gostaria de ouvir. “Precisamos reunir forças, inclusive de adversários, para modernizar o país”, comentou.
Aliança fora da polarização
O presidenciável afirmou que divergências ideológicas não impedem a construção de agendas comuns em áreas como saúde, educação e infraestrutura. “Quando se coloca o Brasil acima de projetos pessoais, vence a política nobre”, disse, sinalizando posição contra o clima de extremismo que marcou disputas recentes.
Desafios de aprovar mudança constitucional
A implantação formal do parlamentarismo exigiria alterar a Constituição por meio de Proposta de Emenda Constitucional (PEC), o que demanda apoio de três quintos dos deputados e senadores em dois turnos de votação. Questionado sobre a viabilidade, Cury declarou que “o debate prático, transparente e a pressão da sociedade” podem convencer legendas hoje resistentes. Ele não detalhou cronograma, mas disse ver 2027 como “janela histórica” para a discussão.

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Mudança repercute no papel das Forças Armadas
Pelo desenho indicado, o presidente da República permaneceria como chefe de Estado, responsável por Política Externa e comando das Forças Armadas, enquanto o primeiro-ministro assumiria a chefia de governo. Cury ponderou que essa divisão preserva a estabilidade institucional e garante foco estratégico ao presidente.
Base enxuta no Congresso e dependência de coalizão
Com apenas meia dúzia de parlamentares, o Avante não tem poder isolado para conduzir proposta tão ampla. O candidato admite que precisará articular uma frente multipartidária. Ele sugere que, ao dar protagonismo ao Legislativo, a própria mudança atrairia congressistas que hoje negociam emendas sem corresponsabilidade plena.
Reação inicial nas bancadas
Nos bastidores, alguns líderes partidários têm receio de perder lugar na “fila” ministerial tradicional do presidencialismo de coalizão. Outros, porém, observam com cautela a possibilidade de otimizar governabilidade. Até agora, nenhum bloco formalizou apoio ou repúdio públicos à ideia apresentada por Cury.
Próximos passos na campanha
Augusto Cury pretende levar a proposta de parlamentarismo a todos os debates televisivos e encontros regionais. A equipe do Avante produz cartilhas explicativas e planeja estimular audiências públicas em assembleias legislativas para “ouvir a sociedade”. O candidato aposta que o tema ganhará força à medida que ele relacionar falhas de serviços públicos à “superpresidência engessada”.
Eleição como plebiscito informal
Embora a mudança constitucional não dependa diretamente do resultado das urnas de 2026, Cury enxerga a disputa como barômetro do apelo popular pelo novo modelo. Ele acredita que uma votação expressiva fortalecerá a pressão sobre os partidos e abrirá caminho para protocolar a PEC já no primeiro semestre do próximo governo, caso saia vitorioso.
Quadro geral das candidaturas
Além de Cury, o leque de pré-candidatos inclui nomes de centro e extrema direita, governadores em fim de mandato e ex-ministros. O parlamentarismo ainda não figura como bandeira principal de outros concorrentes, mas o assunto pode ganhar centralidade se as falas do autor da Teoria da Inteligência Multifocal repercutirem entre indecisos e lideranças regionais.
Impacto no eleitorado
Pesquisas qualitativas internas do Avante indicam curiosidade, mas também desconhecimento sobre diferenças entre presidencialismo de coalizão, semipresidencialismo e parlamentarismo. A campanha aposta na didática de Cury como escritor best-seller para traduzir o tema e ampliar o debate público antes do horário eleitoral obrigatório.
Resumo em números:
- Partido Avante: 5 deputados federais e 1 senador;
- Proposta de reforma: transformação formal para parlamentarismo ou semipresidencialismo;
- Perfil sugerido para primeiro-ministro: Tarcísio de Freitas;
- Objetivo anunciado: descentralizar poder e responsabilizar Congresso pelo orçamento;
- Próximo movimento: articulação de PEC e pacto suprapartidário.
